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Superávit Primário: objetivo a ser alcançado continuamente pelo Governo

By 15 de dezembro de 2017 No Comments
O Superávit Primário deve ser a meta de toda política monetária de um país

Muito se ouve nos noticiários e mídias especializadas em economia e finanças a respeito do Superávit Primário, porém diversas pessoas ainda possuem muitas dúvidas a respeito dessa definição bastante como no mercado financeiro.

Por conta disso, é muito importante para qualquer pessoa que tenha interesse em aplicar o seu capital e se tornar, com isso, um investidor, que se entenda muito bem o conceito de Superávit Primário.

Superávit Primário – Definição

A definição de Superávit Primário pode ser estabelecida como o recurso através do qual o Governo consegue economizar para poder pagar os juros da dívida pública.

Neste sentido, é interessante destacar que o Governo possui diversas fontes diferentes de receita, como por exemplo os impostos, tributos, taxas, contribuições sociais, lucros (leia-se dividendos) de empresas públicas das quais possui participação, dentre outras fontes.

Porém, não poderia deixar de ser mencionado que o Governo possui, também, altos percentuais de despesas, como por exemplo os investimentos públicos (educação, segurança, saúde, infraestrutura, etc.), pagamento de funcionários, custeio da máquina pública, entre outras.

Dito isso, pode-se acrescentar que a diferença entre estas receitas menos as despesas acima destacadas resultam no que é conhecido como Resultado Primário, que pode ser definido como o resultado antes do pagamento de juros.

Se o Resultado Primário for positivo, diz-se que ocorreu, no período, um Superávit Primário, ou seja, as receitas do Governo foram maiores que as despesas, naquele intervalo de tempo.

O contrário também é válido e, assim sendo, se o Resultado Primário for negativo, existirá, então, um Déficit Primário, ocasião na qual as despesas do Governo foram maiores que suas receitas naquele período.

Um exemplo prático

Em uma comparação didática, se existir um período em que uma pessoa gaste, em suas despesas caseiras, valores maiores que os que recebe de todas as suas fontes (salários, dividendos, participação em demais negócios, etc.), é coerente que se entenda que essa pessoa necessitará de buscar crédito em alguma instituição, ou seja, terá que fazer um empréstimo.

No caso de um país existe a mesma situação, porem em proporção bem maiores.

No caso de um Déficit Primário, por exemplo, o rombo pode ser coberto com reservas ou através de emissão de títulos públicos.

Em cenários como esse, é comum, também, que investidores exijam mais juros para comprar esses títulos do Governo e, assim, financiar a sua dívida, o que ocasiona, normalmente, um efeito bola de neve cada vez maior, gerando, assim, uma situação bastante desafiadora a ser superada pelo país se a situação não for controlada logo no início do processo.

Caso a situação acima não seja amenizada, a tendência é que se diminua a confiança na capacidade do Governo em saldar os seus compromissos, o que gera, na grande maioria das vezes, uma forte pressão no Banco Central para que haja um aumento na Taxa Básica de Juros, a Selic.

Numa situação dessas, os indivíduos que se encontrarem do lado produtivo e de consumo da economia encontrará um cenário de desafios, com aumento da dificuldade de captação de recursos e o encarecimento do crédito.

Entretanto, quem se posiciona como um investidor tenderá a se beneficiar, muito por conta do aumento natural que ocorre, com o aumento dos juros, nos rendimentos da maioria dos produtos de renda fixa.

Conclusão

Pode ser percebido que o objetivo de um país é sempre buscar o Superávit Primário, que, apesar de não ser uma tarefa fácil, é fundamental para o desempenho da economia de uma nação no decorrer do tempo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.