ativos intangíveis
Por: Tiago Reis

Vantagens Competitivas: Patentes e Regulamentações

Ontem, dei início a uma abordagem a respeito das vantagens competitivas relacionadas aos ativos intangíveis. Naquela edição, apresentei a vantagem gerada por uma marca forte. Portanto, hoje encerro compartilhando sobre os outros dois ativos intangíveis que podem se traduzir em vantagens: patentes e regulamentações.

Patentes

Em certos casos, as patentes podem ser fontes de vantagens competitivas sustentáveis para uma companhia.

No entanto, assim como nas marcas, é importante ter em mente que nem sempre elas se traduzirão em vantagens competitivas duradouras, isto é, capazes de proteger os retornos da companhia no longo prazo.

Se as patentes protegem os principais produtos da empresa dos competidores e, ao mesmo tempo, não existem alternativas viáveis a estes produtos, então a companhia possivelmente terá poder de precificação durante um período adequado.

Uma boa vantagem competitiva deve ter uma expectativa de longa duração. Assim, no âmbito das patentes, é necessário observar o cronograma de seus vencimentos. Caso sejam muito próximos, provavelmente não devem constituir vantagens competitivas por si só.

Além disso, alguns outros aspectos importantes devem ser avaliados no âmbito das vantagens competitivas originadas por patentes.

Primeiramente, é necessário que o portfólio de patentes seja diversificado para que haja maiores chances de que a companhia sustente uma vantagem duradoura.

É interessante buscar empresas que são mais propensas a sustentar vantagens por meio de patentes no longo prazo. Para isso, deve-se buscar aquelas que apresentam históricos de sucesso nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de patentes.

Também deve ser avaliado o grau de dificuldade – custos e complexidade de manufatura – para que os competidores entrem no mercado da companhia, uma vez que alguma de suas patentes expire.

Neste sentido, caso o produto patenteado tenha substitutos já desenvolvidos, a patente pode não constituir uma vantagem competitiva sustentável, pois, uma vez expirada, os produtos da empresa podem sofrer, levando os bons retornos consigo.

Na indústria tecnológica, por exemplo, as patentes não costumam se traduzir em vantagens, uma vez que constantemente surgem inovações para tomar o lugar de diversos produtos.

Regulamentações

As regulamentações governamentais são outros ativos intangíveis que podem se traduzir em vantagens competitivas sustentáveis. Isso acontecerá se estas regras dificultarem ou impossibilitarem a entrada de competidores no mercado.

Para entender se uma regulamentação representa uma vantagem competitiva sustentável, é necessário avaliar certos pontos, assim como nas outras categorias de vantagens competitivas.

Um destes aspectos diz respeito às contrapartidas das regulamentações, como controle de preços. Isto é, uma regulamentação que evita a entrada de concorrentes numa determinada indústria pode não ser tão interessante caso ela impeça a geração de bons retornos devido a limitações impostas nos preços praticados pela companhia.

É preciso estar atento também às perspectivas mais prováveis para as regulamentações. Se há uma tendência de que elas sejam alteradas, pode ser um sinal ruim, uma vez que acarretariam a queda dos retornos da empresa.

Isso porque, em muitos cenários, elas são responsáveis por criar condições de mercado que diferem significativamente do que seria observado caso elas não existissem. Deste modo, é preciso basear as expectativas de retornos futuros no ambiente regulatório que é mais provável de prevalecer – com ou sem regulamentações.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

Nenhum comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais...
Outras Seções

Ações

202 artigos
Ações

FIIs

52 artigos
FIIs