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Taxa Referencial: Expressiva variável que influencia diversas aplicações

By 15 de dezembro de 2017 No Comments

Dentre os diversos termos presentes no universo dos investimentos, existe um indexador bastante utilizado em nossa economia, mas que, ao mesmo tempo, é muito pouco conhecido pelas pessoas, que é a Taxa Referencial.

A Taxa Referencial é utilizada no cálculo do rendimento da Caderneta da Poupança, em empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), dentre outras operações.

Taxa Referencial – Histórico

Criada em 1991, no Plano Collor II, a Taxa Referencial, comumente referenciada como TR, foi estipulada com a intenção de ser uma taxa básica referencial dos juros a serem praticados em um mês específico.

Dessa forma, esse mecanismo foi desenvolvido visando-se a desindexação da economia e o combate à inflação, e o seu objetivo era evitar que a taxa de juros do mês corrente refletisse a inflação do mês anterior.

Então, dessa forma, o intuito era exatamente controlar a inflação e também indexar a economia como um todo.

Taxa mensal

Um ponto bem relevante a respeito deste indexador está no fato do mesmo ser sempre expresso em taxa/mês, diferentemente das taxas CDI ou da taxa Selic, por exemplo, que são sempre expressas em anos.

Vale ressaltar, ainda, que essa taxa é calculada e divulgada diariamente pelo Banco Central, através de seu portal na internet.

Cálculo da TR

Esse índice é derivado de uma outra taxa, chamada de Taxa Básica Financeira (TBF), que nada mais é do que uma média ponderada da taxa prefixada dos CDB’s e RDB’s das 30 maiores instituições financeiras do Brasil neste tipo de captação, excluindo-se as duas de maior e menor taxa.

Sobre o resultado dessa operação, o Banco Central aplica um Fator Redutor (R), que varia mensalmente, de acordo com a preferência do Governo.

Em outras palavras, para cada TBF, obtém-se a TR através da aplicação de um Fator Redutor que costuma variar mês a mês.

A fórmula da Taxa Referencial é simples de se usar

Fórmula de cálculo da Taxa Referencial

Vale destacar que o Fator Redutor tem por objetivo descontar a porcentagem equivalente à parte real dos juros em questão.

Então, por conta do Fator Redutor, a Taxa Referencial não reflete, totalmente, os CDB’s e RDB’s através dos quais ele é baseado, e sim apenas uma parte destes parâmetros.

Por meio da equação acima, fica possível perceber que, para aquelas pessoas que possuem aplicações indexadas à TR, é necessário que uma atenção importante seja demandada, pois a taxa de rendimento, normalmente, é muito abaixo da que outras aplicações do mercado, como CDI e Selic, por exemplo, fornecem.

Porém, para quem tem interesse em tomar um crédito ou um financiamento, para qualquer que seja o seu fim, é uma posição importante, sempre que possível, que se solicite o indexamento desse capital ao TR pois, dessa forma, taxas de juros mais em conta serão cobrados por parte da instituição credora em cima do valor cedido.

Conclusão

É sempre importante procurar entender melhor a dinâmica do mercado financeiro como um todo.

Por conta disso, aqueles investidores que possuem maior conhecimento acerca de todas as variáveis presente nesse dinâmico universo certamente tenderão a apresentar melhores resultados ao longo do tempo e, neste sentido, estar ciente da Taxa Referencial e toda a sua dinâmica de aplicabilidade se faz de um conhecimento bastante relevante no espaço de tempo consideravelmente longo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.