Por: Tiago Reis

Um pouco sobre o Círculo de Competência

Fazer dinheiro no mercado financeiro é desafiador, mesmo quando você tem um profundo entendimento do que está fazendo. Mesmo analistas profissionais podem se ver, eventualmente, em dificuldades de separar os vencedores dos perdedores.

Com a proliferação dos Exchange Traded Funds (ETFs), diferentes partes do mercado se tornaram mais acessíveis do que nunca. Mas, só por termos a possibilidade de negociar commodities, câmbio, volatilidade, ações, dentre outros, não significa que devemos, de fato, negociá-los.

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Ficar percorrendo caminhos fora do nosso círculo de competência pode resultar em uma jornada cara.

Não é à toa que não vemos médicos defendendo réus, nem contadores construindo prédios: eles conhecem seus círculos de competência. De modo análogo, é dever de cada indivíduo, como investidor, definir seu próprio círculo de competência e nele se manter.

Warren Buffett é o melhor exemplo de um investidor que conhece intimamente as limitações de suas competências. À medida que a bolha da Internet inflava, ao final dos anos 1990, ele foi se tornando um dos poucos grandes investidores que resistiu à euforia.

Buffett não sabia nada sobre semicondutores, e muito menos sobre a Internet, porém, o ponto mais importante sobre isso era que ele não tinha medo de admitir seu círculo de competência.

Enquanto as ações de sua empresa – a Berkshire Hathaway – amargavam uma queda de quase metade de seu preço, Buffett se mantinha firme em relação ao seu racional.

Ele nunca deixou de investir em companhias que faziam negócios em áreas que ele entendia. Mas, ao mesmo tempo, sempre buscou ao máximo evitar investir em empresas cujo business não conseguia entender.

Em julho de 1999, enquanto estava na Sun Valley Conference, em Idaho, Buffett subiu ao palco e deu um banho de água fria no cenário de investimentos do momento. O mais interessante desta fala de Buffett não foi o fato de que ele estava falando publicamente de um assunto que ele não costumava tratar, mas sim, quem era sua plateia.

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Sentados na audiência estavam Bill Gates (Microsoft), Andy Grove (indústria de semicondutores), além de outros indivíduos recém-milionários graças às empresas de tecnologia. Para eles, a fala de Buffett talvez soara como a fala de um senhor idoso que não estava conseguindo se adaptar aos novos tempos.

Naquele momento, a Berkshire acumulava uma queda de 12% nos 12 meses anteriores, enquanto o NASDAQ 100 – um índice que era fortemente composto por ações de tecnologia – havia crescido 74% no mesmo período.

O final da década de 1990 foi um período difícil para os investidores em valor. A bolha da Internet mudou temporariamente a maneira como os negócios eram avaliados.

Por exemplo, a eToys – uma companhia que buscava comercializar brinquedos pela internet – viu suas ações valorizarem 325% no dia do seu IPO.

Enquanto isso, na mesma época, a Toys”R”Us – uma varejista de brinquedos consolidada na época – apresentava uma receita 150 vezes maior, com lucros, enquanto a eToys apresentava prejuízos. Ainda assim, a eToys chegou a ser avaliada em US$ 7,7 bilhões, enquanto a Toys”R”Us estava precificada em US$ 5,7 bilhões.

Neste cenário, as ações de empresas como Coca-Cola, Gillette e The Washington Post – que eram investimentos da Berkshire – foram deixadas de lado à medida que os investidores migravam das ações de valor para ações de crescimento.

Das máximas, em junho de 1998, às mínimas, em março de 2000, a Berkshire viu uma queda de 45% em seu preço. Mesmo assim, Buffett manteve seu racional, mantendo-se em seu círculo de competência, sem sucumbir às ações de tecnologia. E valeu a pena: a Berkshire se recuperou, ao passo que grande parte das empresas da bolha não sobreviveu.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

2 comentários

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  • Jobson 28 de novembro de 2019

    Olá! Tenho 30 anos e nunca me interessei por empresas. A única que conheço a fundo é a Americans.com a qual mantenho relacionamento no e-commerce desde adolescente, quando comprava livros no site. Gosto muito de Futebol tbm, pesquiso desde Copa de 1958 até torneios modernos, sou amante da pesquisa histórica. Amo geopolítica mas viajo pouco. So nunca me interessei pelo Mundo do dinheiro. Traçado esse perfil, de alguém totalmente disconexo com o empreendedorismo e atividade empresarial, que manja nada de contabilidade, que setor ou empresas voces orientam eu estudar pra começar comprar minhas ações?

    Responder
    • Suno Research 28 de novembro de 2019

      Não podemos recomendar empresas aqui, e no setor esportivo não há muitas empresas de relevância aqui no Brasil.
      Sinceramente, eu pensaria em assinar uma carteira básica da Suno e ir lendo os relatórios de todas as empresas disponíveis lá, mesmo as sem recomendação de compra. Muitas vezes existe uma diferença significativa entre gostar do produto (embora isso também seja importante) e entender o business model da empresa, a segunda opção é o que proporciona a um investidor poder realmente considerar algo como estando dentro do seu círculo de competência.

      Responder
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