ConhecimentoInvestimentos

Valuation de empresas – metodologia que depende de sólidas premissas

By 9 de novembro de 2017 No Comments

Saber calcular o valor intrínseco de uma ação, no mercado financeiro, pode determinar o sucesso de um investidor no longo prazo e, neste sentido, o valuation de empresas está diretamente relacionado com esse objetivo.

O valuation de empresas consiste em, através de métodos teóricos, estimar qual o preço justo de uma ação – e, por consequência, do valor de uma companhia – através de inputs normalmente levantados dos próprios resultados da empresa, da situação atual e futura do seu setor de atuação, e também da conjuntura macroeconômica.

Neste sentido, pode-se perceber realizar este tipo de operação, com sucesso, não é uma tarefa simples.

Premissas de qualidade

Muitas pessoas, por incrível que pareça, frequentemente se referem a esta prática de precificação como valuation excel, ou ainda calculadora valuation, como se esse modelo fosse uma ferramenta que fornecesse todas as respostas do universo em relação aos ativos.

Assim, muitos se esquecem que, por ser um método teórico, o valuation de empresas aceita qualquer premissa e, como consequência, os resultados dessa avaliação estarão diretamente relacionados a essas proposições pressupostas.

Entretanto, não há como negar que, atualmente, existem diversas ferramentas que contribuem bastante para esse tipo de análise, coisa que a não muito tempo atrás os investidores não tinham acesso.

Hoje em dia, bastam alguns cliques para que os investidores tenham acesso a incontáveis números, planilhas e indicadores de empresas de praticamente todo o mundo.

Entretanto, o que irá diferenciar o resultado de um valuation de empresas bem feito é, como dito anteriormente, a qualidade das premissas utilizadas no estudo.

Precificação de ativos

No intuito de se atribuir valores às qualidades das empresas, a precificação das ações dessas companhias é o objetivo de muitos investidores, atualmente e, a maioria deles se utilizam de métodos de valuation em suas análises.

Neste sentido, o modelo de Gordon é muito utilizado por diversos analistas no mundo como uma forma de precificação de ativos.

Este modelo assume a premissa de que o crescimento no pagamento de dividendos de uma companhia será constante ao longo do tempo.

É importante destacar, entretanto, que, na prática, é pouco provável que isto aconteça.

Porém, no mercado financeiro, a incerteza do futuro é algo real e presente a todo instante.

Outra forma bastante utilizada por investidores e analistas nos seus modelos de precificação é o fluxo de caixa descontado.

Este tipo de estudo nada mais é do que o valor estimado de uma empresa em uma análise de fundamentos com base nas perspectivas de faturamentos futuros, onde também são inclusos no cálculo o risco que envolvem a atividade e o tempo decorrido necessário para ocorrer essa projeção.

Assim, esse tipo de análise é utilizado como uma projeção daquilo que sua empresa poderá produzir no futuro, com os descontos do tempo que isto levará, assim como dos seus riscos assumidos.

Utilizando desses pressupostos bastante imprevisíveis e difícil de serem visualizados de maneira premeditada, os investidores buscam, constantemente, reduzir riscos e, com isso, aumentar as suas margens de rentabilidades, por consequência, o seu sucesso no mercado de capitais.

Conclusão

Prever o futuro é impossível, e com isso todos podemos concordar.

Porém, utilizar dessas ferramentas de precificação de ativos como forma de se realizar um valuation de empresas de modo que se diminuam os riscos de uma aplicação e, também, se aumente as suas possibilidades de lucros é uma atividade bastante recorrente por investidores do mundo todo e que, quando bem realizados, podem resultar em boas rentabilidades no longo prazo.

Compartilhe a sua opinião

Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.