subprime
Por: Tiago Reis

Conheça a subprime, classificação para empréstimos arriscados

Subprime foi um termo popularizado com a crise mundial originada de 2008. As dificuldades se originaram nos Estados Unidos e se espalharam por outros atingindo diretamente o mercado financeiro global.

Especialistas apontam o subprime como um dos elementos geradores da crise, devido à sua característica de alto risco.

O que é subprime?

Subprime é uma classificação ligada a empréstimos de segunda linha, que possuem maior risco de inadimplência que o convencional. Isso porque são oferecidos, por uma taxa consideravelmente mais alta, a pessoas físicas que não se encaixam nas condições para as taxas normais (prime rate).

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Essa classificação decorre de fatores como possuir um score de credito baixo, devido a problemas de pagamento de dívidas pregressos. Também, a ausência de garantias de pagamento como posse de ativos e de fonte de renda contribui para essa avaliação.

Uma categoria desse tipo de empréstimo no período pré-crise mundial era conhecido como NINJA. O nome é um acrônimo da expressão No Income No Job no Assets (sem rendimentos, sem emprego, sem ativos, em tradução livre), referência à condição dos solicitantes. Com as mudanças na legislação no pós-crise, essa modalidade praticamente desapareceu.

O termo subprime, contudo, está fortemente associado ao financiamento por meio de hipotecas subprime. Isso por causa da modalidade ter tido papel importante na crise financeira de 2008 – também chamada de crise do subprime.

Hipoteca é um empréstimo em que um imóvel é dado como garantia do pagamento de um financiamento ou dívida. Ou seja, se caso a pessoa que fez o financiamento não honrar a dívida, o credor terá o direito de transferir o bem do devedor para seu nome.

No caso das hipotecas subprime, essa linha tem taxas maiores que as  tradicionais. E ela é ofertada quando a capacidade de crédito da pessoa para uma hipoteca tradicional já foi excedida.

A crise de 2008

Os subprimes são apontados por analistas como um dos fatores causadores da crise econômica que afetou o mundo em 2008. A interpretação é que a falta de regulamentação adequada permitiu que instituições nos Estados Unidos concedessem crédito de baixa qualidade em um nível que afetou o sistema financeiro mundial.

O mercado imobiliário americano estava em um momento de pico nos preços em meados dos anos 2000. Esse movimento de alta é creditado por especialistas como fruto de especulação. Porém, com o estouro dessa bolha imobiliária, os preços caíram.

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Com a desvalorização das propriedades, muitas pessoas passaram a ter dificuldade em conseguir os empréstimos que necessitavam para o refinanciamento de suas hipotecas.

Grande parte das hipotecas subprime concedidas no período tinham taxa de juros variável, relacionada às condições do mercado imobiliário. Com a movimentação no preço das propriedades, essas taxas passaram a subir.

O aumento da inadimplência

Com o aumento nas parcelas das hipotecas, muitas pessoas passaram a ter dificuldade em honrar os compromissos. O problema foi amplificado porque havia um volume alto de empréstimos concedido a pessoas que ofereciam alto risco de inadimplência (e buscaram, portanto, os subprimes).

A dívida das hipotecas era securitizada e então negociada por grandes instituições financeiras. Com a onda de inadimplência, o valor desses títulos desabou. Esse movimento fez as instituições aumentarem as restrições ao crédito, causando uma crise de liquidez em cascata, que afetou grande parte da economia mundial.

Os impactos da crise do subprime no Brasil, refletiram na bolsa de valores brasileira, isso em um primeiro momento. Por fim outro reflexo da ação do subprime para o Brasil foi a diminuição do Produto Interno Bruto (PIB) ,por causa da diminuição das exportações. Essa queda de receita afetou também o setor produtivo nacional e o mercado financeiro local.

Foi possível saber mais sobre subprime com este artigo? Escreva suas dúvidas nos comentários.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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