vantagem competitiva

Você sabe o que é uma vantagem competitiva de um negócio? Este fator pode fazer com que uma empresa tenha um valuation superior ao dos seus pares.

De acordo com Warren Buffett, a vantagem competitiva sustentável é o que gera retornos superiores no longo prazo.

Termo muito utilizado e procurado pelas empresas, a vantagem competitiva se trata do posicionamento superior de uma companhia em relação aos seus principais concorrentes na luta por participação de mercado.

Atualmente, é imensamente importante uma empresa procurar gerar seu próprio diferencial competitivo, pois o mundo está sendo direcionado para uma dinâmica cada vez mais acelerada e incerta do que podia ser visto há tempos.

Ter um produto de marca única ou um serviço diferenciado dos demais competidores pode fazer total diferença nas margens e retornos de longo prazo de uma empresa.

O que é a vantagem competitivao que é vantagem competitiva

Uma das consequências de um modelo capitalista é o fato de os lucros empresariais atraírem concorrentes.

Se determinada atividade de negócios está gerando excelentes retornos sobre o capital empregado, mais cedo ou mais tarde, outros empreendedores irão querer uma parte destes lucros.

Desta forma, para que uma companhia consiga perenidade nos seus lucros a longo prazo, é preciso que ela desenvolva vantagens competitivas suficientes para barrar ameaças ao seu negócio.

Warren Buffett, um dos maiores investidores de todos os tempos, faz uma analogia bem interessante.

Ele diz que as empresas devem cavar um fosso, ou “moat”, ao redor dos seus castelos.

E dessa forma, impedir que os seus lucros estejam ameaçados.

Empresas que percam suas vantagens competitivas podem interromper o pagamento de dividendos aos seus acionistas.

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As 5 forças de Porter

Talvez a maneira mais simples de entender as vantagens competitivas seja pelo modelo de Porter.

Michel Porter, um conhecido guru especializado em gestão de empresas, certa vez citou 5 itens básicos que definem a vantagem competitiva de uma empresa, a seguir listaremos todas essas cinco qualidades:

  • Rivalidade entre concorrentes: é provavelmente um dos principais determinantes dos fatores de competitividade, criar produtos diferenciados e serviços que agreguem valor aos clientes é imprescindível para que a empresa sobreviva no longo prazo.
  • Poder de negociação dos clientes: se em outros tempos as empresas possuíam algum poder de precificação, hoje em dia a mesa está girando cada vez mais em favor dos clientes. Ter poder de preços para criar margens superiores é importantíssimo para a preservação dos lucros da companhia.
  • Poder de negociação dos fornecedores: ter um relacionamento saudável com fornecedores também é muito importante para a companhia, pois a empresa necessita de confiabilidade e agilidade na sua cadeia de suprimentos, além de preços de compras interessantes.
  • Ameaça à entrada de novos concorrentes: concorrência é o fator número 1 de ataque às vantagens competitivas de uma empresa. Os concorrentes podem copiar os diferenciais competitivos do líder de um segmento e ainda melhorá-los de forma a fazer com que toda a cadeia tenha que se atualizar constantemente.
  • Ameaça de produtos substitutos: por último, mas não menos importante, temos a ameaça do lançamento de novos produtos que substituam aqueles que são produzidos pela empresa. Veja a indústria de câmeras fotográficas em relação aos celulares. As vendas de aparelhos de fotográficos foram quase totalmente substituídos por smartphones cada vez mais potentes.

A vantagem competitiva no mundo real

A seguir, será mostrado exemplos de algumas empresas que perderam suas vantagens competitivas e outras que conseguiram mantê-las.

Cielo e as “maquininhas”

O setor de adquirência é um setor de alto crescimento aqui no Brasil.

E até alguns anos atrás, havia uma concentração muito grande por parte de algumas empresas.

A principal dessas empresas era a Cielo, que obtinha excelentes retornos sobre o seu capital e margens elevadas.

Entretanto, o cenário competitivo mudou rapidamente.

Em 2009, o Senado aprovou um projeto que pôs fim à exclusividade que a Cielo detinha com a Visa.

Além disso, sua maior concorrente, a Rede, também perdeu sua exclusividade com a Mastercard.

Desta forma, diversas outras empresas surgiram para se aproveitar do crescimento desta indústria.

E uma das formas que estas empresas encontraram para ganhar participação de mercado foi reduzindo as taxas cobradas dos lojistas.

Assim, as margens e o retorno sobre o capital da Cielo foram deteriorando ano após ano, pois a companhia precisava reduzir seus preços ou perderia clientes.

A companhia continua sendo um ótimo negócio.

Entretanto, a indústria de adquirência está longe de uma consolidação.

Logo não se sabe até que ponto a “sangria” nos resultados da Cielo perdurarão.

Eternit

A Eternit é um exemplo extremo de uma empresa que perdeu sua posição competitiva.

O maior ativo da companhia sempre foram as suas minas de Amianto, cuja extração servia para fabricação de telhas e outros revestimentos.

Contudo, descobriu-se que o Amianto era uma substância cancerígena, e foi responsável por prejudicar diversos trabalhadores expostos ao produto.

Dentre os problemas causados, os principais foram:

  • Câncer de pulmão
  • Mesotelioma
  • Asbestose

Nos países desenvolvidos, esta substância passou a ser proibida, enquanto no Brasil o seu uso foi seriamente restrito.

Talvez seja questão de tempo até que todo tipo de Amianto seja banido aqui no país.
Por estes motivos, a Eternit precisou mudar.

E uma das formas para realizar esta mudança foi diversificando os negócios da companhia.

A companhia entrou nos segmentos de louças sanitárias e de fibras alternativas.

Porém, esta diversificação não foi bem-sucedida.

Além da companhia não dispor de expertise na área, ela se endividou, em moeda estrangeira, para continuar pagando altos dividendos.

Ou seja, faltaram investimentos estratégicos ao longo dos anos para preparar a companhia para um mundo sem Amianto.

Em março de 2018, a Eternit pediu recuperação judicial.

Kodak

Outros dois exemplos clássicos de empresas que eram lucrativas e perderam relevância foram a Kodak e a Blockbuster.

A Kodak foi fundada em 1889 e era uma referência na comercialização de filmes de revelação para máquinas fotográficas.

Entretanto, com o advento da fotografia digital, a lentidão da empresa para se adaptar a esta nova realidade causou sua derrocada.

Em 2011, a empresa foi à bancarrota, situação da qual só saiu em 2013, após vender diversas patentes.

Setor de Commodities

Em alguns casos, como no setor de commodities, a vantagem competitiva é mais difícil de ser alcançada.

Como as empresas deste setor vendem produtos e serviços praticamente idênticos, a única forma de diferenciação se dá pelos custos.

Isto é, a companhia mais rentável dentro de um setor “comoditizado”, será aquela com os menores custos.

Por exemplo, empresas que extraem minerais naturais precisam ter um baixo custo de extração.

Já as companhias agrícolas, que produzem milho, soja, trigo, e arroz precisam tornar a terra cada vez mais eficiente.

Além disto, as condições de infraestrutura de cada país também influenciam os custos de transportes destes produtos.

Aqui no Brasil, a maior parte destes transportes é realizada pelo modal rodoviário, que é bastante caro.

Já nos EUA ocorre a predominância das ferrovias, que são um meio mais barato de transportar os produtos.

Isto sem falar na diferença de carga tributária e encargos sociais entre os países produtores.

Estas despesas aumentam os custos das empresas brasileiras devido à carga tributária elevada de nosso país.

Itaú

O Itaú Unibanco é um exemplo de empresa com uma vantagem competitiva bastante sólida.

Depois da consolidação das instituições financeiras do país, o Itaú se tornou um dos maiores bancos privados do país.

Junto com BB, Caixa Federal, Santander e Bradesco, foi formado um oligopólio no sistema bancário.

Com dezenas de milhões de clientes, o Itaú consegue uma diluição muito grande dos seus custos fixos, como em tecnologia, por exemplo.

Além disso, o banco possui uma capilaridade muito grande, possuindo agências nas principais cidades do país e um canal digital bastante robusto.

Dessa forma, consegue vender diversos produtos financeiros a milhões de brasileiros.

Apesar das pessoas acharem que o banco lucra com spread bancário, a maior parte do seu lucro provém de serviços e taxas, que é muito mais rentável do que a concessão de empréstimos.

E devido a sua forte geração de caixa, o banco consegue adquirir concorrentes que ameacem seu negócio ou então, desenvolver internamente formas de competir.

Coca-Cola

A Coca-Cola é um exemplo de uma companhia com um valor enorme de marca.

Ao longo de décadas, a empresa investiu pesadamente em marketing, através de propagandas e campanhas únicas.

Lógico que existem concorrentes que produzem refrigerantes parecidos.

É a velha comparação entre Pepsi e Coca.

Muitos dizem que são a mesma coisa.

Já outros afirmam que o gosto é completamente diferente.

Seja qual for a resposta, a verdade é que a Coca possui uma legião de consumidores que não a trocam por nenhuma outra marca de refrigerante.

Mas é importante a empresa se atentar ao mercado.

Nos últimos anos, percebe-se uma tendência de várias pessoas passarem a consumir produtos mais saudáveis.

Sejam frutas e verduras orgânicas, sucos, ou outros produtos naturais.

De fato, existe uma tendência de redução no consumo de açúcar nos países desenvolvidos.

E se a Coca não se atentar a estas mudanças, poderá perder a sua força de marca, tendo que vender menos produtos e/ou reduzir os seus preços.

Taesa

Existem empresas que simplesmente possuem baixíssima ameaça concorrencial.

É o caso da Taesa.

Sim, existe uma concorrência nos leilões de transmissão.

Entretanto, a partir do momento que a empresa adquire o direito de concessão de uma determinada linha, a operação se torna um monopólio regulado.

Além disso, a receita não depende do volume de energia transmitido, mas sim, da disponibilidade da rede.

Por estes motivos, estas empresas costumam ser bastante previsíveis e ideais para quem espera receber dividendos.

Se você quiser aprender mais sobre a estratégia de dividendos, não deixe de ler o Guia Suno Dividendos.

Fundos Imobiliários

É importante ressaltar que as forças competitivas não se restringem somente a empresas listadas na bolsa de valores.

No caso dos fundos imobiliários, por exemplo, os gestores também precisam estar atentos.

Por exemplo, se começam a surgir novas ofertas de imóveis próximos, os inquilinos irão ganhar poder de barganha.

Isto porque eles poderão pedir aluguéis mais baratos, períodos de carência, ou então, simplesmente trocarem de prédios para reduzirem os seus custos.

Este problema é acentuado quando o mercado imobiliário está em um ciclo de baixa, e o imóvel é antigo.

Neste caso, pode ser necessário que o gestor realize reformas na propriedade de forma a torna-la mais competitiva.

Caso você tenha interesse em aprender como se escolhe um fundo imobiliário, não perca os excelentes relatórios do Professor Baroni.

Mas se você não acredita no poder dos fundos imobiliários como investimento de longo prazo, talvez o vídeo abaixo lhe convença.

Como identificar uma vantagem competitiva através dos balançosidentificando vantagens competitivas

O posicionamento singular de uma empresa pode ser facilmente identificado nos números apresentados pela companhia em seus demonstrativos de resultados e balanço patrimonial.

Duas variáveis básicas que podem ser encontradas nas demonstrações financeiras indicam liderança de uma empresa em um setor, são elas: retorno sobre patrimônio líquido (ROE) e margem líquida.

Essas duas variáveis são os principais números que devemos observar nos indicadores de uma empresa.

Se uma companhia realmente possui alguma singularidade competitiva em relação aos concorrentes, então ela deve ter lucros mais elevados sobre o investimento realizado.

Além disso, os consumidores devem estar usando seus produtos de forma mais intensa do que a média dos concorrentes, fazendo com que o ROE da empresa seja bastante mais elevado.

Algo semelhante acontece com a margem líquida. Um negócio não vale muito se não puder gerar muito lucro em cima da receita obtida.

A empresa com vantagem competitiva deve ter média de margem liquida mais alta que o resto de seu setor.

Essa métrica é o percentual de lucros para cada dólar obtido com as receitas da empresa.

Conclusão sobre vantagem competitivaconclusão vantagem competitiva

Para alcançar sucesso de longo prazo, principalmente no mercado de ações, é necessário se atentar às vantagens competitivas. O capitalismo é competitivo, e as empresas estão sempre querendo abocanhar os lucros dos concorrentes.

Assim, antes de comprar determinada ação, se pergunte qual é a principal vantagem competitiva daquela empresa. E mais importante, se esta vantagem é ou não uma vantagem durável, ou tem risco de acabar no futuro.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.