Por: Tiago Reis

Warren Buffet sobre Ouro

Ao longo de toda sua carreira como investidor, Buffett sempre foi claro quanto à sua opinião a respeito do ouro. O Oráculo de Omaha, definitivamente, não gosta de considerar o ouro como um investimento.

Embora Buffett já tenha feito negócios com prata, o grande investidor considera que o metal amarelo não tem uso prático.

A falta de uso prático

Enquanto existem algumas evidências de que o preço do ouro segue a inflação no longo prazo, também é verdade que ele não oferece outros retornos além disso.

Pense bem: se você vai comprar ouro físico, você também terá que pagar pela sua armazenagem. Muitos se esquecem deste aspecto, que é algo que pode eliminar os eventuais lucros no longo prazo.

Na reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway de 2005, Buffett declara que, ao invés de investir em ouro, ele preferiria “ter cem acres de terra em Nebraska, um apartamento ou um fundo de índice”.

O investidor explica que, desde 1900, o preço do ouro saiu de US$ 20 para cerca de US$ 400 (à época da reunião). Enquanto isso, no mesmo período, o Dow Jones Industrial Average saiu de 60 para mais de 10.000. Enquanto um multiplicou por aproximadamente 20, o outro multiplicou por mais de 160.

Além disso, os investidores do Dow Jones ainda receberam dividendos ao longo do tempo. Os proprietários de ouro, por outro lado, estavam pagando seguros e custos de armazenagem.

Ouro como hedge

Mas e utilizar o ouro como proteção? De fato, o metal precioso é um hedge bastante popular na proteção contra a inflação.

Nessa perspectiva, Buffett se mostra mais receptivo ao metal amarelo. Ele entende que faz sentido a preocupação com a inflação em longos períodos. Mas, ainda assim, ele ressalta que o ouro é uma das últimas coisas que ele utilizaria nessas circunstâncias.

Ao invés de ouro, Buffett recomenda possuir algum ativo que tenha utilidade, como uma fazenda, um apartamento ou ações.

O ouro e as conchas

Outro argumento que os aficionados por ouro utilizam é o de que ele é uma excelente alternativa à moeda fiduciária. Vale ressaltar que moeda fiduciária são títulos não lastreados a nenhum metal, isto é, são sem valor intrínseco – o dinheiro em papel é uma moeda fiduciária.

Neste sentido, a argumentação diz que, se a civilização colapsar, a moeda perde seu valor, de modo que o ouro se tornaria moeda de troca.

No entanto, Buffett rebate este argumento. Ele diz que prefere ter a capacidade de vender seus produtos e serviços para as pessoas, daqui a vinte anos, do que possuir ouro. Isso porque, mesmo que as pessoas estejam utilizando conchas como moeda de troca, a Berkshire será capaz de conseguir um número apropriado de conchas pelos seus produtos e serviços, ao invés de papel moeda.

Isso também acontece para quaisquer outros negócios. Se os clientes desejam um bem ou serviço, eles utilizarão qualquer que seja a moeda de troca que estiver disponível. Portanto, considera-se que o ouro não seria a única opção de moeda de troca.

Portanto, mesmo que Buffett esteja preocupado com a inflação ao longo do tempo, ele não acredita que o ouro seja um método muito interessante para se proteger deste efeito.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

1 comentário

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  • Juliano Ramos 14 de novembro de 2019

    Show… Muito claro … Esses seria um dos investimentos q eu iria fazer … Já não vou mais , entendi perfeitamente … Grato Tiago Reis e equipe …

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