Vantagens competitivas: como avaliar uma empresa como Warren Buffett?

Warren Buffett costuma afirmar que apenas investe em empresas que possuem uma espécie de fosso econômico ou em outras palavras: empresas com vantagens competitivas.

Esse fosso precisa ser bastante profundo e praticamente impenetrável de forma tal que concorrentes não queiram tentar toma-lo de você.

Mas será que os investidores comuns, num mundo altamente competitivo e cheio de disrupçoes, podemos identificar verdadeiramente, empresas com sólidas vantagens sobre suas concorrentes?

Uma vantagem competitiva muitas vezes pode estar bem representada na capacidade de uma companhia em aumentar preços consistentemente sem perder participação de mercado.

Essa é uma capacidade, logicamente, para poucos.

Empresas, em geral, vivem num mundo competitivo acirrado.

É muito comum que os retornos superiores de uma companhia sejam “mordiscados” a todo momento por seus concorrentes, até que um dia todas empresas daquele setor, tenham uma lucratividade na média do mercado.

Então quais são os dados que Warren Buffett usa metodicamente como parâmetros para identificar essas vantagens competitivas?

São alguns deles:

  • Altos retornos sobre patrimônio líquido
  • Margens elevadas
  • Lucros consistentes
  • Vantagens de escala consideráveis

Elevado Retorno sobre o Patrimônio Líquido

O primeiro tópico é o alto retorno sobre patrimônio líquido, métrica na qual nos da Suno, damos muita atenção.

Um investidor muito famoso, chamado Bruce Greenwald costuma ensinar que altos retornos sobre capital investido (uma fórmula próxima ao retorno sobre patrimônio liquido) e participação de mercado estável oferecem evidencias quantitativas de que uma empresa possui um fosso.

O argumento básico de Greenwald é que esses retornos altos não poderiam persistir sem uma vantagem competitiva durável, porque, na ausência de um fosso, os novos participantes entrariam no mercado e competiriam pelos retornos em excesso.

Um exemplo bem prático dessa estratégia é a aquisição feita pela Berkshire para compra a Scott Fetzer.

Este negócio no ano de 1994 gerava ganhos de 79 milhões de dólares sobre um valor contábil de U$ 90 milhões, gerando um ROE de estupendos 87%.

De acordo com Buffett esse número classificava a Scott Fetzer como a 4º colocada em rentabilidade de todas as empresas da fortune 500. Poderia ter sido o primeiro, se algumas empresas recém-saídas de recuperação judicial não distorcessem os dados dos seus balanços.

Nas palavras de Buffett:

Você pode esperar que o sucesso da Scott Fezter só possa ser explicado por um pico cíclico de ganhos, uma posição monopolista ou alavancagem. Mas nenhuma dessas circunstâncias se aplica. Em vez disso, o sucesso da empresa vem da experiência gerencial do CEO Ralph Schey, de quem vou contar mais tarde”.

Os motivos de sucesso de Ralph não são complicados. Bem Graham me ensinou há 45 anos que ao investir não é necessário fazer coisas extraordinárias para obter resultados extraordinários. Mais tarde, fiquei surpreso ao descobrir que essa afirmação é valida também na gestão de negócios. O que um gerente deve fazer é lidar bem com o básico e não ser desviado. Essa é precisamente a fórmula de Ralph. Ele estabelece os objetivos certos e nunca esquece oque ele se propôs a fazer”.

Margens elevadas

Buffett certa vez afirmou que prefere empresas que possuem margens brutas acima de 40%. Ele citou esse patamar como um bom indicador de vantagem competitiva durável frente a concorrência.

Uma companhia ter uma margem elevada é um indicador muito forte de uma vantagem competitiva por um motivo muito simples: essas empresas conseguem ter certa liberdade de praticar preços acima da média ou ter custos abaixo dos custos dos seus pares.

Essa vantagem faz com que a empresa opere quase como um monopólio, possibilitando cobrar preços mais elevados justamente por oferecem produtos ou serviços exclusivos, como a Coca-Cola, Gilette, P&G, etc.

Do contrário, em caso de margens muito baixas, o indicativo é de que o setor em questão é extremamente competitivo e sem barreiras a entrada de novos competidores, ou que nenhuma dessas empresas possui uma marca representativa.

Exemplos dessas companhias são as empresas que atuam no varejo em geral, são cases que atuam num cenário altamente competitivo e com poucos diferenciais de marca para atrair os clientes a não ser por ofertas e promoções.

Lucros consistentes

Outro segredo bastante importante nas análises de Buffett é a consistência dos lucros. Ter lucros todos os anos e de preferencia de forma moderadamente crescente é o segredo da riqueza no longo prazo.

Buffett costuma analisar os dados das empresas em um período mínimo de 10 anos, às vezes ate mais, a fim de encontrar dados constantes de forma que o deixe confiante sobre o futuro da companhia.

Não somente a constância dos lucros é importante, mas também a constância de um endividamento baixo, e os produtos ou serviços que a companhia presta a seus clientes devem ser preferencialmente os mesmos em muitos anos.

É essa consistência do produto que cria a constância nos lucros da empresa.

Se esta não precisa ficar mudando seus produtos, também não precisa investir milhões em pesquisa e desenvolvimento nem terá de gastar bilhões reequipando a sua fábrica para produzir o modelo a ser lançado no ano que vem.

Assim, o dinheiro vai se multiplicando nos cofres da companhia, o que significa que ela não precisa contrair muitas dívidas e, por sua vez, evita que pague muitos juros, permitindo que acumule muito dinheiro para expandir suas operações ou recomprar as ações, o que aumenta o lucro e a cotação das suas ações.

Vantagens de escala consideráveis

O poder da escala sem dúvidas faz a diferença num cenário competitivo.

A empresa líder de um segmento tem poder de barganha com seus fornecedores ao efetuar um pagamento com prazos mais amigáveis, e também com os clientes ao exigir prazos de pagamentos antecipados.

Jack Welch, considerado por muitos como o melhor CEO do século XX. Logo depois que tomou posse do cargo de presidente da gigante multinacional GE, tomou a impopular decisão de vender as empresas dos segmentos onde a GE não tinha representatividade em seus respectivos setores.

Ele proferiu a famosa frase:

Seremos o numero 1 ou numero 2 no segmento ou então caímos fora”.

Se pensarmos bem, essa idéia pode ser ampliada e utilizada em vários aspectos da vida. No campo profissional, por exemplo, apenas os melhores e maiores recebem as melhores promoções de trabalho, eles são os que atingem o maior resultado para a empresa e puxam toda uma equipe para frente.

Da mesma forma acontece nas empresas, as grandes companhias lideram, na maioria das vezes, a administração de preços do produto no mercado, fazendo com que posteriormente, os menores o acompanhem, mas quase nunca o contrário acontece.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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