Vale do Rio Doce

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Quando se fala em investimento em ações é difícil não pensar na empresa Vale, afinal de contas, por muito tempo a Vale foi uma das empresas mais valiosas do país, e é simplesmente uma das maiores mineradoras do mundo, com negócios e exportações para todas as regiões do planeta, sendo um ícone do nosso país e uma das nossas maiores multinacionais.

Por conta disso, muitas pessoas quando estão interessadas em adentrar os mares do mercado financeiro, olham primeiramente para a Vale, por ser, em tese, uma companhia bastante segura, lucrativa e que domina seu mercado.

Assim, neste relatório especial estaremos avaliando a Vale (VALE5/VALE3) e tentando mostrar aos nossos leitores se, em nossa visão, comprar ações da Vale é interessante.

VALE DO RIO DOCE

A Vale é uma empresa multinacional brasileira, que atua preponderantemente no setor de mineração, sendo uma das maiores empresas desse segmento no planeta e com posição de liderança nos segmentos de minério de ferro e níquel.

A empresa foi fundada em 1942 no Governo de Getúlio Vargas, como uma empresa estatal, focada no segmento de minério de ferro.

A empresa ao longo de sua história, principalmente no início, encontrou muitas dificuldades, mas conseguiu, gradualmente, expandir suas operações ao longo do tempo.

O Brasil, nas primeiras décadas após a fundação da Vale possuía grandes reservas do mineral (minério de ferro), mas a demanda era muito baixa e a empresa vivia praticamente para fornecer matéria prima para as siderúrgicas nacionais, sendo a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) a maior cliente da Vale neste período.

Em 1952, Francisco de Sá Lessa, engenheiro civil de formação, assumiu a presidência da Vale do Rio Doce (CVRD), e permaneceu no cargo até 1960, e durante este período a empresa iniciou seu processo de internacionalização sendo inaugurados os primeiros escritórios da companhia no exterior.

Em 1961, com Eliezer Batista no comando, a Vale se consolidou em termos globais, passando a fornecer minério para o Japão, país que havia sido fortemente danificado e desestruturado por conta da segunda Guerra. Assim, durante esse período, a Vale praticamente dobrou sua produção de minério, aumentando fortemente seu faturamento, com uma produção de cerca de 8 milhões de toneladas de minério de ferro em 1962.

Nas décadas seguintes a Vale continuou expandindo sua capacidade de produção, atingindo uma extração de cerca de 108 milhões de toneladas métricas.

Em 1997 a companhia foi privatizada no Governo Fernando Henrique, com a venda de uma parcela do capital para o Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional, de Benjamin Steinbruch. O negócio foi finalizado em R$ 3,3 bilhões.

Após a privatização, a Vale cresceu de forma expressiva, expandindo suas operações, capacidade de produção e resultados operacionais e hoje tem uma produção próxima à 350 milhões de toneladas anualmente.

Histórico e desempenho operacional

A Vale por ser uma mineradora, está naturalmente exposta às variações das commodities, e principalmente, à variação do minério de ferro. Assim, em períodos que o minério de ferro sofre retrações consideráveis em seus preços, os resultados da Vale são impactados expressivamente, impactando também o seu ROE, e por conta disso, em termos operacionais a empresa apresenta alguns períodos de instabilidade, como podemos verificar no gráfico de lucros da companhia abaixo:

Após ter atingido lucros recordes em 2011 por conta de um preço de minério que beirava os U$ 200,00 a companhia viu nos anos seguintes seus lucros despencarem, inclusive atingindo prejuízos relevantes de cerca de R$ 40Bi em 2015, principalmente por conta da grande retração dos preços de minério, impactados por uma menor demanda da China e uma maior quantidade de players no mercado, que acabou por elevar a oferta e a produção global do minério, levando a expressivas retrações nos preços.

Como podemos ver, as fortes retrações observadas na lucratividade da empresa coincidiram com o período de queda do minério, onde o mesmo caiu de mais de U$ 200,00 para cerca de U$40,00 em 2016.

Veja abaixo o gráfico dos contratos futuros do minério de ferro, que demonstram, em geral, os preços praticados no mercado da commoditie:

Com lucros menores e até prejuízos nos últimos anos, as ações da empresa se desvalorizaram de forma relevante, saindo dos mais de R$ 50,00 atingidos em 2011, e chegando a custar R$ 6,00 por ação no auge da crise no início do ano passado, uma desvalorização de mais de 90%.

Evidentemente comprar nos R$ 6,00-7,00 não era tarefa tão simples como pode parecer hoje, já que os investidores viam o minério de ferro despencar e a empresa com grandes prejuízos acumulados nos últimos 12 meses afastava naturalmente muitos investidores por conta de múltiplos pouco interessantes, interessantes, e o risco de retrações ainda maiores dos preços do minério, embora em termos de valuation e valor intrínseco, a companhia estava sendo entregue “de graça”.

Porém, passada a grande turbulência, o minério de ferro voltou a se apreciar e os resultados da companhia evoluíram, voltando a lucrar, embora de forma mais modesta que nos anos do auge.

No 1T17 já conseguimos notar uma expressiva recuperação no desempenho e resultados operacionais, com a empresa crescendo seu lucro recorrente de forma expressiva frente ao 1T16:

Uma forte evolução no Ebitda e no lucro recorrente foi evidenciados neste 1T17, com uma evolução de mais de 250% no lucro recorrente ante o 1T16 e um crescimento de 82,5% no Ebitda.

O preço do minério, no entanto, vem sofrendo desvalorizações consecutivas neste 2T17 o que pode, naturalmente, impactar os resultados ao longo do ano, caso desvalorização da commodity se confirme.

A principal commodity exportada e produzida pela Vale é o minério de ferro, porém o Cobre, o Carvão e o Níquel vêm ganhando espaço e evoluindo em termos de vendas e representatividade na companhia. Destaque para o Carvão em Moçambique, que cresceu quase 1000% sua produção pela companhia nos últimos anos .

Podemos notar também que, embora o valor do minério venha oscilando, os volumes produzidos pela companhia seguem crescentes, com o minério de ferro apresentando níveis recordes de produção.

No 1T17 a companhia além de ter atingido uma produção recorde de minério de ferro para um primeiro trimestre, atingiu também resultados crescentes com outras commodities, como podemos ver na ilustração abaixo:

A demanda por minério de ferro pela China foi forte neste 1T17, impulsionada pela maior atividade econômica do país que viu seu PIB crescer 6,9% no 1T17 ante 6,7% no 1T16, e os investimentos nos três setores de maior consumo de aço – manufatura, infraestrutura e imobiliário – todos experimentaram uma recuperação expressiva neste 1T17, crescendo 5,8, 23,5% e 9,1% respectivamente em comparação com o 1T16.

Assim, podemos ver como a demanda por minério de ferro cresceu neste 1T17, não apenas na China, como em outros países também, apresentando retração nas vendas apenas na Europa

Para 2017 a companhia tem um guidance de produzir cerca de 360 a 380 Mt de minério de ferro e a partir do final de 2018 a Vale deverá atingir 400 Mt, sendo novamente um volume recorde em termos de produção.

A expansão dos níveis de produção dos projetos S11D (Carajás) e Itabiritos contribuíram para os altos níveis produzidos neste 1T17, e deverão continuar contribuindo para a empresa atingir seu guidance e níveis recordes de produção nos próximos anos.

Redução de custos e aumento de eficiência operacional é meta da empresa

É interessante notar também como a companhia tem reduzido o breakeven do Ebitda do minério de ferro e pelotas entregues para a China. Assim, a companhia garante uma maior margem de segurança aos investidores, já que, mesmo em um cenário de queda do minério, a redução de custos de produtividade permite a empresa obter ganhos de qualquer forma.

A companhia vem trabalhando na redução de custos e otimização operacional das suas linhas de produção, aumentando a eficiência operacional e obtendo evolução em seus números.

Além disso, a estratégia tem sido também na redução de custos e aumento de eficiência no segmento de níquel, cobre e carvão, aumentando as margens operacionais nestes outros metais básicos.

Com desinvestimentos em ativos pouco atrativos e que não fazem parte do segmento principal da companhia (non-core), além de um árduo trabalho na redução de custos e despesas de produção, a empresa deverá manter uma forte geração de caixa nos próximos anos, o que deverá garantir aos acionistas dividendos interessantes.

ENDIVIDAMENTO EM QUEDA

Como resultado de mudanças estratégicas, melhora operacional e ganhos de eficiência, inclusive com a venda de ativos “noncore” a companhia viu seu endividamento ser reduzido expressivamente em relação ao último ano.

Um menor endividamento reduz naturalmente as despesas financeiras da companhia, que vê espaço para um ganho de margem líquida e resultados mais positivos.

RISCOS

Apesar de ser uma empresa consolidada, de longo histórico no mercado, a Vale apresenta alguns riscos inerentes à sua atividade, e por conta disso, resolvemos listar alguns dos principais riscos que avaliamos serem importantes e devem ser considerados antes de se investir em ações da Vale.

Desaceleração da China e desvalorização do minério de ferro

A China vem crescendo de forma expressiva nos últimos anos e o crescimento do 1T17 foi ainda superior ao do 1T16, porém nada impede que o país sofra uma desaceleração gradual ou mesmo drástica, interrompendo assim a demanda por minério de ferro e causando provavelmente uma desvalorização da commodity, o que impactaria diretamente os resultados da Vale, que tem alta dependência dessa commodity.

Interrupção do processo de urbanização da Índia, Ásia e África

O processo de urbanização da Índia, países da Ásia e África, em geral, são pontos positivos e fatores que contribuem para a expansão das exportações da Vale, tanto no presente, quanto no futuro visando o longo prazo.

Uma interrupção no processo de urbanização desses países pode trazer impactos relevantes à Vale e a mesma enfrentar uma maior dificuldade de crescimento no futuro.

Valuation e Conclusão

Atualmente, cotada por volta de R$ 26,00 (VALE5) as ações da Vale estão com um valuation atrativo, com um múltiplo P/L próximo de 9, um EV/Ebitda de 4,9, além de estar sendo negociada sem ágio sobre o patrimônio líquido.

Quando comparamos o P/L da empresa com empresas estrangeiras do mesmo segmento e de um porte similar, vemos que a Vale se encontra realmente num patamar interessante.

Veja abaixo a comparação da relação P/L com os pares ao redor do mundo e a média setorial da indústria de mineração:

Em termos de Dividend Yield a companhia também apresenta uma métrica interessante, atualmente com um DY por volta de 4,30%. Estimamos que as distribuições da empresa voltem a crescer nos próximos anos, ressaltamos, porém, que a alta dependência do minério de ferro ainda pode interferir nos resultados da companhia e é um risco a ser considerado, mas por conta de os preços atuais do minério de ferro estarem relativamente baixos se comparados aos preços dos últimos 10 anos, entendemos que há uma relativa margem de segurança ao adquirir ações da Vale nos preços atuais.

Por fim, entendemos que a Vale seja uma empresa interessante, com uma gestão que tem demonstrado eficiência em entregar valor aos acionistas, e com uma maior eficiência produtiva com redução de custos, além de uma contínua demanda crescente pelo minério de ferro ao redor do mundo, a companhia deverá entregar bons resultados aos seus acionistas no longo prazo.

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