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    Tesouro IPCA: o que é e como investir nesse título do Tesouro?

    Tesouro IPCA: o que é e como investir nesse título do Tesouro?
    tesouro IPCA

    Com a ascensão do universo de investimentos, muitos novos investidores começaram a investir em aplicações de renda fixa e de renda variável. E na gama de investimentos em renda fixa, os títulos do Tesouro Direto têm ganhado bastante atenção, sobretudo os títulos do Tesouro IPCA.

    Essa atenção especial dos investidores em relação ao Tesouro IPCA tem relação com o fato desse título público conseguir oferecer uma rentabilidade real sobre o seu recurso aplicado. Isto é, um rendimento superior à inflação oficial do país.

    O que é o Tesouro IPCA?

    O Tesouro IPCA é um título público cuja remuneração oferecida ao investidor é baseada na evolução do índice de inflação IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acrescido de um prêmio pré-fixado, também chamado de juro real.

    Por isso, o investidor que aplica seu recurso em títulos do Tesouro IPCA, também chamado de IPCA+, possui a certeza de que seu capital terá rendimento acima da inflação. Afinal de contas, a taxa contratada é sempre da inflação acrescida de algum percentual pré-fixado.

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    Anteriormente chamado de NTN-B Principal, o Tesouro IPCA é, portanto, uma das variantes de um título público federal. E assim como os outros títulos do Tesouro Direto, o IPCA+ também funciona de forma que o investidor empreste suas economias para o Tesouro Nacional. Sendo que este, por sua vez, representa uma espécie de “caixa” do Governo Federal.

    Por isso, é possível afirmar que ao investir em títulos públicos, e em especial no Tesouro IPCA, o investidor está recebendo juros por contribuir com o financiamento da União, que utiliza o recurso de seus credores para investir, por exemplo, em infraestrutura, em saúde e em educação.

    Mas antes de aprofundar nos detalhes sobre essa modalidade de título do Tesouro é preciso, claro, ter ciência de o que é e de como é calculado o próprio IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

    O que é IPCA?

    O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é um índice levantado e calculado periodicamente pelo IBGE, que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Para realizar o cálculo, o Instituto leva em conta uma cesta ponderada com os principais gastos familiares brasileiros, como com:

    • Alimentação;
    • Transporte;
    • Habitação;
    • Vestuário;
    • Saúde;
    • Educação;
    • Comunicação.

    Normalmente, este estudo é feito nas principais regiões metropolitanas das capitais do país. Com isso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística consegue encontrar um percentual que represente uma inflação média e ponderada para todo o Brasil.

    Vale destacar, ainda, que a pesquisa do IBGE leva em conta a inflação para aquelas famílias que possuem renda média mensal de 1 até 40 salários mínimos. Por isso, a cesta de produtos e serviços acompanhada pelo Instituto para calcular o IPCA tem como base o perfil de gastos dessas famílias.

    Além disso, destaca-se que existe uma grande contradição e confusão no mercado quando se refere ao índice de inflação oficial. Isto porque muitas pessoas consideram a inflação como o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) pelo fato desse índice ser mais usado nos contratos de aluguel.

    Mas apesar do IGP-M ser, sim, um índice de inflação que possui metodologia e cálculo próprio, ele não pode ser considerado a inflação oficial do Brasil. Isso porque, nos anos 2000, o Copom (Comitê de Política Monetária) definiu, de vez, que o IPCA seria o escolhido para isso.

    Tipos de Tesouro IPCA

    Tesouro IPCA

    Depois de conhecer um pouco mais sobre o que é a inflação oficial do Brasil, o próximo passo é conhecer e entender quais são os tipos de Tesouro IPCA. Afinal de contas, são duas modalidades diferentes que são oferecidas aos investidores por meio da plataforma do Tesouro Direto. São elas:

    1. Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

    A primeira modalidade de investimento no Tesouro IPCA é por meio do Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal). Basicamente, esse título funciona de forma que o investidor aplica seu capital para receber, na data de vencimento, o recurso corrigido pela inflação de preços acrescida de um percentual fixo contratado na hora da aplicação.

    E tanto a data de vencimento quanto o percentual fixo acrescido acima da inflação vão se alterando ao longo do tempo. Por isso, é preciso conferir quais são as opções de vencimento e de rentabilidade na hora da aplicação, sendo que esses títulos são apresentados da seguinte maneira:

    • Tesouro IPCA+ 2026: 2,32% + inflação;
    • Tesouro IPCA+ 2045: 3,67% + inflação.

    Com isso, o investidor que aplica neste tipo de título irá receber, em 2026 e em 2045, 2,32% e 3,67% ao ano de rendimento, respectivamente. Ao longo desse período, o juro será acumulado na aplicação, sofrendo o efeito quase “mágico” dos juros compostos.

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    2. Tesouro IPCA+ Juros Semestrais (NTN-B)

    Outra modalidade do IPCA+ é o Tesouro IPCA+ Juros Semestrais (NTN-B). Ao contrário do modelo anterior, esse tipo de título oferece aos investidores, como o próprio nome diz, um rendimento semestral da parcela de juros.

    Com isso, a cada 6 meses, o aplicador irá receber na sua conta um valor referente aos juros do seu investimento no Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais. Em outras palavras, não é preciso aguardar o vencimento do título para auferir de seus rendimentos.

    Por conta desse recebimento regular de juros, muitos investidores que precisam de renda recorrente optam por investir nessa modalidade do IPCA+. Afinal de contas, eles podem viver dos rendimentos do título creditados na sua conta semestralmente.

    Além disso, outros investidores podem optar pelo recebimento do rendimento semestral para aplicar o juro recebido em outros ativos. Assim, o título do IPCA+ seria um gerador de caixa para o investidor alocar em outros investimentos, como ações ou Fundos Imobiliários (FIIs).

    Rentabilidade do Tesouro IPCA

    Tesouro IPCA

    Obviamente, ao se tratar de investimentos, uma das maiores preocupações dos investidores tem relação com a rentabilidade do Tesouro IPCA. Não é à toa, afinal, todos que investem nesse título estão procurando multiplicação de capital.

    Contudo, é preciso destacar que essa rentabilidade não é fixa. Na verdade, ela se altera ao longo do tempo com base na taxa básica de juros e na percepção de risco-país do mercado com relação ao Brasil.

    Mas antes de aprofundar mais nisso, é preciso entender que a rentabilidade do Tesouro IPCA segue o modelo híbrido. Em outras palavras, o retorno tem uma parte pós-fixada e outra pré fixada. Sendo que isso significa que o seu rendimento está atrelado sempre a um indexador externo acrescido de um prêmio de risco.

    1. Parte pós-fixada do Tesouro IPCA

    A parte pós-fixada do Tesouro IPCA é, obviamente, o próprio IPCA, a inflação oficial brasileira. Em outras palavras, o IPCA é o indexador dos contratos, sendo que todos os títulos terão uma parte da rentabilidade atrelada à variação desse indexador.

    2. Parte pré fixada do Tesouro IPCA

    Como todo rendimento híbrido, o Tesouro IPCA também tem uma parte pré fixada, que é um percentual fixo somado à variação do indexador do título. No caso do IPCA+, esse percentual fixo varia ao longo do tempo, de acordo com a curva de juros futuros.

    Essa variação dos juros futuros é diferente da Taxa Selic. Com isso, é perfeitamente possível que a Selic se mantenha e que o juros futuros flutuem no mercado. Isto porque ele representa apenas uma expectativa, precificada dia a dia, de como será o juro no futuro.

    Vale destacar, com isso, que em períodos de estresse no âmbito político e em momentos de turbulência econômica, o juro futuro aumenta, aumentando também a taxa percentual fixa do Tesouro IPCA. Afinal, o aumento do juros acontece por conta de uma percepção de risco maior para o país.

    Por outro lado, quando o âmbito político e econômico está favorável, então as taxas de juro pré-fixadas dos títulos do IPCA+ tendem a reduzir. Sendo que isso é reflexo também de uma redução do juro futuro.

    Custos do Tesouro IPCA

    Tesouro IPCA

    Depois de conhecer mais sobre a rentabilidade dos títulos, investidores buscam entender mais sobre quais são os custos do Tesouro IPCA. Isto é, quanto terão de pagar de encargos e de impostos para investir nesses títulos.

    Por isso, a seguir um pouco mais sobre a tributação do Tesouro IPCA e também sobre as eventuais taxas que podem ser cobradas para realizar esse investimento.

    Tributação do Tesouro IPCA

    A tributação do Tesouro IPCA segue o mesmo modelo da tributação da renda fixa, o qual, por sua vez, respeita a tabela regressiva de Imposto de Renda. Isso significa que todo o rendimento auferido na aplicação (ganho de capital) entra no cálculo do IR.

    Nesse sentido, inclusive, é importante lembrar que esse tributo incide sobre todo o lucro da operação, e não apenas sobre o rendimento real acima da inflação. Além disso, o IR sobre ganho de capital também incide sobre o lucro  na venda dos títulos antecipadamente com lucro.

    E para saber o quanto terá de pagar de imposto, que é inclusive retido na fonte, no caso do Tesouro Direto, o investidor deve observar a tabela regressiva do IR, que é de:

    • 22,5% para investimentos até 6 meses;
    • 20,0% para investimentos entre 6 meses e 1 ano;
    • 17,5% para investimentos entre 1 ano e 2 anos;
    • 15,0% para investimentos superiores a 2 anos.

    No caso daqueles que investem no Tesouro IPCA sem o juro semestral, o IR será recolhido apenas no momento da venda do título ou do seu vencimento. E no caso do Tesouro IPCA com juros semestrais, o imposto de renda também será recolhido semestralmente após o crédito do juro, também respeitando a tabela acima.

    Vale destacar, ainda, que para resgates em menos de 30 dias, também ocorre a cobrança do IOF (imposto sobre Operações Financeiras). Por fim, abaixo um exemplo de tributação do Tesouro IPCA.

    Exemplo de tributação do Tesouro IPCA

    Considere um investidor que tenha investido a quantia de R$ 1.000 em um título do Tesouro IPCA+ pagando IPCA + 6,5%, com vencimento para dois anos. Neste caso, suponha que a inflação para estes próximos dois anos seja de 5,8%.

    Dessa forma, a rentabilidade total por ano é seria de:

    • (1+5,8%)*(1+6,5%) – 1 = 12,68%.

    Assim, ao final dos dois anos, esse título teria acumulado o valor bruto (arredondado) de R$ 1.270. E como o investidor permaneceu dois anos com esta aplicação, a alíquota de IR é de 15%, conforme a tabela regressiva de IR.

    Portanto, o imposto a pagar seria de:

    • 15% sobre R$ 270,00;
    • 15% x R$270,00 = R$ 40,50.

    Dessa forma, o lucro líquido é de R$ 229,50 (270 – 40,50). Com isso, a rentabilidade real líquida do investimento foi de, na verdade, de 4,8%. Ou seja, houve uma  “mordida” de mais de 26% como imposto na rentabilidade contratada.

    Taxas do Tesouro IPCA

    Além dos tributos que todo investidor está sujeito ao investir no Tesouro IPCA, existem também taxas que podem envolver esse investimento. Com isso, a seguir duas as principais taxas do Tesouro IPCA que o investidor poderá precisa encarar.

    1. Taxa de custódia da B3

    A primeira taxa que o investidor do Tesouro IPCA deverá encarar é a taxa de custódia da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). Vale destacar, contudo, que essa taxa incide não só sobre esse título, mas sobre todos os títulos do Tesouro Direto.

    Essa taxa é sempre de 0,25% ao ano sobre o valor investido, com um limite de 5 milhões de reais. Além disso, a cobrança é realizada proporcionalmente em relação ao tempo que o investidor mantiver seu investimento no título.

    2. Taxa de custódia da instituição financeira

    Outra taxa que pode existir ao investir no Tesouro IPCA ou em qualquer título do Tesouro Nacional é uma taxa de custódia dos títulos cobrada pela instituição financeira pela qual o investidor estiver realizando sua aplicação.

    Felizmente, essa taxa caiu em desuso no mercado, por conta de uma acirrada competição por clientes entre as corretoras de valores, e está praticamente extinta. Contudo, ainda é possível encontrar instituições que mantiveram a taxa de custódia, principalmente os grandes bancos de varejo.

    Prazos e resgates do Tesouro IPCA

    Mais um ponto importante de conhecer diz respeito aos prazos e resgates do Tesouro IPCA. Afinal de contas, é fundamental saber quais são as regras com relação aos vencimentos e com relação à liquidez dos títulos oferecidos pelo Tesouro Nacional.

    Vencimentos do Tesouro Direto

    Primeiramente, muitos investidores se perguntam sobre como funciona o vencimento do Tesouro IPCA. Neste sentido, vale destacar que cada título negociado e oferecido possui uma data de vencimento diferente, sendo que de tempos em tempos o Tesouro Nacional disponibiliza novos tipos com datas diferentes.

    Algumas das opções de títulos do Tesouro IPCA com diferentes vencimentos pode ser observado na imagem abaixo:

    Tesouro IPCA

    Como pode ser observado, existem títulos com vencimento em 2026, 2035, 2040, 2045 e até em 2055. Sendo que quanto maior o prazo, maior também as incertezas e o risco, o que aumenta a taxa oferecida pelo Tesouro.

    Contudo, vale destacar que o investidor que adquire um título, por exemplo, com vencimento em 2055, não precisa aguardar esse ano para resgatar seu investimento. Isso porque os títulos negociados no Tesouro Direto possuem alta liquidez.

    Liquidez do Tesouro Direto

    Como foi colocado, a liquidez financeira, que é a facilidade de transformar um ativo em dinheiro, dos títulos do Tesouro Nacional, negociados no Tesouro Direto, é alta. Isso significa que investidores não têm dificuldade em vender o ativo (título) para transformá-lo em dinheiro.

    Isso porque é possível realizar a venda antecipada do título. Contudo, a taxa contratada na hora da aplicação é válida apenas para o vencimento. Com isso, o investidor que adquire um título com rendimento de IPCA + 3,85% ao ano, com vencimento em 2055, só terá essa rentabilidade exata nesse ano.

    Antes disso, é possível, sim, realizar o resgate e receber o recurso em D+0 ou D+1, dependendo da instituição financeira. Contudo, o valor recebido dependerá da marcação a mercado do título. Sendo que, por conta disso, é possível ter prejuízo, bem como também um lucro muito superior à taxa que foi contratada (na hipótese de queda da taxa de juros no futuro).

    Riscos do Tesouro IPCA

    Tesouro IPCA

    Ao investir em títulos do Tesouro Direto ou em qualquer outro título público, muitos investidores se perguntam dos riscos envolvidos. Neste sentido, vale destacar que todo investimento tem riscos, e o Tesouro IPCA+ não é exceção.

    Basicamente, existem três riscos do Tesouro IPCA, que são os riscos de:

    • Crédito;
    • Liquidez;
    • Mercado.

    Risco de crédito

    O primeiro risco do Tesouro IPCA seria o risco de calote, ou risco de crédito. Este risco trata da possibilidade do Tesouro Nacional atrasar ou não pagar os pagamentos devidos aos investidores.

    Na prática, vale destacar que este risco é praticamente nulo. Isto porque, por definição, se trata do risco soberano de um país, que é considerado o menor risco dos investimentos. Além disso, como o governo consegue imprimir moeda, caso ele não tenha dinheiro para pagar ele imprime e paga.

    Risco de liquidez

    O segundo risco do Tesouro IPCA diz respeito ao risco de liquidez dos títulos, que se refere à facilidade de transformar o ativo (título) em dinheiro. Contudo, vale destacar que a liquidez dos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional é muito boa.

    Neste sentido, uma grande vantagem dos títulos públicos é a possibilidade de se realizar o resgate antecipado do capital sem que seja necessário aguardar o vencimento da aplicação. Contudo, ao realizar esse resgate antecipado, o investidor estará vendendo o seu título adquirido no passado com condições específicas em um momento distinto.

    Por isso, caso o investidor possua um título com um rendimento inferior ao que está sendo negociado no mercado naquele momento, ele terá que vender seu título com um certo prejuízo. Afinal, seu ativo possui menos valor no mercado.

    Esse fenômeno de precificação de títulos com taxas diferentes se chama marcação a mercado, sendo que ele é válido não só para o Tesouro IPCA, mas para todos os títulos do Tesouro Nacional. Todavia, não está disponível para a maior parte das outras aplicações de renda fixa.

    Por exemplo, se uma pessoa investe em um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de algum banco (válido também para outros ativos de renda fixa, como as Debêntures, LCI e LCA), não há qualquer garantia de que essa pessoa possa, depois, resgatar a sua aplicação antes do prazo.

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    Risco de mercado

    Por fim, o risco mais importante para quem compra os títulos atrelados ao IPCA é o risco de mercado, que nada mais é do que a oscilação do valor desses papéis no mercado. Isso significa que caso o investidor decida realizar a venda antecipada dos seus títulos, o valor que ele irá receber por eles depende das condições de mercado.

    Por isso, é importante que o investidor não resgate o título por necessidade antes do vencimento do seu prazo. Pois, caso contrário, por conta da marcação a mercado, alguns investidores podem amargar prejuízo com a desvalorização do título.

    Para entender esse ponto, considere o seguinte exemplo:

    Exemplo de risco de mercado

    Considere dois títulos hipotéticos abaixo, com suas respectivas datas de aquisição:

    • Tesouro IPCA+ 2045 com taxa de 4,50% ao ano, adquirido em Junho de 2015;
    • Tesouro IPCA+ 2045 com taxa de 6,00% ao ano, adquirido em Agosto de 2015.

    Como pode ser observado, os dos títulos acima foram adquiridos em datas muito próximas, sendo um em junho e o outro em agosto de 2015. Contudo, as taxas de cada um desses títulos foi bastante distinta, por conta de uma rápida alteração na curva de juros futuros.

    Então, enquanto o primeiro título possui uma rentabilidade real de 4,50% ao ano até 2045 (por 30 anos), o outro foi negociado com uma taxa real de 6,00% ao ano. Ou seja, uma diferença grande que, ao longo do tempo, trará muita discrepância entre os valores acumulados em cada um dos títulos, por conta dos efeitos dos juros compostos.

    Com isso, é perfeitamente possível afirmar que o primeiro título, com taxa de 4,5% ao ano, é menos valioso em Agosto de 2015 do que era quando foi adquirido. Afinal, em agosto os investidores podem adquirir a mesma modalidade de investimento (IPCA+ com vencimento em 2045) com uma taxa de 6,0% ao ano no mercado.

    Então, para que o primeiro título, com taxa menor, seja comprado por um investidor no mercado, é preciso que haja uma desvalorização no valor desse título. Assim, o preço pago compensaria a menor rentabilidade que seria acumulada ao longo do tempo.

    Por isso, o investidor que adquiriu o título com taxa real de 4,5% ao ano teria que vender seu título com prejuízo, abaixo do valor que pagou, para encontrar um comprador disposto a adquirir esse papel com remuneração inferior. Em outras palavras, o investidor teria prejuízo.

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    Vantagens do Tesouro IPCA

    Depois de conhecer sobre como funciona, sobre qual a rentabilidade e sobre quais são os riscos desses títulos, muitos investidores podem se perguntar: mas, por fim, quais são as vantagens do Tesouro IPCA como um investimento de renda fixa?

    Por isso, a seguir, as principais vantagens de investir no Tesouro IPCA:

    1. Segurança

    A primeira vantagem de investir no Tesouro IPCA, e nos títulos do Tesouro em geral, é a segurança. Isso porque, no mercado, o governo é visto como o melhor e mais seguro pagador de todos.

    Afinal de contas, caso ele não tenha recursos para pagar os investidores, ele imprime moeda e paga. Obviamente, isso não pode ser realizado por nenhuma outra instituição financeira, incluindo os grandes bancos.

    Por isso, independentemente do tamanho do banco ou da segurança de uma empresa que emita um título de crédito privado de renda fixa (debênture), os títulos do Tesouro Nacional sempre serão os mais seguros.

    2. Liquidez

    A segunda grande vantagem de investir no Tesouro IPCA é a alta liquidez que esse investimento em renda fixa possui, podendo o investidor realizar a venda dos títulos para resgate do recurso a qualquer momento.

    Isso não é uma possibilidade ou algo comum em outros investimentos de renda fixa, como:

    Nesses investimentos acima, com exceção daqueles com liquidez diária, o resgate do recurso investido só pode ser realizado no vencimento. Sendo que esse é o caso da maior parte dos títulos privados de renda fixa.

    Isso é perfeitamente compreensível. Afinal, quando uma empresa ou um banco capta recursos ao mercado, seja para emprestar para terceiros ou para uso próprio, ela necessita de ter a segurança da data de vencimento para conseguir realizar seus investimentos com o recurso.

    3. Diversificação

    Em terceiro lugar, outra vantagem do Tesouro IPCA é a diversificação de investimentos. Afinal de contas, essa modalidade de investimentos pertencente à classe de títulos públicos de renda fixa. Com isso, é mais uma forma do aplicador diversificar seu capital e ter seu patrimônio investido em diversos âmbitos.

    Desvantagens do Tesouro IPCA

    Conhecer as vantagens é, sim, muito importante. Contudo, é fundamental que os investidores também saibam quais são as desvantagens do Tesouro IPCA. Por isso, a seguir os principais pontos negativos desse investimento:

    1. Rentabilidade inferior

    A primeira desvantagem do Tesouro IPCA, mas que é comum dos outros títulos do Tesouro Nacional, é a rentabilidade inferior com relação aos outros títulos de renda fixa. Isto é, em comparação com os títulos de crédito privado, que são emitidos por empresas e bancos.

    Contudo, essa menor rentabilidade é perfeitamente compreensível, afinal temos a máxima de que:

    • Quanto maior o risco, maior o retorno; e;
    • Quanto menor o risco, menor o retorno.

    Como foi colocado no tópico de vantagens, os títulos do Tesouro são extremamente seguros. Com isso, e com base na máxima acima, esses títulos naturalmente também terão um rendimento menor.

    2. Volatilidade nos títulos

    Outra desvantagem de investir no Tesouro IPCA e nos outros títulos do tesouro é a volatilidade nos títulos, que são negociados pelo Tesouro Direto. Isso significa que ao investir em um determinado título com determinada rentabilidade contratada, o rendimento não será linear.

    Na verdade, o rendimento sofrerá volatilidade financeira, que é justamente o que ocorre com as ações negociadas na Bolsa de Valores, que possuem preços que flutuam no mercado.

    Apesar dessa semelhança, diferente das ações, o detentor do título do Tesouro sabe que receberá, no vencimento, a rentabilidade contratada no momento da aplicação. Contudo, até lá, o preço do título sofrerá volatilidade.

    3. Custos da B3

    Por fim, outra desvantagem de todos os títulos públicos e que vale também para o Tesouro IPCA é o custo da B3, que cobra a taxa de custódia de 0,25% ao ano sobre o valor investido.

    No passado, quando as taxas de juros do Brasil eram muito altas, acima dos 10% ao ano, por exemplo, essa pequena taxa de 0,25% não era tão perceptível. Contudo, em um cenário de juros mais baixos, que alcançou a casa dos 2% ao ano, esse encargo já começa a impactar severamente a rentabilidade líquida do investimento em títulos públicos.

    Como Investir no Tesouro IPCA?

    Depois de conhecer como funciona, qual a rentabilidade, quais os riscos, vantagens e desvantagens, muitos investidores podem se interessar nesta modalidade de título do Tesouro Direto. Por isso, abaixo o passo a passo de como investir no Tesouro IPCA.

    1. Abrir conta em uma corretora

    O primeiro passo para investir no Tesouro IPCA é abrir conta em uma corretora de valores. Isso porque a maior parte delas não cobra taxa de custódia sobre o investimento, possuindo também plataformas muito completas e didáticas para o investir realizar sua aplicação.

    2. Transferir os recursos

    O segundo passo para investir no Tesouro IPCA, ou em qualquer título do Tesouro Nacional, é transferir os seus recursos para a conta da corretora em que abriu conta. Afinal, é preciso ter um saldo disponível para realizar a aplicação.

    3. Escolher o título

    Depois de transferir os recursos, o terceiro passo para finalmente conseguir investir no Tesouro IPCA é escolher um dos títulos disponíveis na plataforma do Tesouro Direto da corretora. Neste ponto, o investidor deve observar:

    • O modelo de remuneração (juros semestrais, ou não);
    • A data de vencimento do título;
    • A rentabilidade contratada.

    4. Aplicar e aguardar

    Depois de avaliar as opções de títulos disponíveis e após verificar qual dos títulos mais se encaixa no seu objetivo e horizonte de investimento, o último passo é aplicar no título escolhido e, claro, aguardar. Afinal, os rendimentos serão obtidos no longo prazo, com o decorrer do tempo do empréstimo do recurso ao governo.

    Outros títulos do Tesouro Direto

    Tesouro IPCA

    Apesar do Tesouro IPCA ser um excelente título público disponível pelo Tesouro Nacional, existem outros títulos do Tesouro Direto disponíveis que também são muito interessantes para todo investidor conhecer. São eles os títulos pré fixados e o título do Tesouro Selic.

    1. Títulos pré fixados

    A primeira possibilidade extra que os investidores têm na hora de investir nos títulos do Tesouro são os títulos pré fixados. E como o próprio nome diz, o rendimento desses títulos são pré determinados, não dependendo de nenhum indexador externo.

    Isso é diferente do Tesouro IPCA. Afinal, nessa modalidade de investimentos que foi tratada, o investidor não sabe exatamente quanto o seu capital irá render nominalmente. Afinal de contas, o rendimento está atrelado ao IPCA futuro, que é desconhecido no presente.

    Já no caso dos títulos pré fixados, os investidores sabem exatamente quanto terão de capital na data de vencimento. Isto porque a rentabilidade é apresentada de maneira fixa, da seguinte forma:

    • 4% ao ano;
    • 6% ao ano;
    • 9% ao ano;
    • 14% ao ano.

    Por conta desse percentual fixo anual, os investidores conseguem saber exatamente quanto o recurso investido terá rendido até o vencimento do título. Inclusive poderão saber o quanto pagarão de impostos sobre o ganho de capital.

    Contudo, há uma desvantagem. Suponha, por exemplo, um título pré fixado com rendimento de 8% ao ano com um vencimento muito longo. Neste caso, na hipótese do país passar por um período de hiperinflação, o investidor desse título perderia dinheiro em termos reais. Afinal, o seu título poderia render menos do que a própria inflação (o que nunca acontece com o Tesouro IPCA).

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    2. Tesouro Selic

    Outro título muito conhecido do Tesouro Nacional é o Tesouro Selic. E como o próprio nome diz, o rendimento desse título está atrelado, claro, à Taxa Selic, que é a “taxa mãe” da economia, definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária).

    Vale destacar, ainda, que o rendimento desse título é sempre fixo e diário, sendo que não há volatilidade no valor investido. Afinal, todos os investidores desse título possuem sempre a mesma rentabilidade, que é a Taxa Selic.

    Ou seja, o investidor que investiu no Tesouro Selic em 2016, quando a taxa estava superior a 14%, possui um título com o mesmo valor que outro investidor que realizou o investimento em 2020, quando a Selic alcançou 2,25% ao ano. Isso porque o título dos dois investidores renderá diariamente o percentual diário da Taxa Selic vigente no momento.

    Vale a pena investir no Tesouro IPCA?

    Por fim, depois de conhecer todos os detalhes desse investimento, muitos investidores podem finalizar se questionando: mas será que vale a pena investir no Tesouro IPCA?

    Esse questionamento é muito genuíno. Afinal de contas, foram elencados diversos pontos, inclusive vantagens e também desvantagens desse investimento, o que pode ter deixado alguns investidores duvidosos.

    Contudo, infelizmente, não existe uma resposta pronta. Isso porque o Tesouro IPCA pode valer muito a pena para alguns e, ao mesmo tempo, não ser um investimento que faz muito sentido para outros investidores.

    Isto acontece pelo fato de cada investidor ter as suas próprias particularidades com relação, por exemplo, ao:

    • Horizonte de investimento;
    • Rentabilidade almejada;
    • Aversão ao risco;
    • Concentração ou diversificação.

    Por isso, é preciso que cada investidor analise seu próprio perfil e objetivos para definir se vale a pena, ou não, aplicar os recursos no Tesouro IPCA. E caso a resposta seja de que não vale a pena, não há problema, afinal existem muitas outras opções de investimentos em renda fixa e também em renda variável.

    E então, conseguiu entender mais o que é e sobre como funciona o Tesouro IPCA? Deixe abaixo suas dúvidas ou comentários sobre esse título público do Tesouro Nacional.

    Perguntas frequentes sobre o Tesouro IPCA
    O quanto rende o Tesouro IPCA dependerá do valor que é oferecido pelo Tesouro Nacional. Sendo que a cada dia as taxas oferecidas se alteram conforme a percepção de risco do mercado e a curva de juros futuros.
    O Tesouro IPCA é uma das modalidades de títulos públicos oferecidas pelo Tesouro Nacional para investidores. Por meio desse título, aplicadores podem emprestar recursos para o governo, recebendo uma remuneração atrelada à inflação oficial (IPCA) para isso.
    Os riscos de investir no Tesouro IPCA são os riscos de crédito, de liquidez e de mercado. Contudo, o maior risco (que ainda sim é muito pequeno), é o risco de crédito. Isto é, de o governo dar o calote e não realizar o pagamento dos investidores.
    O melhor Tesouro IPCA dependerá dos objetivos e da realidade de cada investidor. Para cada perfil, uma modalidade de rendimento (com ou sem juros semestrais) será melhor, o que vale também para os prazos de vencimento.
    O quando investir no Tesouro IPCA é relativo. Afinal, quando os riscos forem maiores, as taxas também serão superiores. E quando os riscos forem menores, os rendimentos serão inferiores. Por isso, para aqueles que querem investir no IPCA+, toda hora é hora de investir no Tesouro IPCA.

    Bibliografia para Tesouro IPCA

    https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos15/28822325.pdf

    https://www.acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/39399/R%20-%20E%20-%20RAFAEL%20LOPES%20FIGUEIREDO.pdf?sequence=1&isAllowed=y

    http://sisweb.tesouro.gov.br/apex/cosis/thot/transparencia/arquivo/31542:1064336:inline:28082283733871

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d93872.htm

    https://www.bcb.gov.br/content/cidadaniafinanceira/Documents/publicacoes/serie_pmf/FAQ%2006-T%C3%ADtulos%20P%C3%BAblicos%20e%20Gest%C3%A3o%20da%20Divida%20Mobili%C3%A1ria.pdf

    Rodrigo Wainberg
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