Por: Tiago Reis

Vantagens Competitivas: Efeito de Rede

O Efeito de Rede ocorre quando um produto ou serviço é beneficiado pelo aumento em sua quantidade de usuários, configurando um aumento em seu valor. O benefício é sentido tanto pelos novos usuários quanto pelos já existentes.

Para que fique mais palpável, vou introduzir um exemplo simples e clássico: o serviço de telefonia.

Suponhamos que, no começo, existiam apenas duas linhas telefônicas. Isso significa que apenas seus dois proprietários poderiam se comunicar com facilidade, de modo que o serviço trazia pouca percepção de valor.

À medida que novas linhas foram criadas para indivíduos diferentes, a possibilidade de pessoas com as quais era possível se conectar aumentava. E assim foi até chegar aos dias de hoje, em que todos estamos conectados a uma ligação de distância.

Na imagem acima, para 2 telefones, temos uma conexão possível. Para 5 telefones, temos 10 conexões. Para 12 telefones, temos 66 conexões. Quanto mais usuários, mais valor para a rede. Quanto mais valor existe, mais usuários são atraídos para o serviço. É estabelecido um ciclo.

Em resumo: de que serviria o telefone se ele nos conectasse com poucas – digamos uma, ou duas – pessoas? Seu valor depende da conexão com outros telefones. Quanto maior for o número de conexões que ele permitir, maior o valor do serviço.

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O Efeito de Rede é, portanto, responsável por um ciclo virtuoso que permite que as empresas se tornem cada vez mais fortes quando conseguem usufruir dele. Deste modo, ele constitui uma vantagem competitiva importante, capaz de proteger os retornos da companhia.

Cabe, então, elencar dois tópicos que nos ajudam a identificar se, de fato, existe o efeito de rede e, em caso positivo, se ele configura uma vantagem competitiva.

#1 – Explicar como o valor do produto ou serviço aumenta com o aumento de usuários

Este é um tópico importante. Tentar providenciar provas quantitativas de que o valor aumenta mais rápido do que o crescimento da base de clientes é fundamental.

Nas companhias que verdadeiramente se beneficiam do efeito de rede, geralmente, existe um raciocínio lógico bastante claro sobre como o valor aumenta com a adição de novos usuários. Assim, mostrar provas quantitativas ajuda a solidificar o argumento para a verificação da existência do efeito.

#2 – Como a companhia monetiza sua rede?

Muitas empresas de Internet têm poderosos efeitos de rede. No entanto, as companhias nem sempre são capazes de cobrar o suficiente pelos serviços que fornecem.

A capacidade de monetizar suficientemente por meio de assinaturas, advertising, ou outras cobranças, proporciona um retorno aos investidores e assegura que a empresa terá dinheiro para reinvestir em sua rede.

A monetização sustentável da rede é, portanto, um requisito para que o efeito de rede se estabeleça como vantagem competitiva para a companhia.

Exemplo de empresa: Dassault Systèmes

A Dassault é uma líder de seu segmento, providenciando softwares CAD (Computer-Aided Design), além de softwares PLM e serviços que suportam processos industriais ao proporcionar uma visão 3D de todo o ciclo dos produtos, desde sua concepção à manutenção.

Seus produtos principais são o SolidWorks e o CATIA. Trata-se de soluções responsáveis por impulsionar o sucesso da companhia. Além disso, dentre seus clientes estão empresas de grande destaque, como Boeing, BMW, Nestlé e General Electric.

A empresa possui um programa educacional que treina usuários em suas ferramentas desde cedo. Assim, ela é capaz de criar uma rede de empregadores e empregados que preferem os seus produtos. Estudantes desejam ser treinados para terem plena capacidade de utilizar o software que seus potenciais empregadores utilizam, ao mesmo tempo em que os empregadores querem utilizar o software que a maioria dos estudantes conhecem. Assim, é estabelecido o ciclo virtuoso.

Por fim, ressalto que várias outras empresas usufruem deste efeito, como: Facebook, Twitter, Airbnb e Booking (além de outras que compõem uma extensa lista).

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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