tesouro IPCA

Você por acaso investe no Tesouro IPCA? Esta é uma aplicação que pode fazer sentido para aqueles que desejam explorar as altas taxas de juros no nosso país.

Anteriormente chamado de NTN-B Principal, o Tesouro IPCA é uma variante de um título público. Normalmente, esses tipos de títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar as atividades do governo central, contraindo, assim, uma dívida pública.

O Tesouro IPCA é um título público cuja remuneração oferecida ao investidor é baseada na evolução do índice de inflação IPCA, acrescido de um prêmio pré-fixado, também chamado de juro real.

Logo, através deste título o investidor “empresta” dinheiro para o governo de modo que este o remunere, posteriormente, de acordo, neste caso, com uma variação acima da inflação.

  • O que é
  • Como investir
  • Porque investir
  • Riscos
  • Conclusão

O que é o Tesouro IPCA

Antes de nos aprofundarmos neste ativo propriamente dito, é necessário que se entenda o que é o IPCA.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é um levantamento que normalmente é realizado pelo IBGE levando-se em conta uma cesta ponderada com os principais gastos familiares (alimentação, transporte, habitação, saúde, educação, etc.).

Normalmente, este estudo é feito em regiões metropolitanas das capitais do país.

Existe uma grande contradição no mercado, isto por que muitas pessoas consideram a inflação oficial como sendo o IGPM pelo fato desse índice ser mais usado nos contratos de aluguel.

Entretanto, o índice oficial de inflação é o IPCA, que é calculado pelo IBGE, enquanto que o IGPM é levantado pela FGV – Fundação Getúlio Vargas.

Características do título

Feitos os devidos esclarecimentos a respeito da definição do IPCA, é hora de entender melhor as características do título que leva este índice no nome.

Basicamente, este título possui três características:

  • Rentabilidade real
  • Pagamento ou não de cupons
  • Várias opções de vencimentos

1ª Característica: Rentabilidade real

O maior atrativo deste título para o investidor é o fato de ele oferecer uma rentabilidade acima da inflação.

Com isso, é possível dizer que esse tipo de aplicação apresenta uma rentabilidade real.

Isso significa que a remuneração daquele título é dada pelo IPCA adicionado a uma taxa de juros determinada no momento da compra.

Há de se salientar, também, que algumas vezes o símbolo de adição (+) é comumente visto em descrições deste ativo. Dessa forma, a rentabilidade é expressa da seguinte forma:

  • IPCA + 5%
  • IPCA + 6,54%
  • IPCA + 4,67%

Dessa forma, perceba que este ativo é considerado um título prefixado em termos reais, ou misto, em termos nominais (pois possui uma parcela da remuneração desconhecida, o IPCA).

2ª Característica: Pagamento ou não de cupons

Existem dois títulos diferentes relacionados ao IPCA.

Um deles paga juros semestrais e o outro não.

Em ambos os casos, o valor investido é corrigido pela rentabilidade combinada caso o investidor permaneça com o título até o vencimento.

Mas, no primeiro caso, o título não paga juros antes do vencimento, também chamados de cupons.

Já no segundo caso, o título remunera o investidor com um pagamento regular de juros na sua conta da corretora.

Estes juros também são corrigidos pela inflação e, portanto, se tratam de uma renda passiva distribuída ao investidor.

Se você quiser conhecer outras aplicações que podem lhe dar renda passiva, não deixe de conferir as carteiras recomendadas e os relatórios sobre investimentos da Suno!

3ª Característica: Várias opções de vencimentos

Os títulos indexados ao IPCA costumam possuir vencimentos variáveis, de alguns anos até algumas décadas.

Por exemplo, no dia 4 de Julho de 2018, era possível encontrar títulos com vencimentos desde 2020 até 2050.

Dessa forma, é importante escolher aquele vencimento mais de acordo com os objetivos do investidor.

Valor nominal atualizado

Para entender como funciona a dinâmica do Tesouro IPCA+, é preciso entender o que é o Valor Nominal Atualizado (VNA).

O VNA é um valor de referência que foi estabelecido em R$ 1.000 em 15/07/2000. Desde então, este valor vem sendo corrigido mensalmente pela variação do IPCA.

No vencimento do título, o investidor irá receber o VNA corrigido até aquela data.

Entretanto, como foi visto, a rentabilidade do título deve ser maior do que apenas a correção pela inflação.

E agora?

O que acontece é que o título é sempre adquirido com desconto em relação ao VNA (deságio). Dessa forma, a rentabilidade do investidor é maior do que o IPCA quando o título é carregado até o vencimento.

Pagamento de juros

Já no caso dos títulos que pagam juros semestrais, a dinâmica funciona diferente.

Estes papéis pagam o equivalente a 2,9563% do VNA a cada seis meses. Portanto, os juros pagos são apenas corrigidos pela inflação.

Tributação

Os rendimentos gerados pelo Tesouro IPCA+ são tributados. Tanto o ganho de capital na venda dos títulos quanto os juros semestrais pagos.

As alíquotas de imposto de renda (IR) seguem a tabela de renda fixa abaixo:

tabela ir

tabela IR

E para resgates em menos de 30 dias, também ocorre a cobrança do IOF.

Um aspecto importante da tributação pelo IR é que este tributo incide sobre todo o lucro da operação, e não apenas sobre o rendimento real acima da inflação.

Por exemplo:

Imagine que você tenha investido R$ 1.000 em um título do Tesouro IPCA+ pagando IPCA + 6,5%, com vencimento para dois anos.

Neste caso, suponha que a inflação para estes próximos dois anos seja de 5,8%.

Dessa forma, a rentabilidade total por ano é de (1+5,8%)*(1+6,5%) – 1 = 12,68%.

Assim, ao final dos dois anos, esse título teria acumulado o valor bruto de R$ 1.270.

Como o investidor permaneceu dois anos com esta aplicação, a alíquota de IR é de 15%.

Portanto, o imposto a pagar é de 15% X R$ 270, ou R$ 40,50.
Dessa forma, o lucro líquido é de R$ 229,50, o que dá uma rentabilidade real de 4,8%, ou seja, uma “mordida” de mais de 26% na rentabilidade real contratada.

Outros custos

Além dos tributos pagos sobre os rendimentos gerados pelo título, existem outras duas despesas que podem ser cobradas do investidor.

A primeira delas é a taxa do agente de custódia. Essa é uma taxa devida à corretora.

Entretanto, a cobrança dessa tarifa vem caindo em desuso e por isso, a maioria das corretoras já isenta o investidor.

Confira aqui se a sua corretora não cobra esta taxa.

Existe ainda outra taxa de 0,3% ao ano, obrigatória, paga à B³, a bolsa Brasileira.

Portanto, no exemplo anterior, a rentabilidade do investidor seria na prática menor ainda.

Como investir no Tesouro IPCA +

Atualmente é muito simples se fazer uma aplicação neste ativo.

Pela internet, e através do sistema do Tesouro Direto, é possível que o investidor realize compras e resgates destes títulos de maneira bem versátil e segura.

Para ter acesso ao Tesouro Direto, basta abrir conta em uma corretora de valores.

Além disso, algumas peculiaridades tornam a aplicação neste título bastante prática.

Como por exemplo, a compra programada, que permite que o investidor possa agendar apenas uma compra – caso esteja viajando – ou compras periódicas – caso tenha o hábito de separar uma parcela mensal para investir.

Além disso, é possível que se faça o reinvestimento automático, ou seja, neste tipo de aplicação o investidor pode, ao término do vencimento, solicitar que os valores a serem recebidos sejam investidos – no todo ou em parte – no mesmo título público ou em outro de sua preferência.

Não bastasse, existe também uma ferramenta chamada de extrato de custódia, que permite que o aplicador acompanhe diariamente a evolução de sua carteira.

Dependendo da corretora, pode ser que o sistema de negociação seja no próprio site da corretora ou então, no próprio site do Tesouro Direto.

Mas independentemente de onde for esta plataforma, o extrato oficial pode sempre ser consultado na página oficial do Tesouro Direto.

É importante lembrar que o investimento mínimo é o maior valor entre 1% do preço unitário do título (PU) ou R$ 30,00, o que for maior.

Porque investir no Tesouro IPCA +

Os títulos do Tesouro IPCA+ são uma forma de proteger o poder de compra do capital do investidor no longo prazo.

Como estes títulos, em alguns casos, possuem vencimentos muito longos, o investidor pode “travar” uma rentabilidade acima da inflação por um longo período.

Além disso, quanto maior for o prazo de vencimento, geralmente maiores serão as taxas oferecidas ao investidor.

Perceba na imagem acima como este foi o caso para os títulos negociados no dia 4 de Julho de 2018.

Geração de renda passiva

Alguns investidores podem se interessar pelos títulos que pagam juros semestrais.

Entretanto, é preciso se atentar a alguns pontos.

O primeiro deles é que o Yield oferecido pode não ser atrativo.

Como os cupons distribuídos são sempre uma porcentagem do VNA, e, portanto, não dependem do preço do título, o yield oferecido poderá ser baixo dependendo do preço do título.

Em outras palavras, quando o juro real oferecido for elevado, este yield ficará cada vez mais comprimido.

O segundo fator a ser mencionado é a tributação desses juros.

Ou seja, em termos líquidos, estes pagamentos são corrigidos abaixo da inflação.

Por estes motivos, existem alternativas geralmente mais rentáveis para quem deseja viver de renda.

E a mais recomendada para aqueles que estão iniciando na renda variável é comprar cotas de fundos imobiliários.

Se você deseja receber rendimentos mensais na sua conta da corretora, conheça os fundos imobiliários selecionados a dedo pelo professor Baroni, um dos maiores especialistas no tema.

Uma outra alternativa é comprar ações de boas empresas, pagadoras de dividendos. Os dividendos têm o poder de crescer inclusive acima da inflação.

Se você deseja conhecer mais sobre a estratégia de dividendos, não deixe de ler o Guia Suno Dividendos, preparado pelo Tiago Reis em conjunto com Jean Tosetto.

No vídeo abaixo o Tiago Reis explica a estratégia de investir em ações para o longo prazo:

Riscos de investir no Tesouro IPCA+

Todo investimento tem riscos, e o Tesouro IPCA+ não é exceção. Existem três riscos:

  • Risco de crédito
  • Risco de liquidez
  • Risco de mercado

Risco de crédito

O primeiro risco seria o risco de calote, ou risco de crédito.

Este risco trata da possibilidade do Tesouro Nacional atrasar ou não pagar os pagamentos devidos aos investidores.

Na prática este risco é praticamente nulo, pois por definição, se trata do risco soberano de um país, que é considerado o menor risco dos investimentos.

Risco de liquidez

A liquidez dos títulos públicos também é muito boa.

Uma grande vantagem dos títulos públicos é a possibilidade de se realizar o resgate antecipado do capital sem que seja necessário aguardar o vencimento da aplicação.

Apesar de ser esta uma característica presente também em ativos de renda variável, como ações e fundos imobiliários, isso não é uma realidade para outros ativos de renda fixa.

Por exemplo, se uma pessoa investe em um CDB de algum banco (válido também para outros ativos de renda fixa, como as Debêntures, LCI, LCA e RDB), não há qualquer garantia de que essa pessoa possa, depois, resgatar a sua aplicação antes do prazo.

Em muitos casos, geralmente esse investidor poderá resgatar somente o principal, perdendo todos os juros do período.

Para quem deseja resgatar os títulos antes do vencimento, a liquidação ocorre no dia útil posterior à data de solicitação, que só pode ser feita em horário comercial.

Risco de mercado

O risco mais importante para quem compra os

títulos atrelados ao IPCA é o risco de mercado, que nada mais é do que a oscilação do valor destes papéis no mercado.

Caso o investidor decida realizar a venda antecipada dos seus títulos, o valor que ele irá receber por eles depende das condições de mercado.

Portanto, é importante que o investidor não resgate o título por necessidade. Pois nesse caso, poderão ocorrer perdas no seu capital.

E para entender os motivos disso, é necessário compreender que os títulos públicos não são somente adquiridos por pessoas físicas.

Aliás, o Tesouro Direto é uma pequena fração do mercado de títulos.

Os investidores institucionais são os maiores compradores de títulos e também negociam estes papéis entre si através do mercado secundário.

Assim, o Tesouro Nacional utiliza estes preços como referência para o resgate antecipado dos títulos.

Conclusão sobre o Tesouro IPCAconclusão tesouro ipca

Investir no Tesouro IPCA pode ser uma boa alternativa para pessoas que procuram segurança e diminuição dos riscos de suas aplicações, além de também ser uma boa reserva de capital para aqueles investidores de renda variável que se encontram à espera de melhores oportunidades no mercado.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.