Renda Fixa x Dividendos

Aula III - Minicurso de Dividendos Suno Research

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Um ponto bastante comum que leva muitas vezes os investidores evitarem a renda variável e o investimento em ações, é comparar o Dividend Yield de uma empresa com o juro de uma renda fixa.

É comum verificar pessoas argumentando que não vêem sentido em investir em ações para receber dividendos, já que o Yield da maioria das ações que pagam dividendos razoáveis fica em torno de 5 a 6%, enquanto a renda fixa oferece títulos do Tesouro com taxas de 5,5 + IPCA, ou aplicações indexadas ao CDI que hoje rendem em torno de 11% ao ano.

Entendemos que essa comparação seja equivocada, por conta dos seguintes pontos:

IMPOSTO DE RENDA

Em geral, a renda fixa é tributada, e dessa forma, o ganho que parecia ser bastante superior ao dos dividendos, na prática não fica tão superior assim. Uma LFT, por exemplo, que hoje entrega em torno de 11% ao ano com a Selic no patamar atual, se considerarmos que a Selic está em viés de queda e o investidor será tributado em 15% se permanecer 2 anos com o investimento, seu retorno final será bem menor que o inicialmente planejado.

Mesmo considerando um cenário hipotético em que a Selic se mantenha estável em 11,25%, ainda assim após 2 anos o investidor terá um retorno líquido ao ano em torno de 9,35%, bem abaixo que os 11,25% da selic.

Já os dividendos são isentos de imposto de renda, o que possibilita o investidor obter ganhos livres da mordida do leão. Porém, não se esqueça que os Juros Sobre Capital Próprio (JSCP) são tributados, mas ao mesmo tempo eles possibilitam um benefício fiscal para as empresas.

INFLAÇÃO

Vemos como necessário, em uma análise de rentabilidade da renda fixa, considerar a inflação, já que os rendimentos, em tese, não crescem, e são ativos financeiros, ao contrário de empresas ou imóveis que são ativos reais e tendem a pelo menos cobrir a inflação no longo prazo.

Assim, um investimento em renda fixa que rende em torno de 9% ao ano livre de IR, se considerarmos uma inflação de 5% ao ano, o retorno real deste investimento será de 4%. Portanto, inferior ao Dividend Yield de muitas empresas.

AS EMPRESAS E SEUS DIVIDENDOS CRESCEM

Os dividendos e as distribuições de proventos de uma empresa, em geral, tendem a evoluir no longo prazo. Afinal de contas, as empresas podem crescer, investindo em novos projetos, na expansão de suas operações, reajustando os preços de seus serviços/produtos e também tendo um aumento da demanda em sua atividade.

Já os juros da renda fixa dependem das taxas de juros, e se essas taxas são estáveis ou decrescentes, os juros também não irão crescer.

Imagine uma situação em que um investidor realizou o investimento de R$ 10.000,00 em ações de uma empresa que cresce, em média, 10% ao ano em termos nominais e negocia hoje com um Dividend Yield de 5%. Esse investidor receberá cerca de R$ 500,00 no primeiro ano.

Caso esse investidor resolva utilizar todos seus dividendos como complemento de renda para ajudar a custear suas despesas pessoais, dentro de 10 anos esse investidor estará recebendo cerca de R$ 1.300,00. Além disso, como a empresa cresceu, seu capital naturalmente evoluiu com a valorização de suas ações, tornando o seu capital principal maior e superior à inflação do período.

Se considerarmos que esse mesmo investidor tivesse optado por investir os mesmos recursos na renda fixa, considerando uma taxa estável de juros de sua aplicação de 8,5% (livre de IR) ao ano, e uma taxa Selic estável (hipoteticamente), este investidor receberia no primeiro ano cerca de R$ 850,00. Após 10 anos, o investidor continuaria recebendo os mesmos R$ 850,00, que após esse período, naturalmente terá um poder de compra bastante inferior ao de 10 anos antes.

Além disso, o capital deste hipotético investidor teria sido corroído pela inflação, já que, como ele saca os rendimentos, seu capital não evoluiu no período e foi perdendo valor naturalmente por conta da inflação.

EXEMPLOS DE EMPRESAS QUE CRESCERAM SEUS DIVIDENDOS

No mercado de ações é comum encontrarmos empresas que cresceram suas distribuições de proventos ao longo do tempo, afinal, como já ressaltamos, as empresas tendem a crescer e expandir seus lucros.

Como os dividendos não são nada mais do que parcelas de seus lucros que são distribuídas, se os lucros crescem, os dividendos refletem esse crescimento naturalmente.

Partindo dessa premissa, podemos avaliar que uma empresa que paga hoje cerca de R$ 0,50 por ação ao ano, e que representa 4% ao ano em Dividend Yield, caso essa empresa obtenha um crescimento médio de 15% ao ano, este valor dobraria a cada 5 anos, assim, esta quantia seria quadruplicada em 10 anos.

Veja abaixo alguns exemplos de empresas que nos últimos anos conseguiram crescer seus lucros e como consequência também cresceram seus dividendos.

ITAÚSA S/A - ITSA4

A Itaúsa, holding que controla o Itaú, é um exemplo de empresa de crescimento de dividendos, já que seus dividendos cresceram em torno de 1500% desde o ano 2000, o que gerou um retorno bastante elevado aos seus acionistas, em especial os que resolveram reinvestir estes proventos.

AMBEV S/A (ABEV3)

A companhia de bebidas Ambev apresentou um expressivo crescimento em seus dividendos nas últimas décadas.

Esse crescimento reflete o crescimento de lucros da empresa e se traduziram em uma rentabilidade expressiva aos seus acionistas no longo prazo. Desde o ano 2000, seus dividendos cresceram cerca de 20 vezes.

Klabin - KLBN4/KLBN3

A Klabin, produtora de papéis, serve também perfeitamente como exemplo de companhia em crescimento e que entrega dividendos crescentes.

Os lucros da companhia e seus resultados operacionais cresceram de maneira expressiva nos últimos 16 anos, e os dividendos cresceram mais de 10 vezes desde 2000.

O IDEAL É COMBINAR

Entendemos que uma das formas mais inteligentes de se investir em ações é investindo em empresas que já apresentem um Dividend Yield razoável hoje (pelo menos 4%), mas que também tenham boas perspectivas de crescimento.

Assim, o investidor não abrirá mão no presente da geração de uma renda atrativa através de proventos, mas principalmente, estará obtendo um crescimento de sua renda passiva ao longo do tempo, por conta do crescimento desses dividendos.

Investindo em empresas com essas características é uma forma bastante eficiente e comprovada de se obter retornos interessantes no longo prazo e ainda gerar uma generosa renda de proventos no futuro.

Empresas que pagam dividendos interessantes e que também crescem são as que costumam entregar um dos maiores retornos aos investidores no longo prazo.

Já empresas em setores decadentes, empresas endividadas, má administradas, que não investem de forma eficiente e nem cresceram seus resultados de forma expressiva no passado, dificilmente conseguirão entregar dividendos constantes aos seus acionistas e muito menos crescentes, dessa forma, este tipo de empresa deveria ser evitada pelos investidores.

AVALIANDO PERSPECTIVAS

Já entendemos que empresas que crescem entregam retornos elevados e aumentam suas distribuições de dividendos, inclusive podendo gerar retornos bem mais elevados que instrumentos de Renda fixa, mas o investidor pode se perguntar: “Como avaliar se uma empresa poderá de fato crescer?”

Avaliar se uma empresa tem, de fato, um potencial expressivo de crescimento requer alguns estudos, mas é uma tarefa acessível a todos investidores.

Em geral, para analisar as perspectivas de crescimento de uma empresa, devemos avaliar a gestão e os resultados históricos da companhia, que demonstram a eficiência da administração da empresa e o crescimento passado da companhia, afinal, de nada servirá uma empresa estar em um setor promissor mas com uma gestão pouco eficiente.

Uma empresa que vem apresentando crescimentos expressivos ao longo do tempo, demonstra que sua administração está sendo eficiente em administrar as operações da empresa e está usufruindo do crescimento do segmento como um todo.

Além disso, é importante analisar outras métricas, indicadores e fatores, como o ROE (Return On Equity), que mede diretamente o retorno da empresa sobre seu patrimônio líquido, o ROIC, que mensura o retorno da empresa sobre seu capital investido.

Avaliar o segmento que a empresa está inserida também é de extrema importância.

Veja o exemplo da empresa Multiplus, companhia presente no segmento de programas de fidelidade. O setor que a empresa está inserida apresenta um nível de penetração no mercado brasileiro muito baixo, como podemos ver a seguir:

Aproveitando-se dessa baixa penetração de mercado, que está bem abaixo dos níveis verificados em grandes países ao redor do mundo, a Multiplus vem se beneficiando e crescendo ao longo dos últimos anos.

Como consequência a este crescimento setorial e uma gestão que tem sido eficiente, o número de participantes dos programas de vantagens cresceu substancialmente desde 2010, ano de seu IPO, evoluindo a uma taxa de 15,6% ao ano em média, e também entregando uma boa evolução em seu faturamento e de seus dividendos.

Avaliar o histórico da gestão também é importante. Analise se a administração da empresa consegue crescer sua participação de mercado sem abrir mão de margem. Tão importante quanto investir em um setor prospero é investir junto com uma equipe de pessoas que você sabe que irão conseguir extrair valor do crescimento daquele setor.

Na próxima aula iremos desmistificar um conceito sobre investimentos em empresas que pagam dividendos: será que empresas que pagam generosos dividendos crescem menos?

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