Estamos nos aproximando do final de agosto e como já era esperado, à medida que nos aproximamos de outubro, mês das eleições, a volatilidade no mercado vai se fortalecendo e a bolsa começa a viver numa verdadeira “gangorra”.

Após um mês de julho de grande valorização do Ibovespa, com o índice avançando 8,8%, apresentando uma boa performance, agosto volta a apresentar grande volatilidade, e o mercado já acumula uma queda de mais de 4,5%, com o Ibovespa negociando abaixo dos 76 mil pontos.

Junto da proximidade das eleições, como de costume, as próprias pesquisas eleitorais acabam servindo como propulsores para todo esse cenário de volatilidade, e a cada nova pesquisa divulgada, especialmente aquelas que candidatos que não agradam o mercado estão liderando, o cenário de turbulência acaba ganhando forças, junto com o sobe e desce da bolsa, precificando em um dia um cenário paradisíaco, e no outro, um cataclísmico.

O dólar que há algumas semanas se mostrava relativamente calmo, na faixa dos R$ 3,70, já vem negociando acima dos R$ 4,10, demonstrando o claro cenário de estresse momentâneo.

Fato é que a volatilidade está aí, e deve continuar se intensificando especialmente até outubro, e nessas horas, é importantíssimo o investidor saber agir como os grandes investidores e ter em mente que a volatilidade criada pelas incertezas em relação às eleições, apesar de trazer desconforto e ruídos no curto prazo, não é ruim, bem pelo contrário, é uma ótima oportunidade para o investidor de longo prazo.

Infelizmente, nessas horas, pelo fato da volatilidade se intensificar, e muitas ações passarem a se desvalorizar de forma mais expressiva, alguns investidores acabam assustados e preferem liquidar toda ou grande parte de sua posição em ações, assumindo prejuízos e esperando a “poeira baixar” para retornar à bolsa.

Essa atitude, em nossa visão, é equivocada, já que nunca se sabe quando é realmente o “fundo do poço”, e nem mesmo se a bolsa realmente continuará caindo. Nada impede, por exemplo, que o mercado, a depender das próximas pesquisas eleitorais, ou inclusive fatores externos, passe a se valorizar e retorne para o topo histórico, fazendo com que aqueles investidores que venderam suas ações fiquem “a ver navios”.

Além disso, o investidor que tenta prever esse movimento e vende suas ações e fundos imobiliários, acaba deixando de receber dividendos e vê sua renda passiva recuar de forma expressiva, o que representa um claro retrocesso na sua jornada, e acaba prejudicando o efeito da bola de neve sobre sua carteira.

Como sempre costumamos ressaltar, nos momentos de volatilidade, não é hora do investidor ter medo e se assustar, e muito menos de se entristecer ou vender suas ações, pois é exatamente nestes momentos que ele pode acelerar a sua jornada da independência financeira.

O investidor deve ter em mente que, nos cenários de pessimismo e de volatilidade, cada real poupado e destinado à renda variável, acaba tendo um potencial de entregar uma rentabilidade muito acima da média, tanto em termos de valorização, quanto na geração de dividendos.

Como a relação dividend yield cresce quando os ativos caem, não é nenhum pouco incomum encontrarmos ótimas e consolidadas empresas, pagando dividendos bastante elevados nesses momentos, sendo um cenário perfeito para o investidor ir às compras e aumentar sua renda passiva.

A própria Itaúsa (ITSA4), que faz parte da nossa carteira Dividendos, por exemplo, se analisarmos atualmente, por mais que seja a holding do banco mais rentável do país e um player muito consolidado, vem sendo afetada pela volatilidade, e nos preços atuais, já projeta um dividend yield em torno de 8%, o que convenhamos, é bastante elevado para uma empresa com esta solidez e porte.

Se olharmos para os dados históricos da empresa, considerando os últimos anos, nunca o dividend yield da Itaúsa esteve tão elevado, o que demonstra certamente que estamos diante de uma boa oportunidade.

Pode cair mais? Sem dúvidas, porém, o investidor que comprar Itaúsa hoje, já garante um yield bastante atrativo, além de que está comprando o papel com um valuation bastante interessante, e obviamente, comprando Itaú com desconto.

Além de Itaúsa, outras boas empresas de nossas carteiras e fundos imobiliários também estão seguindo este caminho, influenciadas por uma onda de pessimismo, e sofrendo quedas expressivas, projetando yields bem acima da média, mesmo com boas perspectivas, o que evidencia que estamos entrando em um cenário de pessimismo generalizado.

Claro que reservar uma parcela do patrimônio em caixa continua fazendo sentido, pois como bem falamos, não há como saber o “fundo do poço”, ou até quando o mercado pode de fato cair, porém, aproveitar o momento atual para comprar e reinvestir integralmente (ou a maior parte) dos dividendos é imprescindível.

Em momentos como este, com muitas oportunidades surgindo, cabe ao investidor inteligente e focado no longo prazo manter o sangue frio e aproveitar este momento para acumular mais ativos, elevando sua capacidade de poupança e fortalecendo a sua carteira previdenciária e geração de renda passiva.

Após o pessimismo e a volatilidade se desvanecerem (e acreditem, o otimismo sempre volta, cedo ou tarde), as ações voltam a se valorizar, e o sábio investidor que aproveitou o cenário nebuloso para aumentar a sua coleção de ativos, verá que terá garantido um ótimo yield on cost e ótimos preços médios nas suas compras, sendo que certamente sentirá saudades daqueles momentos.

Esperamos sinceramente que a volatilidade eleitoral continue assustando e afugentando os impacientes e pessimistas, para que nós, investidores de longo prazo, continuemos a comprar as pechinchas entregues por eles, consolidando e fortalecendo as nossas carteiras previdenciárias de longo prazo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.