Itaú Unibanco

Relatório Especial - 26 de maio de 2017

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Investir em bancos no Brasil, em geral, na maioria das vezes foi um bom negócio, ainda mais em se tratando de um banco sólido e consolidado como o Itaú. Ao final de 2016 os 4 grandes bancos tinham 79% do crédito de todo o mercado brasileiro e a lucratividade do setor bancário é expressiva, com apenas dos 4 maiores bancos finalizando 2016 com lucros somados de R$ 50,29 bilhões.

Itaú hoje é o maior banco privado do Brasil, com um valor de mercado de cerca de R$ 260 bilhões, e um lucro anual (Com base em 2016) de R$ 21,6 bilhões, sendo também o banco mais lucrativo de todos os bancos brasileiros.

Sendo um banco tão grande, com uma lucratividade tão expressiva, e com uma base de correntistas e clientes tão alta (Chegando a mais de 50 milhões de clientes considerando as operações de cartão de crédito), será que vale a pena investir no Itaú?

Visando responder essa dúvida aos nossos leitores, estamos elaborando esse relatório para avaliar e analisar o Banco Itaú e responder se é ou não um bom investimento.

Itaú Unibanco - ITUB3 e ITUB4

O Itaú Unibanco é uma empresa de capital aberto que atua no Brasil e no exterior na atividade bancária e em todas demais modalidades de crédito, como crédito imobiliário, financiamento, investimentos e arrendamento mercantil, além de operações de câmbio e outras atividades complementares como capitalização, corretagem e valores mobiliários, cartões de crédito, seguros, fundos de investimento, equity, etc.

O Itaú Unibanco S.A surgiu da união do Itaú e Unibanco em 2008, uma das maiores fusões da história do Brasil, sendo criado, desde então, a maior instituição financeira do país e o maior banco da América Latina.

O banco hoje conta com mais de 46.000 caixas eletrônicos e mais de 5100 agências e postos de atendimento. Hoje ele possui presença em 18 países além do Brasil, em inúmeras atividades de seu segmento. A atuação do banco abrange a América do Norte, América Central, Europa, Ásia e Oriente Médio, além de forte atuação na América Latina, onde possui atividades em 7 países.

Ao final de 2016 o Banco possuía cerca de 95 mil colaboradores, sendo mais de 13,9 mil deles em unidades no exterior.

O principal foco do Itaú Unibanco é ser sustentável, trabalhando sempre para ajustar sua atuação e entregar valor aos acionistas e clientes mitigando riscos, encontrando diferenciais competitivos e criando novos produtos e operações que sirvam para a evolução da empresa e satisfação dos clientes.

O Itaú é controlado pelas famílias Egydio Souza Aranha e Moreira Salles, sendo, portanto, um controle familiar, o que em nossa visão é positivo e vem garantindo um alinhamento de interesses e visão de longo prazo.

HISTÓRICO OPERACIONAL

Em termos operacionais o Itaú Unibanco apresenta números muito interessantes, com um lucro que superou os R$ 21,5 bilhões em 2016, e um ROE (Return on Equity) de mais de 20%. Historicamente os resultados do banco evoluíram de forma expressiva, gerando grande valor aos seus acionistas nas últimas décadas.

Em 2017 o banco iniciou com um resultado líquido muito forte no seu 1T17, com evolução de quase 20% ante o primeiro trimestre de 2016, que demonstra que o Banco, mesmo num cenário ainda adverso da economia, segue com uma geração de caixa e lucratividade robusta e diferenciada.

Ao final do 1T17, o banco estava avaliado com um valor de mercado de US$ 78,8 bilhões, com R$ 1,4 trilhões em ativos e um ROE de 22%, o que é o maior Retorno Sobre Patrimônio Líquido entre os bancos brasileiros e o maior ROE dentre grandes bancos no mundo.

Confira os principais números e destaques referente ao Itaú:

Quando olhamos para o histórico de lucratividade, os dados são impressionantes, com o banco crescendo a uma taxa bastante elevada ao longo de sua história. Os bancos Itaú e Unibanco que juntos, em 2000, lucravam cerca de R$ 1,8 bi, hoje, após a fusão das duas instituições, o Itaú Unibanco lucra mais de R$ 20 bi, tendo lucrado R$ 21,6bi em 2016. A estimativa é de números ainda melhores em 2017 e nos próximos anos com a possível retomada da economia.

Se tomarmos como base apenas 2008, quando ocorreu a fusão dos dois bancos e o Itaú Unibanco foi formado, o crescimento também é expressivo, e o lucro evoluiu de cerca de R$ 7,8bi para os atuais R$ 21,6bi (2016), portanto, uma evolução de quase 180% em cerca de 8 anos.

Os dividendos também se multiplicaram, fazendo com o que o retorno obtido através de proventos pelos acionistas fosse aumentado consideravelmente, o que colaborou para um desempenho muito forte das ações do Itaú, que foram ótimos investimentos nas últimas décadas, em especial para aqueles investidores que reinvestiram os proventos.

Assim, o investidor que possuía 100 ações do Itaú em 1999 e recebia cerca de R$ 0,13 por ação ao ano, ou um total de R$ 13,00, teria recebido em 2016 cerca de R$ 160,00, sem ter reinvestido sequer um centavo na compra de novas ações, e caso tivesse reinvestido os dividendos, seu resultado seria ainda muito maior.

Também devemos ressaltar que recentemente o banco anunciou um aumento de Payout, que agora deverá ficar entre 35 e 45%, o que deverá elevar os dividendos no banco em relação aos últimos anos e gerar um maior fluxo de caixa aos acionistas.

Em termos de PDD, que é a provisão para devedores duvidosos, métrica que atingiu um nível altíssimo em 2016 e impactou os resultados de 2016 negativamente, demonstra uma melhora interessante já no início deste ano, retornando para patamares saudáveis, com uma despesa de provisão neste 1T17 de R$ 5,3 bi, uma retração de mais de 30% frente ao 1T16, o que demonstra a eficiência da gestão do Banco em manter a qualidade da carteira e operar de forma conservadora.

Já o ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) do banco também vem apresentando recuperação, e mesmo no auge da crise, em 2016, ainda se manteve num patamar elevado, por volta de 20%.

Devemos destacar que Itaú é o banco que tem o maior Retorno Sobre Patrimônio Líquido dentre os maiores bancos brasileiros e globais, e isso também reforça nossa visão positiva e preferência por Itaú no setor. No 1T17 o ROE consolidado atingiu 22,0%.

Assim, é inegável que em termos operacionais o Itaú entregou grande valor aos seus acionistas, tendo apresentado um excelente crescimento ao longo dos anos, e é o banco com o maior retorno sobre patrimônio líquido da América Latina.

Portanto, entendemos que, com um cenário econômico mais saudável e menos nebuloso, maior concessão de crédito e aumento do consumo das famílias, além da redução das taxas de juros, que aumentam as margens financeiras, os resultados do Itaú, que passaram praticamente ilesos durante essa crise, deverão evoluir ainda mais nos próximos anos.

ESTRATÉGIAS DE AQUISIÇÕES E CRESCIMENTO

Fundamental em sua estratégia de crescimento e na evolução de seus números operacionais estão as aquisições estratégicas que o Itaú Unibanco realizou durante sua história e nas últimas décadas e ainda vem realizando, de forma a maximizar os resultados do banco e expandir suas operações.

Gostamos da flexibilidade do Itaú em termos de negociação e a estratégia de arquitetar uma estrutura que tenha uma governança que seja positiva para todos os lados e crie valor aos acionistas e aos clientes, sem abrir mão de rentabilidade.

A compra estratégica em 1996 do Banco Francês e Brasileiro (BFB), por exemplo, que viria a se tornar Itaú Personnalité, que opera no segmento de alta renda, foi uma das aquisições pontuais e fundamentais que o banco realizou.

Outra aquisição fundamental e valiosa foi em 2006, quando o Itaú realizou a compra do Bank of Boston, operação importante que contribuiu para a consolidação do Banco, que acrescentou mais de R$ 20 bilhões em ativos à carteira do Itaú, e em 2012, Itaú Unibanco fechou o capital da Redecard, grande empresa que opera no segmento de transações via cartão de crédito, essa operação movimentou R$ 11,3 bi e contribuiu positivamente para o crescimento da empresa, em um dos setores de maior crescimento, e com uma recuperação no consumo, Redecard deverá trazer frutos ainda maiores.

Entre outras operações do banco estão a compra do BBA Creditanstalt, em 2002, Recovery, companhia líder de mercado de gestão de portfólios de créditos atrasados, Itaú BMG, ConectCar, união com Porto Seguro, dentre outras.

A aquisição mais recente, e também mais relevante, foi a aquisição de fatia minoritária da XP Holding, Holding que controla a XP Investimentos, adquirindo uma participação minoritária por R$ 6,3 bi. A operação envolverá a compra de 49,9% do capital da XP Holding, através do investimento de R$ 5,7 bi e um aporte de R$ 600 mi.

Além disso, o fato do banco ter a possibilidade de adquirir participação majoritária nos próximos anos na XP Holding, torna a operação mais flexível, e vantajosa.

A operação foi realizada com um múltiplo P/L estimado para 2018 de 20 vezes, e a estimativa é de que a XP obtenha um lucro líquido de R$ 600 mi em 2018.

Consideramos essa aquisição interessante, dado o crescimento histórico da XP (Companhia triplicou o lucro de 2014 para 2015), que cresceu de maneira sustentável e acelerada nos últimos anos, ganhando parcelas relevantes do mercado com uma grande base de clientes.

Além disso, o fato de que o impacto no índice de capital do Itaú será de apenas 0,8 p.p nos deixa confortável quanto à saúde da operação, não comprometendo a liquidez do banco.

Dessa forma, entendemos que a aquisição da XP pelo Banco Itaú Unibanco é mais uma aquisição estratégica e que deverá trazer bons frutos ao Banco no longo prazo.

VALUATION E RECOMENDAÇÃO

Atualmente cotadas por volta de R$ 35,00, as ações PN do Itaú Unibanco (ITUB4) apresentam um múltiplo P/L de cerca de 10 vezes, o que consideramos atrativo, dado o histórico, a qualidade e o perfil único do banco.

Quando olhamos para o P/L histórico, vemos que o patamar ainda é interessante, ainda mais se considerarmos os patamares alcançados em 2006, 2007, 2009 e 2010.

Comparados aos pares, vemos que o Itaú também está num patamar interessante, com um P/L atrativo:

Avaliamos como sem fundamento o fato das ações do Itaú estarem sendo negociadas com múltiplos menores que os de outros grandes bancos, já que o Itaú possui ROE e históricos muito mais positivos.

Assim, por conta de um histórico de lucratividade impressionante e maior eficiência operacional, além de um ROE substancialmente maior que os pares não apenas brasileiros, mas internacionais também, nossa preferência no setor bancário é por Itaú.

Itaú tem ROE muito superior ao do Wels Fargo (ROE 10%), Bank of America (ROE 7,75%), entre outros bancos americanos e europeus, o que mostra sua superioridade e capacidade diferenciada de gerar retorno, sendo, portanto, dos bancos mais rentáveis do planeta..

Em nossa visão, Itaú é uma boa opção de investimento, e acreditamos que o investidor que opte por iniciar compras no ativo deverá colher bons frutos no longo prazo e um bom fluxo de dividendos.

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