Por: Tiago Reis

Volatilidade: a chave para o sucesso nos investimentos

“Você precisa de paciência, disciplina e habilidade em lidar com grandes perdas sem ficar louco” – Charlie Munger, 2005

 

Grande parte dos investidores iniciantes não conseguem lidar com a volatilidade inerente à renda variável. As cotações das ações variam diariamente e assustam aqueles que não compreendem como a movimentação do preço pode ser o maior gerador de oportunidades no mercado de capitais.

Todas as ações sofrem com volatilidade, e até os papeis que entregaram os melhores retornos, desde o início de suas negociações, vivenciaram grandes variações no preço ao longo do tempo. Certamente você conhece o Google, a Amazon e o Netflix.

Estas são três das companhias mais bem-sucedidas da última década. Seus produtos mudaram a maneira em que vivemos e seus acionistas foram recompensados com lucros exorbitantes. Obviamente, isso ocorreu apenas para os investidores que souberam lidar com a volatilidade mostrando disciplina extrema para manter sua posição.

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A Amazon, por exemplo, já entregou retornos, desde seu IPO, de mais de 100.000%. Isso significa que, caso você tivesse investido mil reais em 1997, quando as ações da companhia passaram a ser negociadas no mercado de capitais, você teria mais de um milhão de reais atualmente. Entretanto, seria necessária uma disciplina quase que desumana para lidar com a volatilidade.

Diversas vezes a ação viu seu valor de mercado despencar e, em um dos casos, a queda na cotação chegou a superar a marca de 94%. A ação, que atingiu mais de US$110 em dezembro de 1999, pouco menos de dois anos depois era negociada a US$6 (preços ajustados pelos splits).

Esse não foi o único momento sombrio para a Amazon. De 2003 a 2005, a cotação chegou a perder 50% do valor e, após recuperação, a crise de 2008 foi responsável por uma queda na cotação de mais de 65%. Mais recentemente, de setembro a dezembro de 2018, a ação sofreu uma queda menos expressiva, de 35%.

Nenhuma dessas quedas comprometeu os retornos astronômicos que a ação gerou para seus investidores, que conseguiram multiplicar seu capital por muitas vezes caso tenham suportado a volatilidade.

Algo semelhante ocorreu com o Netflix que, desde seu IPO, em maio de 2002, entregou aos seus acionistas retornos superiores a 25.000%. Em pouco mais de um ano – de janeiro de 2004 a março de 2005 – a cotação da ação perdeu 75% de seu valor. A queda na cotação se repetiu em 2011, quando, em cerca de um ano, a ação perdeu mais de 80% de seu valor.

Novamente, a volatilidade não afetou os retornos assustadores que a Netflix gerou para seus acionistas. Aqueles que tiveram a disciplina e a paciência para suportar a volatilidade foram recompensados com retornos espetaculares.

Outra companhia que entregou retornos elevados aos seus acionistas foi o Google. Desde seu IPO, em 2004, os investidores poderiam obter cerca de 2.000% de retorno em uma jornada mais estável do que nas empresas anteriormente mencionadas. Mesmo assim, durante a crise de 2008, a cotação das ações chegou a cair 65%, o que assustaria a maior parte dos investidores.

Apesar da grande volatilidade dos papéis, os retornos obtidos pelos acionistas das companhias mencionadas superaram em muito qualquer outro investimento classificado como “menos arriscado” pelos especialistas do mercado financeiro.

Entretanto, para obter os retornos, seria preciso grande disciplina para lidar com a volatilidade, que, em diversas ocasiões, fez uma parcela significativa dos investidores saírem de suas posições.

Valuation e precificação de ativos

Para aqueles que compreendem que o valor da empresa não está atrelado ao preço de suas ações, a queda na cotação sem a degradação do valor intrínseco se mostra como uma excelente oportunidade para montar uma posição que pode gerar retornos muito acima da média do mercado.

Por outro lado, os investidores que não conseguem notar as oportunidades geradas pela volatilidade acabam enxergando a queda na cotação como perda de capital. Assim, eles encerram suas posições e realizam um prejuízo que poderia, em poucos anos, ser convertido em lucros mais do que satisfatórios.

Podemos perceber, portanto, que até as ações que demonstraram as melhores performances nas últimas décadas sofreram com grande volatilidade. Entretanto, a volatilidade não comprometeu os retornos excelentes que os papéis trouxeram aos seus portadores.

Aqueles que utilizam a volatilidade a seu favor, para comprar bons ativos financeiros, com margem de segurança adequada, conseguem obter retornos excelentes no longo prazo.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

2 comentários

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  • felipe martins 26 de julho de 2019

    Tô achando que esse texto foi para o pessoal da suno start, que teve como principal recomendação de compra a suzb3, e desde então ela vem despencando no mercado rsrs.

    Responder
  • Washington 14 de agosto de 2019

    Excelente alerta, se a empresa tem bons fundamentos e acompanhamos os resultados trimestrais demonstrando no s resultados, por sair quando ocorre sua volatilidade.

    Responder
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