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Em um relatório recente disponível aos assinantes da Suno Research explicamos a metodologia de Charles Carlson, um renomado gestor que desenvolveu uma filosofia de investimentos baseada no reinvestimento dos dividendos obtidos através da aquisição de empresas que pagam dividendos regulares.

A fórmula básica de Carlson baseia-se em duas premissas para escolha das empresas a serem investidas:

  • Uma empresa não pode pagar dividendos se não tiver o dinheiro para fazê-lo; e
  • Você deve escolher ações com base em seu potencial de retorno total, e não apenas no dividend yield.

Por essa razão, Carlson tende a ver empresas maiores, mais estabelecidas e maduras pagando dividendos seguros.

Ele diz que normalmente elas são as maiores em seus mercados e mais estáveis.

Alguns assinantes nos questionaram sobre o investimento em companhias da bolsa conhecidas por “Small Caps”, ou seja, empresas de menor porte comparada a outras opções da bolsa.

Neste artigo vamos abordar o principal risco do investimento em Small Caps, que é o pouco volume transacionado, conhecido como o risco da baixa liquidez.

E também mostrar que onde há risco também há oportunidades.

Afinal, o próprio Carlson orienta a “encontrar ações com potencial de valorização acima da média e dividendos seguros e crescentes e comprá-las a preços atraentes”.

Risco de Liquidez das Small Caps

Talvez o investidor pessoa física não tenha a real compreensão de quem são os compradores e vendedores de ações no mercado financeiro.

Atualmente o mercado financeiro possui movimentação financeira distribuída desta maneira:

investidores small caps

Portanto os fundos de investimentos estrangeiros e nacionais possuem maior participação relevante nesta “pizza”.

Sim. Investidores como você ou Luiz Barsi são minoria. Mas e daí? Ser investidor pessoa física tem suas vantagens, e abordaremos isto a seguir.

O primeiro ponto de atenção às Small Caps é que a cobertura por parte dos analistas sell side, os analistas dos grandes bancos que recomendam ações, são usualmente menores ou inexistentes.

Bancos de investimentos com estrutura de análise de ações tem como clientes os fundos institucionais, nacionais e estrangeiros.

Fundos institucionais utilizam teorias modernas de carteiras de ações, aquelas que diminuem seus riscos e maximizam seus retornos para um determinado nível de risco.

Tais teorias costumam afastar o investidor institucional daquelas ações que apresentam riscos de baixa liquidez.

O motivo é simples.

Imagine um fundo de investimento em ações com R$1 bilhão de patrimônio.

5% de R$1bi são R$50 milhões. Consideramos 5% uma participação minoritária dentro uma carteira de ações.

Onde encontrar uma ação com movimentação financeira suficiente para montar e se desfazer da posição em dias?

Certamente será mais fácil investir em empresas médias ou grandes – “mid caps” e “blue chips” – para mitigar o risco de baixa liquidez.

Portanto Small Caps tendem a ser pouco acompanhadas tanto pelos analistas sell side como pelos fundos de investimentos.

Ao ter menor procura e menos investidores de peso precificando tais ações, elas tendem a transacionar com um desconto relativo em relação a pares “mid caps” e “blue chips”. Isto é um fato.

Fundos Institucionais negligenciam Small Caps?

Não. Absolutamente não.

Fundos institucionais possuem gestores e analistas atentos a oportunidades em Small Caps. Eles apenas esperam momentos propícios para seus investimentos.

Pela regra da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, toda vez que atingem 5% do total de ações da companhia, as empresas dão publicidade a qual fundo atingiu a participação acionária. E qualquer movimentação adicional de 2% por este investidor também deve ser informada.

Portanto um fundo de investimento que quiser possuir uma participação relevante de uma small cap não o poderá fazer de maneira silenciosa. Grandes movimentações resultam em divulgações públicas ao mercado.

O investidor pode se perguntar então por que um fundo institucional assume o risco de baixa liquidez ao investir em uma small cap?

Porque Small Caps também podem ser empresas estáveis, com bom potencial de ganhos de capital e dividendos. E small caps com boas perspectivas se transformam em mid caps, e depois em blue chips.

O Caso WEG

A WEG (WEGE3) é uma empresa brasileira que produz equipamentos e soluções ao mercado de energia e eficiência energética. Ao longo do tempo se transformou de uma small cap para um blue chip.

Os fatores de seu sucesso são observados no respeito a sua missão, visão e valores:

  • Crescimento contínuo e sustentável, mantendo a simplicidade.
  • Ser referência global em máquinas elétricas, com ampla linha de produtos, provendo soluções eficientes e completas.
  • Crescimento contínuo e sustentável, mantendo a simplicidade.

Missão e Valores iguais não é uma coincidência. Foi e é um compromisso da companhia. Este foi o resultado das suas receitas e margens operacionais ao longo dos anos.

resultados weg

Estas são suas aspirações futuras:

estratégia weg

No caso da liquidez (volume financeiro transacionado) e valor de mercado este foi o resultado nos últimos anos.

weg desempenho

A volatilidade de uma Small Cap

O que observamos em Small Caps de qualidade é que a entrada e saída de fundos de investimentos podem criar situações de volatilidade excessiva para o pequeno investidor. Podem deixar as ações caras por um longo período, mas também podem criar situações perfeitas de entrada nos papéis.

Assim como situações de estresse do mercado financeiro.

Ao longo de 2010, o renomado Fundo Verde do gestor Luis Stuhlberger adquiriu participação de mais de 5% das ações da varejista Grazziontin (CGRA3).

Small Cap de perfil espartano, com sede em Passo Fundo-RS e familiar, a aquisição de participação relevante gerou grande volatilidade nos papéis da companhia. Tanto na entrada, como na redução da participação do fundo.

O fato interessante é que a época da redução na participação, já em 2013, o Fundo Verde possuía mais de R$3 bilhões sob gestão. Qualquer movimentação do fundo na sua participação, apesar de insignificante do ponto de vista percentual do fundo, causaria grandes volatilidades nas ações.

Assim como a debandada dos investidores estrangeiros da bolsa ao final de 2015 e início de 2016.

grazziotini

Empresa de perfil defensivo, a Grazziotin teve a competência de melhorar seus resultados ao longo do desafiador 2016.

O Investidor que acompanhou a queda acentuada das ações no início de 2016 e conseguiu se posicionar neste momento de estresse, adquiriu ações de uma empresa estável e com lucro recorrente a um preço extremamente recompensador.

Não à toa o megainvestidor Luiz Barsi disse que “Dilma merecia um beijo na boca”. Momentos de volatilidade, seja sistêmica ou por entrada e saída de um fundo em uma posição acionária, são excelentes oportunidades para o investidor pessoa física.

Investir em Small Caps pode ser um bom negócio

Independentemente do tamanho da empresa, a regra básica que recomendamos é avaliar a capacidade da companhia em gerar lucros estáveis e recorrentes e a capacidade de crescer sem necessidade de grandes investimentos e com melhorias operacionais.

Ao observar tais preceitos, o investidor já mitigará os riscos de se investir em “micos” da bolsa.

Ao investir em Small Caps recomendamos atenção com relação à má precificação decorrente da ausência ou presença de investidores de “peso” – os fundos institucionais nacionais e estrangeiros.

Avaliar sempre como está a “cobertura de analistas” pode antecipar movimentos do fluxo de investidores institucionais. Uma vez feita a cobertura de um banco de investimento, aquela empresa poderá ser alvo de uma recomendação de compra por parte do analista sell side.

Por fim, a baixa liquidez dos papéis pode criar oportunidades incríveis de aquisição de empresas sólidas e com lucros recorrentes. Esteja atento a tais movimentos. Em um dos nossos artigos relatamos como o megainvestidor Luiz Barsi se comporta no quesito paciência, muito valido para as volatilidades inerentes às small caps.

“Ele não tem pressa. Se as condições de mercado não são favoráveis para comprar ações ele espera pacientemente.

Ele usa uma analogia interessante: fala que se comporta como um jacaré com a boca aberta esperando o passarinho vir pousar na boca dele.

Exatamente assim que o Barsi investe, deixa as ordens de compra em um preço bem baixo, e fica esperando alguma crise que gere uma pressão vendedora ir atrás da sua ordem de compra.

O Brasil é um pais rico em crises, então não demora muito para suas ordens serem executadas nas mínimas e sua paciência ser recompensada. ”

Bons investimentos!


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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.
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