Você sabe o que significa a Taxa Referencial, também abreviada como TR? Não confunda com a Taxa básica de juros, a taxa Selic.

A Taxa Referencial é utilizada no cálculo do rendimento da Caderneta da Poupança, em empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), dentre outras operações. A TR é dada como uma porcentagem mensal e é calculada pelo Banco Central e divulgada diariamente.

  1. Qual a origem
  2. Como calcular
  3. TR e a poupança
  4. TR e a inflação
  5. TR hoje em dia
  6. Aplicações da TR
  7. Livros recomendados
  8. Conclusão

Origem da Taxa ReferencialO que e Taxa Referencial

Criada em 1991, no Plano Collor II, a TR foi estipulada com a intenção de ser uma taxa básica referencial dos juros a serem praticados em um mês específico.

Na década de 90, o Brasil sofria de hiperinflação, que alcançou mais de 2400% em 1993, por exemplo.

Nessa época era comum que os salários fossem reajustados automaticamente pela inflação, ou seja, eram indexados a esse índice.

O problema disso é que essas correções automáticas muitas vezes serviam de combustível para um novo aumento de preços.

Dessa forma, esse mecanismo da TR foi desenvolvido visando a desindexação da economia e o combate à inflação.

Além disso, o seu objetivo era evitar que a taxa de juros do mês corrente refletisse a inflação do mês anterior.

Mas hoje em dia a TR não é a referência nacional das taxas de juros. Quem cumpre esse papel é a taxa Selic.

Apesar disso, a TR ainda possui três funções importantes:

  1. Remunerar alguns investimentos da Renda Fixa
  2. Remunerar o saldo do FGTS
  3. Atualizar financiamentos imobiliários

Então vamos começar aprendendo como calcular a TR.

Cálculo da Taxa Referencial

cálculo da taxa referencialUm ponto bem relevante a respeito da TR está no fato da mesma ser sempre expressa em percentual mensal, diferentemente das taxas CDI ou a taxa Selic, por exemplo, que são sempre expressas em porcentagens anuais.

Vale ressaltar, ainda, que essa taxa é calculada e divulgada diariamente pelo Banco Central, através de seu portal na internet.

Mas o cálculo da TR não é tão simples e direto assim.

E, na prática, nenhum investidor precisa calcular esse valor por conta própria.

Contudo, para fins didáticos, vamos mostrar como se faz.

A TR é dada pela seguinte Fórmula:formula Taxa referencial

Em outras palavras, para cada TBF (Taxa Básica Financeira), obtém-se a TR através da aplicação de um fator redutor (R) que costuma variar mês a mês.

Mas caso o valor calculado acima dê negativo, então a TR será igual a 0.
Portanto, a TR nunca pode ser um valor negativo.

De fato, podemos mostrar matematicamente que sempre que a TBF fica abaixo de 0,649% ao ano, a TR se torna 0.

Atualmente, este é o caso, como mostramos abaixo neste gráfico:

TR e TBF

TR (laranja), TBF(verde)

A sigla TBF representa a Taxa Básica Financeira.

Essa taxa também é calculada pelo Banco Central a partir das taxas vigentes dos títulos pré-fixados LTN (Letra do Tesouro Nacional).

Ou seja, sempre que as taxas de juros no país caem, a TBF, e por consequência, a TR, também diminuem.

O contrário também é verdadeiro em um cenário de alta de juros.

A fórmula específica da TBF é cheia de detalhes e, por isso, iremos omitir neste artigo.

Já o denominador R representa o redutor da fórmula.
R é dado por:formula R
Esse fator b depende do valor da TBF. Portanto, veja a seguinte tabela:tabela bAssim, perceba que esse fator b atinge o valor mínimo de 0,23 e o máximo de 0,48.
Mas como você pode perceber no gráfico acima, a TBF está abaixo de 0,76% ao mês (9,5% ao ano) desde a metade de 2017.
Portanto, o fator b vem assumindo o valor de 0,23, correspondente à última faixa.

TR e poupança Taxa referencial e poupanca

Como explicamos anteriormente, quando a Taxa Referencial foi criada, um dos propósitos era servir como uma referência de taxa de juros para desindexar os salários e ajudar no combate à hiperinflação.

Contudo, a inflação diminuiu drasticamente a partir de 1995 e, portanto, essa taxa perdeu sua função inicial.

De fato, hoje em dia a TR é mais utilizada para remunerar investimentos e corrigir financiamentos imobiliários.

E aqui no Brasil todos lembram da TR no contexto da Caderneta de Poupança, ou apenas Poupança.

A poupança sofreu mudanças na forma como era remunerada.

Mas apesar disso, a TR sempre fez parte do cálculo da sua rentabilidade.
Para todos os depósitos realizados até 03/05/2012, a remuneração da Poupança era de 0,5% + TR.

E para os depósitos realizados a partir de 04/05/2012 (legislação vigente), a remuneração da poupança é baseada em dois cenários:

  • Remuneração = 0,5% + TR, se a meta da Selic for maior do que 8,5%.
  • Remuneração = 70% da Selic + TR, se a meta da Selic for menor ou igual a 8,5%.

Mas eu queria chamar atenção a respeito da TR.

TR e inflaçãoTR e ipca

Muita gente acredita que a poupança sempre é corrigida pela inflação através da TR.

Mas isso não costuma ser verdade!

E como podemos ver no gráfico abaixo, existiram diversos meses em que a poupança perdeu para inflação.

Poupança e IPCA

Remuneração da poupança (laranja), Inflação – IPCA (verde)

Já no gráfico abaixo mostramos a comparação da Taxa Referencial acumulada no ano com o IPCA.Taxa referencial e IPCA
Percebam que apenas em 95, 97 e 98, a TR foi maior do que a inflação.

Ou seja, faz mais de 19 anos em que essa taxa não acompanha o aumento dos preços.

Já neste gráfico abaixo você pode ver essa comparação em outro formato.TR e inflacao

Acima fizemos uma comparação da seguinte forma:

No gráfico em vermelho está a correção de R$ 100 pela inflação, começando no ano de 1995.

Já no gráfico em azul esses mesmos R$ 100 são corrigidos pela TR.

Percebam que após 22 anos, o valor corrigido pela inflação se tornou R$ 469,56 enquanto a correção pela TR gerou apena R$ 241,14.

Ou seja, claramente a Taxa Referencial corrigiu os cem reais muito abaixo da inflação.

Neste exemplo que mostramos aqui, a perda do poder de compra seria de quase metade do dinheiro.

Por isso, espero que tenha ficado bem claro que a TR nada tem a ver com a correção pela inflação. Longe disso.

TR hoje em diaTR hoje em dia

Na prática, a TR está cada vez menor, pois a taxa Selic, e por consequência, a TBF, vêm diminuindo bastante nos últimos anos.

De fato, atualmente a TR está em 0%.

Ou seja, a remuneração da poupança é simplesmente de 70% da Selic.

Por isso, para aquelas pessoas que possuem aplicações indexadas à TR, é necessário que uma atenção importante seja demandada, pois a taxa de rendimento, normalmente, é muito abaixo da de outras aplicações do mercado.

Um exemplo são as LCI ou LCA que pagam mais de 70% do CDI.

Outra opção é o Tesouro Selic. Este é um título público mais seguro do que a Poupança e que rende mais.

E se você deseja buscar ganhos bem acima da Selic, inevitavelmente terá que começar a investir na Renda Variável.

Para lhe ajudar, o sócio fundador da Suno Research, Tiago Reis, preparou um podcast especial, dando conselhos para o investidor iniciante.

Está logo abaixo:


TR e outras aplicaçõesTR e outras aplicações

Continuando o nosso estudo da TR, essa taxa também é utilizada para quatro outras finalidades:

  • Títulos de Capitalização
  • Remuneração do FGTS
  • Atualização de financiamento imobiliário
  • Títulos públicos

Títulos de capitalização

Então vamos começar falando dos Títulos de Capitalização

Esse tipo de aplicação financeira costuma ser remunerada de forma parecida com a poupança, ou seja, incluindo a Taxa Referencial.

Mas vale destacar que títulos de capitalização são uma péssima forma de investir, pois funcionam, na prática, como um jogo de apostas.

Remuneração do FGTS

Além dos títulos de capitalização, a TR também serve para remunerar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Até pouco tempo atrás, os recursos do FGTS eram remunerados à Taxa Referencial mais 3% ao ano.

Ou seja, essa era uma rentabilidade muito abaixo da poupança, e nem cobria a inflação.

Por esse motivo, houve uma mudança na regra do FGTS.

Agora, além da TR, os trabalhadores ainda terão direito a 50% do lucro do FGTS, o que irá aumentar a rentabilidade.

Financiamento Imobiliário

Ainda, a TR é muito utilizada na correção de saldos de financiamentos imobiliários, como os da Caixa Federal, por exemplo.

Assim, para quem tem interesse em tomar um crédito ou um financiamento, para qualquer que seja o seu fim, é uma posição importante, sempre que possível, que se solicite a indexação desse capital à TR, pois, dessa forma, taxas de juros mais em conta serão cobradas por parte da instituição credora em cima do valor cedido.

Títulos Públicos

E para terminar, uma curiosidade: Existem dois títulos públicos, chamados de NTN-H e NTN-P que possuem sua remuneração atrelada à Taxa Referencial.

Contudo, não é mais possível adquirir esses títulos.

Atualmente, existem opções de títulos muito melhores no Tesouro Direto.

Buscando novos investimentosbuscando novos investimentos

É muito importante que o investidor entenda que o cenário da Renda Fixa vem mudando no Brasil.

De fato, não é mais possível ter a mesma rentabilidade do passado apenas ganhando com os altos juros, acima da inflação e praticamente sem riscos.

Portanto, acreditamos que você deva começar a procurar soluções na Renda Variável.

Mas esse é um mercado com que o brasileiro tem menos familiaridade, e, por isso, o CEO e fundador da Suno Research, Tiago Reis, sugeriu cinco livros que todo investidor iniciante deveria ler.O vídeo e a transcrição estão logo abaixo:

Transcrição

  1. Pai rico pai pobre
  2. O jeito Warren Buffet de investir
  3. The little book that beats the market
  4. Fora da curva
  5. Faça fortuna com ações
[Olá, meu nome é Tiago Reis. Sou fundador da Suno Research, e no vídeo de hoje irei indicar cinco livros para o investidor iniciante.]

 

1º Livro: Pai Rico Pai Pobre

[O primeiro livro que recomendamos é o Pai Rico Pai Pobre.

A obra de Robert Kiyosaki ajuda a criar a mentalidade correta para lidar com as suas finanças. Ele contesta a educação formal que a maior parte das pessoas recebe ao lidar com seu dinheiro.

O livro trata de finanças pessoais, investimentos e contabilidade, elementos que são fundamentais à compreensão para aquele que busca a sua independência financeira.]

2º Livro: O jeito Warren Buffet de investir

[O segundo livro recomendado é o jeito Warren Buffet de investir.

O livro trata, de maneira simples e didática, o modelo mental que o Warren Buffet utiliza para tomada de decisão de investimento. Diferentemente da “Bola de Neve”, que também retrata a vida de Warren Buffet, este livro é mais focado no mercado, o que torna a sua leitura mais acessível e rápida.

3º Livro: The little book that beats the market

[Nosso terceiro livro recomendado é o The Little Book That Beats The Market.

Este livro foi escrito por Joel Greenblat e em português recebe o nome de “O mercado de ações a seu alcance”.

Ele é sem dúvida um dos livros de investimento mais populares do mundo.

Neste livro, Joel Greenblatt aborda a sua fórmula mágica, que leva em consideração fatores que o investidor deveria acusar em sua análise ao investir em ações.]

4º Livro: Fora da Curva

[O quarto livro que nós indicamos a leitura é o livro Fora da Curva.

O livro aborda a carreira e os métodos de investimento dos grandes investidores brasileiros, como Guilherme Afonso Ferreira e Luis Stuhlberger.

A leitura desse livro é rápida e objetiva, e te ajuda a entender como pensam os grandes investidores brasileiros.]

5º Livro: Faça Fortuna com Ações

[Por fim, recomendamos o livro Faça Fortuna com Ações, escrito por Décio Bazin.

O livro aborda a estratégia de investimentos de Décio Bazin, que foca em empresas que pagam mais de 6% de dividendos, e também não possuem endividamento elevado.

Este é um livro que faz muito sentido para o investidor que busca renda, e é um dos únicos livros indicados por Luiz Barsi, um dos grandes investidores do Brasil.]

Conclusão sobre a Taxa ReferencialConclusao taxa referencial

A Taxa Referencial é quase uma peça de museu aqui no Brasil. A hiperinflação do nosso país já foi controlada faz tempo.

Atualmente, o valor da TR é zero (pode conferir aqui).

E ao longo do tempo, a TR não conseguiu sequer cobrir a inflação.

De fato, acreditamos que a única vantagem da Taxa Referencial hoje em dia é conseguir empréstimos mais baratos.

Portanto, a Taxa Referencial deve ser considerada de pouca relevância quando estamos tratando de investimentos.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.