Por: Jean Tosetto

Tipos de remunerações: é importante diversificar

Que a diversificação em ativos que geram renda é fundamental, todo investidor sensato já sabe. O que talvez poucos atentem é para o fato de que, se um trabalho ocupa grande parte da nossa vida, ele não pode nos entregar apenas recursos monetários. Nós queremos mais.

Por Jean Tosetto

Vivemos numa sociedade onde se precifica tudo, mas nem tudo recebe o seu devido valor. Durante décadas as donas de casa, por exemplo, trabalhavam tão ou mais que seus maridos empregados, mas como elas não recebiam qualquer tipo de salário, as pessoas davam mais importância ao patriarca da família, que trazia o salário para dentro do lar, por menor que ele fosse.

Com a revolução dos costumes e da tecnologia, principalmente após o fim da Segunda Guerra Mundial, as mulheres ocuparam seu espaço no mercado de trabalho, aumentando a renda da família, embora as diferenças salariais entre homens e mulheres seguem alarmantes em todos os continentes, inclusive nos países mais desenvolvidos.

Isso ocorre, pois ainda não nos libertamos das amarras que nos são impostas, em termos de obrigação moral de cursar uma faculdade para buscar um emprego que ofereça um salário melhor. O cerne da questão continua sendo este: trabalho bom é aquele que paga bem – o resto parece não importar.

Mas o resto importa, e muito. Para começar, o dinheiro não é a única forma de alguém ser remunerado por um trabalho. É preciso compreender e assimilar que existem diversas formas de remuneração para um trabalho: podemos trabalhar para aprender, para nos sentir útil perante a sociedade, para ter a satisfação de ajudar os outros, para sentir prazer numa atividade e até para ganhar o reconhecimento – algo que pode escorregar para o desejo de ganhar fama e notoriedade.

Dinheiro é tudo?

Quem pensa apenas no dinheiro na hora de buscar uma ocupação, pode cair em algumas armadilhas. Uma delas é trabalhar num local insalubre, ao lado de pessoas que agregam pouco valor. Outra armadilha é ficar num estágio de estagnação, sem perspectivas de evolução – nestes casos, no longo prazo, o único segmento previsto no gráfico da carreira é a decadência.

O dinheiro é importante? Com certeza. Mas não pode ser o único fator a se considerar numa escolha profissional.

Por isso, ser remunerado com perspectivas de evolução, conhecimento e aprendizado, pode ser tão ou mais importante do que pensar apenas no retorno financeiro. E aqui não estamos simplesmente tratando de planos de carreira, onde algumas empresas prometem promoções por metas atingidas. Estamos nos referindo ao crescimento pessoal – algo que se conquista, entre outros fatores, por estar em contato frequente com pessoas igualmente prósperas neste sentido.

Há quem troque uma renda excelente por uma renda apenas razoável só para poder trabalhar com os melhores profissionais num determinado campo de atuação. Neste caso, muitas vezes acontece com o profissional o que ocorre com ótimas empresas de capital aberto, cujas ações estão com as cotações descontadas: uma hora o preço acompanha o valor e todos saem ganhando.

Utilidade pública

Porém, aprender praticando um ofício, recebendo uma renda justa, pode não ser suficiente, se não houver aquele sentimento de ser útil em sua comunidade. Existe uma satisfação em saber que o seu trabalho tem importância numa cadeia produtiva ou de sustentabilidade.

Um lixeiro, por exemplo, pode não ter um salário alto e sua rotina pode não ser desafiadora intelectualmente, mas é obrigação da sociedade reconhecer a importância de sua função. Se os lixeiros não trabalharem, de pouco adiantará o CEO da multinacional vestir seu terno e gravata logo cedo, se ele não puder sair de casa, pois há uma montanha de lixo no portão da garagem.

Por outro lado, um lixeiro não pode se contentar em apenas ter a importância de seu trabalho reconhecido. E então vemos alguns lixeiros evoluindo para recicladores de materiais e depois alguns deles se tornam empresários ou cooperados do ramo da reciclagem.

Por vezes, ser útil na sociedade se confunde com o prazer de ajudar o próximo. Os professores abdicados são os que melhor podem testemunhar isso. Poucas profissões são tão importantes e neste caso há o envolvimento direto com as pessoas que mais se beneficiam deste trabalho: os estudantes. Quando um professor serve ao próximo, geralmente o seu próximo é seu aluno. É difícil mensurar o efeito multiplicador de bons professores. Logicamente falta para a maioria deles uma remuneração monetária mais digna.

Fama é tudo?

Existem professores, que mesmo ganhando pouco, ficam anos dando aula. Há um componente de prazer pessoal neste ato. É o mesmo tipo de prazer que faz um artista se dedicar por décadas ao seu ofício, mesmo que o reconhecimento e a fama não venham.

Aqui temos um tipo de remuneração tão perigoso quanto o dinheiro, quando desejado de forma isolada. Se há quem sonhe em ficar rico, há também aqueles que querem apenas ser famosos, sendo movidos pela vaidade. Muitas carreiras naufragam por causa deste componente, quando alguém busca ser notório a qualquer custo.

Em linhas gerais, dinheiro e reconhecimento são consequências lógicas de trabalhos ou empreendimentos bem desenvolvidos, aprimorados e úteis para a sociedade – eles não são os objetivos em si mesmos. Quanto mais o seu trabalho impacta positivamente um número crescente de pessoas, maior o seu potencial de renda monetária e reconhecimento público. Mas geralmente isso leva tempo para acontecer.

Suporte para escolher

São os diversos tipos de remuneração para um trabalho que permitem que as pessoas sejam felizes fazendo trabalho voluntário, por exemplo. E aqui entra o componente da independência financeira. Para que alguém desenvolva um trabalho voluntário de impacto social, é preciso que suas próprias necessidades sejam atendidas. De que forma isto é possível? Pode ser através de patrocinadores, tutores ou mecenas. E por que não através do mercado financeiro?

Essa é uma das importâncias de investir em renda variável para obter renda passiva através do mercado de capitais desde cedo.

A independência financeira permite que um sujeito se liberte de fazer um trabalho que não lhe dê prazer, apenas dinheiro. A renda passiva igualmente permite ao seu portador desenvolver um trabalho voluntário ou uma atividade que lhe complete como ser humano. Alguns investidores revelam-se poetas, músicos e pintores após a meia-idade.

Mudanças de rumos

E muito antes da meia-idade ou terceira idade chegar, a renda passiva obtida através de ações de empresas que pagam dividendos, ou cotas de fundos imobiliários que entregam rendimentos mensais, por exemplo, podem financiar mudanças de rumo numa carreira que ainda está no começo.

É comum que jovens com seus 30 e poucos anos queiram experimentar outro tipo de atividade. São pessoas que já construíram uma base salarial boa, mas que sentem falta de maiores desafios. É a renda complementar oriunda do mercado financeiro que permite que muitos desses jovens se banquem por algum tempo antes que suas novas atividades – muitas vezes empreendedoras – comecem a render frutos.

Não existe receita para alguém encontrar sua ocupação ideal. Isso varia de idade para idade, de lugar para lugar e de cultura para cultura. Há momentos em que a renda monetária deve ser priorizada e há momentos em que aprender com um ofício é o fator principal, e assim por diante. Tudo é uma questão de leitura do momento e a inteligência de cada um está relacionada com a correta interpretação dos dados que se apresentam no cenário.

Independente disso, investir é fundamental. É isso que permite a alguém, no longo prazo, ter maiores opções para fazer escolhas. A liberdade financeira pode ser compreendida dessa forma: como a liberdade para fazer escolhas, inclusive escolher não trabalhar.

Estudar para investir

Sobre suas escolhas pessoais e profissionais, não podemos interferir, mas se o objetivo é investir para obter renda passiva, então podemos recomendar três livros.

Para começar, “101 Perguntas e Respostas para Investidores Iniciantes” – talvez o melhor livro que alguém totalmente leigo em Bolsa possa ler antes de ingressar no ambiente da renda variável.

No “Guia Suno Dividendos” apresentamos uma estratégia segura e confiável para obter resultados consistentes no longo prazo. Trata-se de uma obra que entrega conhecimento condensado em cada página.

Por fim, o “Guia Suno Fundos Imobiliários” pega na mão do novato em Bolsa e o leva para um patamar seguro de renda passiva através de grandes empreendimentos da construção civil e do apoio financeiro para os mesmos.

Se você conseguir poupar seu dinheiro todo mês, mesmo ganhando abaixo do que julga merecido, então já deu um grande passo para ampliar seu leque de opções. Para tanto, conte também com a ajuda da Suno Research. Faça uma assinatura hoje mesmo.

[Crédito da imagem: “Pessoas trabalhando num escritório de artes gráficas” (1961), fotografia de domínio público e de autor desconhecido, pertencente ao acervo do Governo Federal dos EUA.]

Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.

1 comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Alexandra 19 de junho de 2019

    Boa matéria ! Ótimas indicações para quem está começando !

    Responder
Leia Mais...
Outras Seções

Ações

194 artigos
Ações

FIIs

49 artigos
FIIs

eBook Gratuito

Manual do Investidor

Tudo o que você precisa para dar os primeiros passos na Bolsa de Valores

Suno Black

Dias
Horas
Minutos
Segundos

Aproveite os últimos dias para se tornar Suno Black e ter acesso a todas as nossas assinaturas em 1 único plano!

Suno Black

tudo.

Dias
Horas
Minutos
Segundos

Aproveite os últimos dias para garantir a sua assinatura Suno Black e ter acesso a todo o conteúdo exclusivo Suno, com somente 1 assinatura!

%d blogueiros gostam disto: