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Tesouro Direto, o que é importante saber para se investir neste ativo?

By 9 de janeiro de 2018 No Comments

O que nos levou a escrever este material sobre Tesouro Direto vai ao encontro de nosso compromisso permanente em mostrar àqueles que querem começar a investir, mas não sabem muito bem por onde e como começar de forma clara.

Temos absoluta certeza de que o Tesouro Direto funciona muito bem como porta de entrada para o mercado de capitais, pois é neste momento que muitas barreiras serão vencidas de forma definitiva.

Temos certeza de que, apesar de procurarmos abordar os tópicos mais importantes relacionados ao Tesouro Direto neste material, é provável que tenhamos novas demandas em breve.

A nossa intenção é continuar a desenvolver cada vez mais conteúdo sobre este assunto numa escala cada vez mais avançada.

Segundo dados atualizados pelo Banco Central do Brasil, o saldo da poupança de milhares de brasileiros é acima de R$ 700 bilhões, o que consideramos ser um número bastante alto, apesar da crise econômica presente em nosso país.

O Brasil tem um grande déficit histórico em relação à educação financeira e não há como negar este fato.

Por outro lado, vislumbramos um imenso potencial a fim de se construir um país onde as pessoas se sintam motivadas e seguras para realizar seus investimentos, de maneira mais eficiente, focada em uma carteira previdenciária para o longo prazo.

Porém, não há como conquistar isto sem conhecimento e, nesse sentido, conteúdos como este são fundamentais para o processo de ensino/aprendizagem, buscando formar investidores cada vez mais livres e conscientes de suas escolhas.

Pode parecer uma visão utópica da nossa parte, mas temos absoluta certeza de que somos capazes de levar informação com a devida qualidade a fim de termos uma parcela maior da sociedade se preocupando com o próprio futuro.

Perguntas Frequentes

Quando falamos de mercado financeiro, as perguntas mais recorrentes que estamos acostumados a ouvir são as mesmas, na grande maioria das vezes:

  • Por onde começar?
  • Quanto preciso ter para investir?
  • Corretora é mais segura que Banco?
  • E se a Corretora quebrar?
  • Posso tirar meu dinheiro a qualquer momento?

É curioso que são perguntas relativamente simples para quem está acostumado com todo este ambiente.

Mas, para os leigos que ainda terceirizam suas decisões para os gerentes de suas contas nos principais bancos de varejo, isso tudo ainda parece muito confuso e “arriscado”.

Afinal, foram anos (talvez décadas) poupando dinheiro e confiando plenamente naquilo que o gerente da conta sempre dizia.

São barreiras que precisam ser vencidas e sabemos como fazer isto!

De início, podemos dizer que “Não, seu gerente não é uma pessoa ruim. Não mesmo!”

A questão aqui é puramente comercial.

Os Bancos de Varejo, em especial os “grandes”, que estamos acostumados a ver uma agência em cada esquina, visam lucro.

Não temos dúvida de que boa parte das empresas, sobretudo em um país capitalista, visa lucro.

Até aí, sem problemas, mas é importante observar alguns pontos logo a seguir.

Simulações (Choque de Realidade)

São dois os pontos de extrema relevância que um poupador comum dificilmente conseguirá enxergar sozinho sem a devida orientação:

  • O custo anual para manter o dinheiro aplicado em boa parte dos produtos bancários oferecidos na agência.
  • O impacto da rentabilidade menor ano após ano, ao longo de uma vida inteira de acumulação financeira.

A grosso modo, um ponto tem tudo a ver com outro.

Sejamos mais pragmáticos e vejamos um exemplo simples e direto logo abaixo:

Digamos que você invista R$ 300 por mês, durante 25 anos, a uma taxa líquida mensal de 0,50%.

Você terá ao final do período o valor equivalente a R$ 208 mil.

Considerando o mesmo valor e o mesmo prazo, porém com uma taxa líquida mensal de 0,60%, o valor final acumulado será R$ 250 mil.

Portanto, uma diferença de R$ 42 mil ao longo destes 25 anos.

Fazendo uma conta bem simples, é como se você tivesse “perdido” (ou deixado de ganhar) R$ 140 a cada mês.

Parece pouco, mas não é.

Pelo contrário.

Se você considerar que, ao longo de sua vida de acumulação, terá condições de aumentar seus aportes financeiros, o resultado ficará cada vez mais surpreendente.

Quer ver a simulação com o mesmo cenário, porém com aportes mensais de R$ 700?

Logo, em 25 anos com taxa mensal de 0,50%, teremos total de R$ 485 mil.

Já com taxa de 0,60%, o total sobe para R$ 585 mil.

São R$ 100 mil de diferença em 300 meses. Portanto, R$ 333/mês.

Com estes dois exemplos acima, queremos chamar a sua atenção para um conteúdo capaz de melhorar o seu futuro de maneira definitiva.

É importante reforçar que, em todas as simulações que são feitas nas aplicações e resgates, tem que se considerar a Rentabilidade Líquida, portanto livre de impostos e custos.

Mais à frente, trataremos do simulador disponível na própria página de Internet do Tesouro Direto, onde os investidores irão conseguir enxergar perfeitamente o retorno considerado nas opções presentes no mercado.

Lembre-se de que suas decisões mudam de acordo com o seu conhecimento, por isso a importância de observar atentamente o que vamos abordar ao longo deste material.

Conceitos Básicos sobre o Tesouro Direto

O Tesouro Direto foi criado em 2002, através de uma parceria entre o Tesouro Nacional e a Bolsa de Valores, com o objetivo de vender títulos públicos federais para pessoas físicas em geral.

Como o próprio nome já diz, o Tesouro “Direto” visa negociar frações de títulos públicos com valores acessíveis e custos baixos “diretamente” com os investidores.

Mais uma vez, reforçamos que o TD é um dos produtos mais democráticos disponíveis no mercado para compor carteiras de investimento das pessoas físicas que optam por poupar pensando no futuro.

O que são e para que servem os Títulos Públicos?

Essencialmente, os títulos públicos são produtos de Renda Fixa, apesar de terem características específicas que serão tratadas de maneira oportuna mais à frente.

Comprar um título público é o mesmo que emprestar ao governo brasileiro em troca de receber no futuro, obviamente, o retorno que foi combinado entre as partes.

O dinheiro que você empresta ao governo é usado para financiar milhares de projetos (infraestrutura, saúde, educação, tecnologia etc.) espalhados pelo Brasil.

Ao comprar um título, você não receberá nenhum “papel” em específico, pois os mesmos são negociados apenas escrituralmente.

Cada operação gera um protocolo associado ao seu CPF.

Cabe reforçar que é obrigatório ter um CPF, além de uma conta corrente (ou poupança) em alguma instituição financeira do país.

Por fim, destacamos que, ao optar por investir no TD, você terá acesso ao tipo de investimento mais seguro do Brasil, com garantia de 100% do Tesouro Nacional.

Uma dúvida recorrente é se os Títulos Públicos têm a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e a resposta é “não”. Como visto acima, a garantia é do próprio Tesouro Nacional.

É o que chamamos, popularmente, de risco soberano.

Esta questão do FGC é sempre levantada pelo fato de que alguns investidores que estão habituados a investir em produtos de Renda Fixa de mercado (CDBs, LCIs e LCAs, por exemplo) possuem esta garantia limitada a R$ 1 milhão de reais a cada 4 anos.

Passos iniciais

Para comprar no TD, o investidor deve se cadastrar em alguma instituição financeira, que, neste momento, podemos denominar como “Agente de Custódia”, e que seja, necessariamente, habilitada para operar no programa do Tesouro Nacional.

De forma prática, estas instituições são conhecidas no mercado em geral como “Corretoras”.

O cadastro é simples. Basta acessar o próprio web site da corretora escolhida por você e fornecer a documentação básica solicitada.

Não há custo para realizar o Cadastro.

Em seguida, você irá receber uma senha provisória no e-mail cadastrado. Portanto, nesse momento, o investidor contará com acesso restrito à web site do TD. O login é o próprio CPF.

Oportunamente, nesta web site, o investidor poderá realizar operações (compra e venda), além, claro, de consultas aos extratos e outras funções básicas até mesmo administrativas.

É importante ressaltar que diversas corretoras são agentes “integrados”, onde todas as funcionalidades poderão ser feitas no próprio ambiente da web site da corretora. Portanto, não havendo necessidade de acessar o ambiente do TD.

No portal do Tesouro Direto é possível ver a lista de corretoras habilitadas, bem como aquelas que são integradas ao sistema do TD.

Investir em uma Corretora Integrada não é obrigatório, mas é, sem dúvida alguma, muito mais prático.

Dúvidas básicas principais

Um dos questionamentos mais corriqueiros é: “E se a Corretora quebrar”?

Vamos relembrar um trecho anterior deste artigo, onde falamos sobre o fato de que os títulos ficam associados ao CPF do investidor.

Pois bem, caso a corretora “quebre”, a transferência será feita para outra corretora, visto que os títulos estão sob custódia da CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia.

A Corretora nada mais é do que uma plataforma intermediadora de acesso. Os títulos, na verdade, não estão lá, e sim na CBLC, que realiza o papel de “clearing”, que, tecnicamente, é uma compensação eletrônica que ocorre no mercado financeiro com bilhões e bilhões de reais por dia.

Outra questão muito frequente está relacionada à Tributação dos Títulos Públicos negociados no TD.

Como são produtos de renda fixa, eles possuem a mesma dinâmica dos ativos mais conhecidos no mercado, conforme listado logo abaixo:

  • 22,5%: Rendimentos nas vendas antecipadas, vencimentos de títulos e pagamento de cupons ocorridos até 180 dias após a data da aplicação;
  • 20%: Rendimentos nas vendas antecipadas, vencimentos de títulos e pagamento de cupons ocorridos de 181 dias até 360 dias após a data da aplicação;
  • 17,5%: Rendimentos nas vendas antecipadas, vencimentos de títulos e pagamento de cupons ocorridos no prazo de 361 até 720 dias após a data da aplicação;
  • 15%: Rendimentos nas vendas antecipadas, vencimentos de títulos e pagamento de cupons ocorridos após 720 dias da data da aplicação.

O Imposto de Renda é recolhido na fonte; portanto, fica a cargo da própria Corretora realizar esta retenção.

Por outro lado, o investidor deve declarar tanto seu patrimônio (quantidade e tipo dos títulos em carteira) como também os rendimentos que já tiveram a tributação em sua Declaração de Ajuste de Imposto de Renda, que, normalmente, é entregue no final do mês de abril.

Fique tranquilo porque é um processo bastante simples e, depois que é feito pela primeira vez, basta ir atualizando de um ano para outro.

Via de regra, as próprias corretoras disponibilizam pequenos guias práticos de como fazer este procedimento.

Em tempo, quanto ao IOF: incide sobre o rendimento do investimento em caso de resgates feitos em período inferior a 30 dias.

Raio-X do Tesouro Direto

Vamos trazer agora alguns dados atualizados, que foram extraídos do Balanço do Tesouro Direto, em referência ao mês de novembro de 2017.

O estoque do TD alcançou um montante de R$ 48,1 bilhões, o que significa aumento de 0,6% em relação ao mês anterior (R$ 47,8 bilhões) e aumento de 21,6% sobre novembro de 2016 (R$ 39,6 bilhões).

No gráfico abaixo, é possível perceber a forte e relevante evolução total do estoque nos últimos 15 anos, desde quando o programa do Tesouro Nacional foi criado.

A variação do estoque do Tesouro Direto

Fonte – Tesouro Nacional

Além disso, temos plena certeza de que este produto está, cada vez mais, caindo no gosto do grande público e que, aos poucos, recursos serão transferidos para o TD em busca de melhor relação de risco/retorno.

Ao final de 2017, tivemos 56.881 novos participantes que se cadastraram no TD. O número total de cadastrados atingiu, portanto, 1,7 milhões de investidores, com aumento de 65% nos últimos 12 meses.

Já temos quase 560 mil investidores ativos (6,7 mil no último mês). Uma variação próxima de 46%, também avaliando os últimos 12 meses.

Isso reforça, cada vez mais, a nossa tese de que o brasileiro está, progressivamente, mais preocupado com o seu futuro previdenciário.

O gráfico abaixo sinaliza, bem claramente, a evolução histórica, e como temos crescido de maneira consistente nos últimos 4 anos, não só em termos de investidores cadastrados como, principalmente, naqueles que estão de fato ativos no Programa do TD.

Quantidade de investidores do Tesouro Direto

Fonte – Tesouro Nacional

Trataremos sobre este tema mais adiante, mas é visível que os investidores ainda usam o TD para acumular patrimônio, com foco no médio prazo, visto que quase 78% dos investimentos são feitos com vencimento previsto entre 1 e 10 anos.

Apenas 18% dos investidores compram título com vencimentos acima de 10 anos. Um dos objetivos deste material é justamente reforçar a importância de se construir uma carteira previdenciária para o longo prazo.

O público que mais utiliza a plataforma do TD são homens (72%) com idade entre 26 e 35 anos (37%).

Esta é também uma realidade na qual podemos trazer mais equilíbrio, buscando cada vez mais atingir o público ainda mais jovem.

A nossa visão é que o TD deveria ser o “primeiro investimento” de todos os jovens, pois estariam começando de uma maneira mais focada no longo prazo além do fato de ter mais proximidade natural com o mercado de capitais.

Não temos dúvidas de que o TD deveria ser o grande passo inicial de uma longa jornada de acumulação financeira, e envidaremos todos os nossos esforços no sentido de construir uma base de conhecimento sólida a fim de orientar a todos sobre o tema.

Pilares de mercado do Tesouro Direto

Como sabem, os 3 pilares que norteiam as decisões dos investidores são: Risco, Retorno e Liquidez. Vamos falar sobre cada um deles, dentro do ambiente do TD, para que a sua decisão de investir fique ainda mais confortável.

Risco

Investir no TD é estar exposto ao risco soberano do Brasil. Alguns investidores costumam atribuir como “risco zero”.

Sabemos que não há nada sem riscos, mas o que é essencial afirmar é que, se o “Tesouro quebrar”, o país inteiro, incluindo todo o Sistema Financeiro com os principais bancos, deverá entrar também em derrocada.

Vale reforçar que os grandes Bancos Comerciais são os principais credores do Tesouro Nacional.

Portanto, podemos afirmar, com convicção, que o TD é o investimento com menor risco do Brasil, considerando o que foi colocado acima.

Retorno

Um dos pontos mais importantes que é válido explicar é a diferença entre Retorno Nominal e Retorno Real.

Boa parte dos investidores passa pela vida inteira e não percebe o quanto isso é relevante.

Retorno Nominal é a rentabilidade total do seu investimento. Retorno Real é a rentabilidade total do seu investimento “excluindo” o acumulado da inflação.

Concentre-se na Rentabilidade Real. É ela que realmente nos interessa.

A grande vantagem do TD é que, historicamente, uma “cesta de títulos” proporcionou aos investidores Retornos Reais bastante generosos, bem acima de diversos Fundos de Renda Fixa de grandes Bancos e, claro, da própria Poupança.

Não tem mágica. Esta diferença histórica é pelo simples fato de que, no TD, as taxas de administração anuais são incrivelmente menores do que em boa parte dos fundos disponíveis nos grandes bancos.

Várias Corretoras não cobram nada. Isso mesmo: “nada”. Da mesma forma que nós, elas entendem que investir no TD funciona como uma porta de entrada a diversos outros produtos, e não cobrar taxa de administração é um incentivo ao investidor.

Não tem “pegadinha”. É pura lógica de mercado.

A única taxa de administração a ser paga é para a CBLC, que é 0,30% ao ano, independente do volume total investido (“ticket” mínimo médio de R$ 30 reais).

Percebeu como o TD é o investimento mais democrático do Brasil? Em termos de custos de manutenção, você terá o mesmo tratamento, seja com R$ 30 ou R$ 30 milhões.

Agora, dê uma boa olhada na lista de Fundos de Renda Fixa do seu Banco e verá a diferença abissal. Vale lembrar que a diferença entre estas taxas será capitalizada ano a ano.

Não temos dúvidas de que você ficará bastante impressionado com a discrepância. É uma anomalia.

Nesse sentido, fica didático e simples perceber que a Simulação com 25 anos que foi apresentada no início deste material é concreta e absolutamente verdadeira.

Liquidez

Uma questão importante de falar sobre a liquidez é que a mesma tem forte relação com o prazo dos seus investimentos.

Muitas vezes, a liquidez não é tão importante justamente pelo fato de o investidor enxergar que você pode criar “cofrinhos” específicos, com vencimentos distintos.

Imagine um cofrinho para a nova casa, a faculdade dos filhos, uma viagem dos sonhos, enfim, o TD permite abstrair estratégias bastante alinhadas com os princípios básicos que são ensinados na Educação Financeira.

A liquidez no TD é diária, até mesmo como forma de atender à demanda dos próprios investidores.

Anteriormente, os leilões de venda ocorriam apenas às quartas-feiras, mas agora a recompra é diária para todos os títulos públicos negociados na plataforma, obviamente trazendo muito mais confiança e praticidade.

A venda pode ser feita a partir das 18h (dias úteis) até às 5h do dia seguinte. Em finais de semana e feriados, as vendas podem ser feitas em qualquer horário, lembrando que as transações serão executadas utilizando os últimos preços de fechamento de mercado disponíveis.

A transação será processada no dia útil posterior à ordem de venda (D+1), quando os recursos oriundos dessa operação serão repassados para a sua instituição financeira. Essa, por sua vez, repassará esses recursos para você dentro do prazo previsto no seu regulamento.

O limite financeiro máximo de aplicação (compras) por investidor é de R$ 1 milhão por mês. Não há limite financeiro para resgates (vendas).

Vale lembrar que nas quartas-feiras em que houver reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central), somente o título do tipo Tesouro Selic (LFT) estará disponível para recompra pelo Tesouro Nacional, das 18h às 5h do dia seguinte.

A possibilidade de recompra dos outros títulos será reaberta normalmente nos demais dias dessa semana.

Tipos de Aplicações

Não poderia deixar de ser mencionado que existem, basicamente, dois meios de se realizar aplicações neste tipo de ativo financeiro, conforme abaixo destacados:

Aplicação Tradicional (A mercado)

São operações de compras e vendas que são realizadas a qualquer momento do dia, dentro do período de funcionamento do Programa.

O valor da compra poderá ser ajustado pela quantidade de títulos desejada ou pelo montante total a ser investido, sempre respeitando a fração de “0,01” (e valor mínimo de R$ 30 reais), portanto, 1% do valor do título ofertado. A venda é realizada da mesma forma, com a recompra diária.

Vale reforçar que as negociações no TD são sempre feitas em múltiplos de 0,01 (1%), ou seja, 0,02 (2%) do valor do título, 0,03 (3%), 0,04 (4%), 0,05 (5%) e assim por diante.

Cada título tem um valor específico, que varia aproximadamente entre R$ 600 e R$ 10 mil, mas, obviamente, estes valores irão sofrer alterações de tempos em tempos

Porém, independente dos valores negociados, a regra se mantém: 1% do valor de cada título, considerando o investimento mínimo de R$ 30,00.

Aplicação Programada (Agendada)

A aplicação programada funciona com base no agendamento de compras e vendas, a reaplicação automática dos juros semestrais (cupons) e do valor a ser resgatado nas datas de vencimento de cada título. Perceba que é uma maneira bastante conveniente para planejar seus investimentos pessoais.

No caso das Compras, é importante lembrar que o agendamento será feito sempre em função do valor financeiro. Já nas Vendas, é possível programar, de forma antecipada, a data da venda, em qualquer dia, em função da quantidade de títulos.

As operações serão realizadas em face dos Preços e Taxas vigentes, no dia previsto, para a liquidação das transações que foram agendadas.

O investidor poderá direcionar o capital que foi creditado no vencimento de um título, ou simplesmente pelo pagamento de cupom de juros, para uma nova aplicação, basta que indique sua opção de compra de um novo título. Além disso, poderá optar por reinvestir tudo ou somente parte dos recursos recebidos.

Até um dia antes da data programada para a realização da transação, todos os agendamentos feitos podem ser consultados (cancelados ou alterados).

Lembrando que caso um determinado título envolvido na plataforma do TD deixe de ser ofertado, o investidor será avisado por e-mail e, nesse sentido, poderá refazer a programação.

Caso não altere o agendamento, a transação será cancelada.

Por fim, é muito importante reforçar que as funcionalidades do “Investimento Programado” são disponibilizadas de acordo com cada instituição financeira habilitada no programa do Tesouro Direto.

Títulos disponíveis no Tesouro Direto

Antes de mais nada, convidamos a todos que nos acompanham a usarem o Simulador no próprio web site do TD, através de uma aplicação bastante interessante que consegue mostrar resultados consolidados em diversos tipos de produtos de renda fixa disponíveis no mercado (CDBs, LCIs, etc.).

É importante ter em mente que a “comparação entre pares” é uma das formas mais inteligentes de se fazer escolhas neste universo de investimentos.

E esta ferramenta traz comparativos de forma simples, didática e, acima de tudo, de maneira bem completa e adequada à grande maioria dos investidores que buscam alternativas mais eficientes para alocar seu capital com segurança e bom retorno.

Vejamos então os títulos que são disponíveis para se realizar investimentos através do Programa (Plataforma) do Tesouro Direto:

Tesouro Selic – LFT

Este título segue as variações da Taxa Selic (taxa de juros básica da economia) sendo considerado, portanto, um título 100% pós fixado e não há pagamento de cupom de juros semestrais.

A sua dinâmica é bem simples: Se a Selic subir, o retorno dele aumenta. Se a Selic cair, o retorno diminui.

A rentabilidade é apurada em função da variação total da Selic desde a compra até o vencimento do título.

Entendemos que este tipo de título seja o mais adequado para investidores iniciantes no Programa do TD, visto que o seu valor de face não sofre alterações em função destas flutuações em caso de resgates antecipados.

Na prática, isso significa que o investidor poderá vender o título, a qualquer tempo, sem perdas significativas, garantindo o retorno acumulado líquido até aquele momento.

Tesouro Prefixado – LTN

Este título segue uma dinâmica que exige melhor entendimento por parte dos investidores, especialmente em caso de resgates antecipados.

Ele é 100% prefixado, portanto, no momento da compra, o TD irá fixar (combinar) uma taxa conforme a dinâmica de mercado de juros no Brasil. Esta taxa não tem, necessariamente, o mesmo retorno da Selic, visto que são taxas voltadas ao mercado de “juros futuros”.

O pagamento é feito apenas no vencimento do título, que, via de regra, ocorre no primeiro dia de janeiro. Não há pagamento de cupons de juros. Em caso de resgate antecipado, o Tesouro Direto irá mostrar, diariamente, no extrato, o valor líquido a ser creditado. Lembre-se que este valor sofre flutuações diárias.

Algumas vezes pode até parecer que o investidor esteja “perdendo” dinheiro. Sim, isso pode acontecer.

Mas, de novo, apenas em caso de resgates antecipados. Caso o investidor carregue o título até o vencimento, valerá a taxa que foi combinada no momento exato da compra.

Vale lembrar que vender títulos prefixados de forma antecipada pode gerar perdas, mas também ganhos bem acima do esperado. Isso vale não só para este tipo de título, mas para todos os outros que possuem alguma parcela prefixada.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais – NTNF

Este tipo de título funciona exatamente igual aos moldes do anterior (Tesouro Prefixado). A diferença central é o fato de que são pagos, semestralmente, cupons de juros (janeiro e julho).

Estes títulos são recomendados para aqueles que estão em fase de fruição de renda e querem receber os juros parcelados a cada 6 meses a fim de usar para as próprias despesas ou objetivos que são planejáveis dentro do ano para o orçamento pessoal.

A grosso modo e como forma didática de comparação, o pagamento destes cupons de juros  é similar ao recebimento do aluguel de um imóvel. A diferença é que, no caso de aluguel, a renda é mensal. Aqui no TD, eles são pagos semestralmente.

Já em caso de resgate antecipado, é possível que também ocorram flutuações.

Atenção para não confundir pagamento de cupom de juros com eventuais resgates antecipados. Os cupons possuem taxas pré-determinadas.

Tesouro IPCA+ – NTNB Principal

Seguindo a própria nomenclatura, este título tem rentabilidade relacionada à Inflação (IPCA) acrescido da taxa de juros que foi definida no momento da compra.

Cabe reforçar que o IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que é o principal indicador de inflação do país, medido pelo IBGE.

Portanto, ao comprar Tesouro IPCA+, o investidor terá proteção “real” contra a inflação até o vencimento, fazendo com que este ativo seja um dos mais procurados pelo mercado da lista de títulos disponíveis no Programa.

Uma questão importante a ser esclarecida neste título é que ele é composto entre rentabilidade pós-fixada (inflação) e prefixada (juros). Portanto, não há como saber a taxa de fato até o vencimento.

O pagamento total é feito “apenas” no vencimento. É por isso que carrega o nome “Principal” em seu título.

Obviamente, todas as regras para venda antecipada são válidas para este título da mesma forma.

É importante lembrar, ainda, que este título é um dos mais negociados pela grande maioria dos investidores que buscam investir com foco no longuíssimo prazo.

Em primeiro lugar, pelo fato de ser um título que tem proteção real contra a inflação ao longo do tempo, sobretudo quando se faz planejamentos previdenciários.

E também, estes títulos possuem vencimentos bem longos, superiores a 20 anos, por exemplo, o que facilita bastante a formação e manutenção da carteira.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais – NTNB

O título tem a mesma dinâmica do anterior (Tesouro IPCA+), mas com a diferença de que são pagos, semestralmente (fevereiro e agosto), os cupons de juros, que poderão ser reinvestidos no mesmo ou em outros títulos (e produtos financeiros) e, claro, os recursos podem ser usados para despesas pessoais.

Perceba, portanto, que os “Juros Semestrais” são alternativas para aqueles que precisam de alguma forma de parte do capital até o vencimento.

A vantagem aqui é que fica garantido o poder de compra, ao longo do tempo, do Valor Principal que foi investido, e pôde-se usufruir, durante o período da renda, com correção da inflação.

Perceba que é mais um título que pode ser usado em fase de Acumulação e Fruição de Renda.

Em geral, o pagamento do cupom de juros semestrais representa a correção da inflação acrescida de aproximadamente 3% por semestre, lembrando que há incidência de Imposto de Renda, com base na Tabela Regressiva já explicada no início deste artigo.

Tabela Resumo (Títulos)

Como a quantidade de informação é grande neste primeiro momento, veja esta Tabela-Resumo em referência aos tipos de Títulos Públicos disponíveis no Programa do Tesouro Direto para que possa facilitar os estudos iniciais.

Tabela Resumo de funcionamento do Tesouro Direto

Fonte – Tesouro Nacional

É importante perceber que o Tesouro Direto passou por um processo de simplificação na comercialização dos títulos disponíveis no Programa, justamente para que este tipo de investimento possa se popularizar ainda mais.

Os nomes ficaram mais didáticos e os vencimentos foram melhor adequados para que possam atender a todos os tipos de perfis e necessidades dos investidores de mercado.

Some a isso o fato de que tivemos também uma real evolução da plataforma, com simplificação visual e usabilidade adequada para que a movimentação financeira ocorra de forma assertiva.

Outras Considerações Importantes

Este artigo teve como objetivo principal abordar os principais pontos que devem ser conhecidos a partir do momento em que um investidor convencional decide sair da zona de conforto (inércia) e buscar investimentos mais consistentes para uma estratégia de longo prazo.

O Tesouro Direto é um produto de renda fixa. É bem simples, mas está bem longe de ser simplório.

Pelo contrário.

Com o devido conhecimento necessário, é perfeitamente possível criar estratégias consistentes para realização de seus sonhos ao longo de sua vida.

Nesse sentido, nos sentimos na obrigação de, cada vez mais, trazer conteúdos educativos e bem formatados para todos a fim de que o mercado de capitais no Brasil possa se desenvolver da forma como acreditamos.

Estamos certos de que o TD é um dos investimentos mais democráticos no país. Reforçamos o ponto central de que, em um grande banco de varejo, para se conseguir investir a taxas “generosas” é necessário ter algumas centenas de milhares de reais.

No TD, são R$ 30,00, portanto, não há desculpa para ao menos “tentar”.

Experimente!

Uma forma interessante de se calcular o retorno total, ao investir no Tesouro Direto, pode ser feita através da Calculadora que é encontrada na própria plataforma.

Faça disso um desafio pessoal, e não temos dúvida de que a surpresa será positiva pelo fato de que todo processo, desde a abertura da conta até o vencimento, se dará de maneira ágil e prática.

Tudo é uma questão de Planejamento e Atitude.

Comece por títulos que tenham menor volatilidade e vencimentos mais curtos.

Não irá demorar muito para perceber que a plataforma é intuitiva no sentido de proporcionar segurança ao investidor.

E daí é só mesmo uma questão de ter atitude para buscar investir com títulos mais longos e formar uma carteira com mais consistência.

Uma dica importante é: Se não for usar o fluxo semestral (cupons de juros), opte por títulos que tenham pagamento apenas no vencimento, visto que você estará adiando o pagamento do Imposto de Renda e, portanto, tendo um retorno acumulado superior.

O Tesouro Direto é também um programa educativo, pois disciplina (e incentiva) o investidor a ser mais diligente em suas escolhas e aprenderá a dar mais valor ao próprio capital, em busca de alternativas com custos menores, com a devida segurança.

É curioso perceber que, com o tempo, o investidor fará, naturalmente, comparações entre as opções disponíveis no mercado, e ficará cada vez mais evidente que o Tesouro Direto é uma alternativa acessível e eficaz, que poderá ser usada com muita versatilidade.

Ainda com relação à rentabilidade dos títulos ofertados no Programa do TD, o portal do Tesouro Direto tem sempre uma tabela com Preços e Taxas que estão sendo negociados (disponíveis) naquele momento exato na plataforma, tanto para quem deseja “Investir” quanto para quem queira “Resgatar”.

Uma das áreas mais acessadas no TD é justamente a possibilidade de se buscar a Rentabilidade Acumulada dos títulos, para que os investidores tenham uma boa noção do retorno histórico dos títulos atuais (e anteriores).

Claro que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, mas de toda forma, o investidor terá uma visão de que investir em títulos públicos é, sim, uma alternativa a se considerar em uma carteira diversificada.

Em tempo: o Portal do Investidor, que poderá ser acessado diretamente pela plataforma, é muito intuitivo e didático no que se refere a mostrar, com extrema transparência, todos os custos e valores líquidos que estão disponíveis ao investidor.

Esta foi mais uma conquista trazida ao mercado e que, cada vez mais, reforça o laço de confiança entre o Investidor e o Tesouro Nacional.

Tesouro Direto – Consideração Final

Fica aqui registrado o nosso compromisso de falarmos mais sobre este tão importante produto, nesta nova “vertical” sobre Tesouro Direto na Suno Research, e com a determinação necessária de trazer conteúdo de qualidade e efetivamente útil para se investir com segurança e conforto.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.