Por: Tiago Reis

Vale a pena investir em um IPO? (Parte 1)

Frequentemente investidores com pouca experiência no mercado financeiro se sentem atraídos por investir em IPO’s, visando a possibilidade de lucros rápidos.

Por mais que exista a possibilidade de que isso aconteça em alguns raros casos, é muito provável que as ações não tenham o rendimento esperado no longo prazo.

Warren Buffett, Investidor de Valor que dispensa apresentações, fez o seguinte comentário em um encontro anual da Berkshire Hathaway: “você não precisa se preocupar com o que ocorre nos IPO’s, as pessoas ganham na loteria todos os dias, mas isso não é motivo para você mudar a sua estratégia de investimentos de forma alguma”, caracterizando o investimento em IPO como se fosse um jogo de azar, apostar na loteria.

O que é IPO?

O Initial Public Offering (IPO) é quando uma empresa emite ações para o público pela primeira vez. Isto é, uma empresa antes de um IPO é caracterizada como uma empresa fechada, com um número limitado de acionistas, contudo, uma vez que ela abre as vendas de suas ações ao público, ela passa a ser negociada na Bolsa de Valores, de forma que qualquer um que tiver o interesse pode investir na empresa.

Existem dois tipos de ofertas públicas de ações, a primária e a secundária.

A primária ocorre quando a emissão de novas ações é realizada e o recurso captado é destinado à própria empresa emissora das ações. Geralmente esse recurso será utilizado para fazer investimentos ou aquisições.

A secundária, por sua vez, é quando são ofertadas ações já existentes, de forma que os recursos são destinados para os acionistas vendedores e não para a empresa. No ponto de vista da empresa, a abertura de capital ao público possui vantagens e desvantagens

Vantagens:

  • O IPO aparece como uma maneira para levantar o capital necessário para financiar um rápido crescimento, expansão e desenvolvimento de novos projetos.
  • Maior visibilidade, projeção e exposição ao público, que levam a um aumento do reconhecimento e prestígio da empresa, o que pode facilitar as vendas e aumentar o lucro da mesma.
  • A oportunidade de atrair melhores profissionais, podendo variar na remuneração destes, com a possibilidade de retorno na abertura de capital ou com ações.
  • Além disso, empresas listadas geralmente possuem uma melhor reputação junto aos bancos, o que lhes permite captar dívidas com taxas de juros mais acessíveis.

Desvantagens:

  • A empresa é obrigada a divulgar as informações sobre o negócio ao público, como as financeiras, contábeis e tributárias, o que demanda empenho, tempo e dinheiro.
  • O IPO é um processo caro que necessita do auxílio de alguma instituição financeira, como bancos de investimento, para ser realizado.
  • Durante o processo de IPO, os acionistas são diluídos, o que pode acarretar na perda do controle da empresa.

Casos de Sucesso e Fracasso em IPOs

Se analisarmos o desempenho de IPOs ao redor do mundo podemos observar tanto casos de sucesso, assim como de fracassos.

No livro “Beyond Greed and Fear“, o autor Hersh Shefrin cita a Microsoft como a empresa cujo sucesso motiva muitos investidores a procurarem por um novo IPO que obtenha semelhante sucesso.

O autor, para retratar o outro lado, escolhe um caso que representa rigorosamente um IPO que desempenhou muito mal que é o caso da Boston Chicken, onde a empresa teve uma valorização enorme do seu preço nos primeiros anos pós abertura de capital, no entanto mais dramática ainda foi sua desvalorização no longo prazo.

Trazendo essa análise para o cenário brasileiro podemos citar alguns exemplos claros de sucesso, como o da Localiza (RENT3), e de fracasso, como o da OGX (OGXP3).

A Localiza, empresa brasileira especializada no aluguel e gestão de carros e seminovos, realizou o IPO em 2005 com um valor de mercado de U$295 milhões.

Em 2011 foi avaliada como investment grade pela Moody’s e pela Fitch e no ano seguinte pela S&P. Atingiu um valor de mercado de R$9,7 bilhões em 2017 com um volume médio negociado de aproximadamente R$63 milhões por dia.

Esse foi um caso, portanto, de uma empresa que fez IPO e teve um bom rendimento a longo prazo e continuou a expandir as suas operações, e a OGX, por sua vez, é uma empresa brasileira que faz parte do grupo EBX e produz petróleo e gás natural, que realizou o IPO em junho de 2008 com um valor de mercado de R$35,7 bilhões onde levantaram um valor de R$6,1 bilhões.

Conseguiu aumentar seu valor de mercado no curto prazo, chegando a valer aproximadamente R$75 bilhões no final de 2010, no entanto não conseguiu se sustentar nos anos seguintes.

Hoje em dia, após grande queda de seu valor a OGX tem um valor de mercado de R$ 52 milhões, sendo assim um caso cujo rendimento pós IPO foi positivo no curto prazo, mas em relação ao longo prazo teve uma performance desastrosa.

Mais recentemente tivemos outros exemplos, tanto positivos, quanto negativos, como o da resseguradora IRB Brasil Re, que desde que abriu seu capital em 2017, mais do que triplicou seu valor de mercado, e foi um excelente negócio.

Por outro lado, outros IPO’s, como Biotoscana e Camil, por exemplo, não se mostraram bons negócios até o momento.

(Continua…)

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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