Luiz Barsi

UNITs, Crises e Independência Financeira

29ª Carta de Luiz Barsi

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Antes de iniciarmos a carta dessa semana onde damos continuidades as respostas de Luiz Barsi ao #BarsiResponde que realizamos em nosso Facebook, gostariamos de convidar a todos para se inscrevarem em nossa lista de transmissão via Whatsapp.

Nessa lista enviamos notícias e conteúdos gratuitos para nossos seguidores. Para se inscrever basta mandar uma mensagem através do Whatsapp com seu nome para o número  abaixo:

(11) 99939-1839.

William Winter:Como você escolhe se deve comprar ações ON, PN ou Units? Existe algum tipo de preferência ou depende de algum fator no momento da compra?

Luiz Barsi:

Eu não tenho comprado Units quando existem oportunidades de você comprar as ações, pois na realidade até agora ninguém me convenceu o que uma Unit proporciona de criação de valor para uma companhia ou um acionista?

Ela representa uma espécie de grupamento, não no sentimento de agrupar em relação ao capital, mas agrupá-las para poder vendê-las com mais facilidade.

Então você tem alguns exemplos de mercado como, por exemplo a Klabin, a Klabin se você for comprar uma Unit você vai acabar comprando uma ação por 4,50 que paga o mesmo dividendo de uma ação que custa 2,80. A ON custa 4,50 e paga o mesmo dividendo.

Então você não está fazendo um bom negócio comprando uma Unit, e a Unit representa 4 PN e 1 ON, então essa representa está exatamente lastreada na multiplicação de 4 ações a 2,80 e 1 a 4,50, então como a gente procura contemplar o dividendo, eu prefiro comprar 5 PN, que o dividendo será maior que uma Unit.

Eu acho que nós caminhamos celeremente para que a maioria das ações negociadas aqui no país venham a produzir conversões, e nós provavelmente depois de um tempo assim como nos EUA teremos apenas ON.

Já registramos esses movimentos em várias empresas, no Banco do Brasil, no grupo Ultra, houve um ensaio de acontecer na própria Klabin, agora também tá em perspectiva de ocorrer na Vale, a Oi já declarou a intenção, a Alpargatas também de seguir essa trajetória, então eu acho que essa é a tendência.

Evidentemente o fato de comprar uma ação preferencial vai depender também da disposição de se estabelecer boas parcerias. No caso da Alpargatas quem tem PN pode acabar levando a pior, pois eles estão pretendendo em termos de deságio é 30%, então você teria que dar 13 ações PN para ficar com 10 Ordinárias. Acho um exagero, provavelmente eles não conseguirão fazer essa uniformização.

Por enquanto isso daí não é obrigatório, mas para o futuro as coisas talvez até se tornem mais fortemente legais, caminhamos para isso.

Flávia Freitas: Você tem décadas de experiência em bolsa e viveu diversas crises? Qual dessas crises foi a pior? Já pensou em desistir?

Luiz Barsi: Não, nunca pensei em desistir, pois justamente nas crises que são geradas as melhores oportunidades.

Nós tivemos algumas crises que foram assim, extremamente sentidas no desempenho das ações. Uma das crises que talvez possa ser considerada a mais contundente, que na verdade nem acabou sendo uma crise, mas um procedimento, foi quando o Collor converteu a moeda do Cruzado para Cruzeiro, as ações passaram a ter um desempenho extremamente penalizado, e você não tinha recursos financeiros para comprar as ações, eu não tinha a nova moeda, então houve uma crise e também pelo que eu me recordo houve um instrumento legal que obrigava a todos pagarem um tributo sobre o valor de cotação.

Então o governo acabou concluindo que se isso acontecesse seria uma forma de estatizar tudo, pois muitas empresas tinham um valor de mercado muito superior ao valor de patrimônio, então essa foi uma medida tempestivamente tirada e seguiu apenas perseguindo apenas o que estava em conta corrente.

Tiago Reis: Essa crise atual, ela é uma das mais graves que você já viveu no Brasil?

Luiz Barsi: Eu acho que é uma crise sentida, pois ela deflagrou um tipo de comportamento que nunca havia ocorrido no país, que foi o ministério público desvendar toda essa gama de infrações que fizeram na Petrobras, a corrupção, etc, as outras crises tiveram outras origens. Por exemplo, essa de 1989, antes dessas nós tivemos também um problema sério que foi desvalorização da moeda mexicana, que produziu forte impacto na América Latina.

Tivemos também outra crise gerada pela quebra da Daewoo, na Coréia, outra crise paralela da Asia Motors, e a Daewoo se transformou Hyundai, e a Asia Motors em Kia, então isso na época, até a GM era parceira da Daewoo e hoje acabou ficando como Hyundai, outra estrutura de gestão, então já tivemos crises fortes.

A crise de 2008 também foi uma crise sistêmica, porque afetou de alguma maneira todo o poder aquisitivo dos EUA e isso acabou refletindo nos demais mercados.

A maioria dos mercados emergentes não tem estrutura de capital para se sustentarem, então eles são sustentados por aplicações que vêm do exterior. E como lá houve um problema sério, os valores voltaram para lá, então por aqui a coisa teve que ser amparada de alguma maneira.

Uma coisa interessante é que na crise de 2008, as autoridades do governo ampararam as empresas, capitalizou as empresas, para que elas voltassem a produzir riqueza e reconstituir suas atividades.

Aqui não, aqui o governo privilegiou 3 ou 4 empresas, JBS, Oi, Sete Brasil, enfim, isso aí não produziu o mesmo impacto no sentido de elevar e movimentar a riqueza na necessidade que o país precisava.

Guilherme Lopes: Depois de quantos anos investindo você atingiu a sua independência financeira? Ou seja, seus ganhos com dividendos cobriam suas despesas?

Luiz Barsi: Olha, a primeira vez que fui convidado a opinar e a comentar a respeito daquele trabalho que eu fiz "Ações garantem o futuro" em 1974, em 1982 eu já possuía uma renda, não a que eu tenho agora evidentemente, mas eu já possuía uma renda que se eu quisesse eu poderia parar, já havia uma renda suficiente para o nível daquela época. Mas eu não parei, quer dizer, mas depois de mais ou menos uns 8 ou 10 anos a coisa já se consolidou.

Há de se comentar algo muito importante, eu sempre fui muito disciplinado e sempre observando o critério da paciência, não extrapolei, não fiz nenhuma mudança de prioridades, minha prioridade constituía o que é hoje, a mesma prioridade.

Liverto Bittencourt: Barsi você investe há muitas décadas e percebo que continua muito ativo no mercado? Qual é o seu limite?

Luiz Barsi: Eu nunca pensei que chegaria num limite, e talvez por isso é que eu consegui formatar um patrimônio expressivo. Se eu tivesse estabelecido um limite, provavelmente talvez eu não tivesse hoje o patrimônio que tenho.

Então não que eu não esteja satisfeito, estou satisfeito, entretanto, a forma de atuar no mercado, utilizando as metas, utilizando a disciplina, como um dos critérios, a paciência, as análises, os fundamentos. Tudo isso acaba te transportando para um sentimento de prazer, um sentimento de você estar fazendo aquilo que te agrada, um desafio intelectual.

Então eu não olho tanto pro ganho, eu olho mais pra atividade, que me faz permitir estar presente, analisar, raciocinar, conviver com a atividade e isso jamais eu pensei em limites, e não vou pensar durante algum tempo.

Felipe Tejeda: O Senhor investe no setor elétrico, o que deve levar em consideração para analisar uma empresa de energia? E como devo fazer uma comparação entre os pares do setor?

Luiz Barsi: O setor de energia elétrica ele tem segmentos, ele precisa ser avaliado por três aspectos, temos o segmento de geração, transmissão e distribuição.

Tanto geração quanto transmissão, eles se apresentam como segmentos assim, melhores estruturados, no sentido de se operacionalizar e em termos de se conservar a atividade.

A geração, por exemplo, requer um investimento muito mais expressivo que a transmissão. Na transmissão você teria 1 ou 2 fornecedores, e 3 ou 4 clientes, então a tua operacionalização não é custosa e não precisa estar sistematicamente reinvestindo, pois, uma vez processado o investimento ele será utilizado por muitos anos.

A geração, ela varia em função da fonte energética, se você produzir uma energia termoelétrica, você terá um custo, se produzir uma hidrelétrica terá outro custo, uma eólica é outro e solar também, então, a fonte energética que vai determinar o montante do investimento e o eventual benefício.

No caso do Brasil que sempre foi mais propenso à hidro energia, a hidrelétrica, então os investimentos sempre foram mais expressivos. Em outros países os investimentos em eólicas são expressivos também, mas são bem menores que de uma matriz energética de hidro energia.

E ainda uma das mais caras que existem, são energias produzidas por fontes de aquecimento, termoelétricas, que são geradas por combustíveis e gás.

No caso da distribuição, vamos pegar o exemplo da Eletropaulo, enquanto uma transmissora tem poucos fornecedores e clientes, uma distribuidora tem 300-400 mil, então o custo operacional é muito mais intenso, e há uma tendência de inadimplência muito maior.

Então eu avalio isso, eu sentimentalizo isso, eu procuro na razão direta dos acontecimentos dar uma prioridade nos segmentos de geração e transmissão, não que a distribuição não possa ser vantajosa, em alguns casos a gente percebe que ela chega a ser traumática, por exemplo, no RJ existem muitos “ratos de energia”, aqueles que produzem ligações clandestinas, então a operação além de ser mais custosa e onerosa ela acaba sendo mais sacrificada.

No Nordeste, no Norte, a maioria das distribuidoras hoje pertencem à Eletrobrás justamente porque ninguém quer, ninguém quer ficar com isso daí a inadimplência é muito grande, enfim, não é uma atividade que proporciona resultados satisfatórios.

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