Valor residual
Por: Tiago Reis

Valor residual: quanto vale um bem após muitos anos de uso?

Nada dura para sempre. Nem mesmo os bens de uma empresa. Por isso é tão importante que o valor residual de um bem seja calculado e informado no balanço patrimonial.

Afinal, o valor residual interfere no valor da empresa. Com isso, é um dado relevante para os investidores e demais interessados.

O que é o valor residual?

O valor residual é o que um bem vale ao final da sua vida útil, ou no decorrer dela, baseado nos cálculos da depreciação deste bem. Em geral, ele interfere diretamente no saldo do ativo do empreendimento.

Este ativo pode ser uma máquina industrial, um imóvel ou mesmo um automóvel, por exemplo.

Em uma empresa, tanto o valor residual quanto a vida útil de um ativo são revisados ao final de cada exercício.

Valor residual e a depreciação

A depreciação é o cálculo de perda de valor do bem ano a ano. Porém, há uma regra para que este cálculo seja realizado.

Há uma tabela, elaborada e disponibilizada pela Receita Federal, que estipula qual será o percentual de depreciação do ativo em questão ao longo do tempo.

A partir disso, é possível saber qual a duração presumida para este bem.

Ao final desta vida útil, se o bem ainda estiver em condições de uso ou não, será preciso calcular o valor pelo qual ele ainda poderia ser comercializado.

Um edifício, por exemplo, tem uma depreciação anual de 4%, com vida útil estimada em 25 anos.

Isso do ponto de vista contábil e geralmente utilizado para fins fiscais.

Contabilidade para Investidores

Porém, a maioria dos prédios continua em condições de uso após este período, não perdendo, assim, seu valor completamente.

Neste momento, surge a necessidade de aplicar um teste de recuperabilidade (ou teste de Impairment) sobre este bem.

O intuito é descobrir qual é o seu real valor no mercado, mesmo após o fim da vida útil estimada.

Como contabilizar esse valor?

Quando o tema é Contabilidade, é comum que haja fórmulas específicas para chegar a um determinado resultado.

O cálculo do valor residual é feito da seguinte forma:

  • VR = Valor inicial – (depreciação x tempo de utilização).

Vamos a um exemplo de cálculo desse valor, considerando o edifício mencionado anteriormente.

Digamos que ele foi adquirido por R$ 1 milhão. Se a sua depreciação é de 4% ao ano, o valor anual a ser depreciado é de R$ 40 mil.

E, como visto anteriormente, sua duração estimada é de 25 anos.

Entretanto, ele só foi utilizado por 17 anos.

Logo, a conta será:

  • VR = 1.000.000 – (40.000 x 17)
  • VR = 1.000.000 – 680.000
  • VR = R$ 320.000

É importante lembrar que, quanto menor for o valor residual do bem, menor será o imposto cobrado por ele.

Por isso tantos automóveis antigos gozam de isenção do Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA), por exemplo.

E o seguro destes bens costuma ser menor também, uma vez que o valor a restituir em caso de sinistro será menor.

Valuation e precificação de ativos

Valor residual de um investimento

Quando o assunto é investimentos, também há um valor residual a ser calculado. Porém, aqui este conceito tem uma aplicação um pouco diferente.

O valor residual de um investimento é o valor pelo qual o investimento pode ser revendido ao final de sua vida útil.

Em geral, este cálculo é utilizado para ações. O valor obtido será considerado como uma receita ao investidor. Este é mais difícil de prever, por causa das oscilações que determinadas ações podem sofrer.

Para ajudar os interessados a fazerem esta análise, a Suno Research oferece um ebook sobre como analisar uma ação.

O que facilita a compreensão do valor residual aos investidores e interessados no tema.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

6 comentários

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  • Ana Lara 1 de dezembro de 2019

    Muito bom artigo, fácil leitura, e muito bem estruturado. Mas no exemplo do valor residual… o resultado é 320.000,00 e não 680.000,00 como foi informado no exemplo.

    Responder
    • Suno Research 3 de dezembro de 2019

      Muito bem observado, faltou uma etapa da conta, já corrigimos.
      Abraço.

      Responder
  • Ederaldo Lima 7 de dezembro de 2019

    Olá,

    Na verdade um tema que ainda carece de estudo é a questão do limite do valor residual, tenho estudado e não encontrei nada que trate sobre o limite do valor residual.

    Tenho adotado o limite de 20% do bem para tratar como valor residual para abater antes da depreciação?

    Encontrei este material abaixo e lhes envio:
    19.5.4.5. Quando o valor residual de um ativo for igual ou superior ao valor contábil do ativo, o encargo de depreciação, amortização ou exaustão é zero até que o seu valor residual subseqüente diminua para uma quantia abaixo do valor contábil do ativo. – Resolução do CFC.

    O que vocês me dizer, podem me ajudar neste entendimento?

    Responder
    • Suno Research 9 de dezembro de 2019

      Eu lembro que o valor residual não pode ultrapassar o valor contábil, mais a fundo que isso, seria necessário passar um tempo pesquisando.

      Responder
  • Elizabeth 24 de março de 2020

    Como eu calculo o valor de um bem para a
    doação quando já está totalmente depreciado?
    E quando falta muito pouco para depreciar, considerando
    que pagaremos tributos sobre esta doação?

    Responder
  • […] final de cada exercício, pelo menos, tanto o valor residual (valor estimado ao final da sua vida útil econômica), quanto a vida útil de um ativo (tempo que […]

    Responder
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