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    Stanley Druckenmiller: 30% ao ano, mesmo com falhas (Parte II)

    Como prometido ontem, continuarei a história de Stanley Druckenmiller, abordada com detalhes no livro de Michael Batnik. Mostrarei as falhas cometidas pelo bilionário, em sua carreira, e os eventos que o fizeram atingir retornos médios de 30% ao ano durante 30 anos.

    A performance de Druckenmiller na Black Monday

    Na primeira metade de 1987, Stanley estava confiante em sua tese de compra, enquanto as ações estavam subindo bastante. O Dow Jones já havia atingido novas máximas por 33 vezes em tal ano. Em agosto, o índice acumulava uma alta aproximada de 45%.

    Incrivelmente, mesmo começando o dia posicionado na famosa Black Monday, em outubro de 1987, Druckenmiller foi capaz de lucrar. No começo do dia, foi prejudicado pela queda, mas, após o almoço, ainda durante a queda do mercado, ele mudou de estratégia.

    Ao final das contas, cerca de três dias depois da fatídica segunda-feira, ele havia obtido retornos de 25% com sua nova estratégia.

    Vale lembrar que, neste crash de 1987, o Dow caiu 22,6% em um dia. Trata-se da pior queda, em um único dia, da história do mercado americano. Mesmo assim, Druckenmiller lucrou.

    De fato, ele estava jogando em um nível que pouquíssimos tinham capacidade para alcançá-lo.

    Aliado a George Soros, Druckenmiller aposta contra o Nikkei e a Libra Esterlina

    Seu trabalho dos sonhos, no entanto, era ao lado de George Soros. Logo após conquistar este posto, sendo chamado para o fundo Quantum, em 1989, Druckenmiller abriu um short contra o mercado de ações japonês. Stanley considera este evento como o melhor risco/retorno que já viu.

    Quase 30 anos depois, o índice Nikkei ainda está cerca de 50% abaixo do seu pico de 1989.

    Em agosto de 1992, foi a vez de abrir short contra a Libra Esterlina. À época, o fundo possuía US$ 7 bilhões em ativos sob gestão. Stanley estava confiante em sua tese, decidindo vender US$ 5,5 bilhões em Libras, colocando o dinheiro no Marco Alemão.

    George Soros resolveu aumentar a aposta de Stanley, considerando que seria, certamente, uma aposta vencedora. Assim, o Banco da Inglaterra precisou gastar US$ 27 bilhões em um esforço para defender sua moeda.

    Mesmo assim, o Banco não foi capaz de resistir ao ataque de venda do fundo. Quando o crash da Libra aconteceu, Soros e Druckenmiller ganharam um bilhão de dólares. Tudo isso em uma única operação.

    Nos anos de 1989 a 1993, Druckenmiller proporcionou retornos anuais de 31,5%, 29,6%, 53,4%, 68,8% e 63,2%, em cada ano do período, nesta ordem.

    As falhas de Stanley Druckenmiller

    No entanto, nem tudo que Stanley toca vira ouro. Em 1994, apostou US$ 8 bilhões contra o Yen, perdendo US$ 650 milhões em dois dias. Neste ano, o fundo deu um retorno de apenas 4%. Apesar de ser um retorno acima do Dow Jones e do S&P 500, não era o que seus investidores estavam acostumados a ver.

    Em 1998, o fundo perdeu US$ 2 bilhões na Rússia. Ainda assim, proporcionou um retorno de 12,4% no ano.

    Em 1999, ele fez uma aposta de US$ 200 milhões contra as ações de Internet. Ele considerava que estavam supervalorizadas. Porém, algumas semanas depois, elas ficaram muito mais caras, chegando ao ponto de custar ao fundo US$ 600 milhões. Em maio, Stanley já acumulava uma queda de 18% no ano.

    Então, contratou dois traders jovens, do mesmo modo como foi contratado 20 anos antes. Assim, seu ano foi salvo com a ajuda dos novos trabalhadores, que levaram os retornos do período a 35%.

    Os negócios de Internet não estavam dentro do círculo de competência de Stanley, ele não os compreendia plenamente. Stanley reconheceu este equívoco e resolveu retornar para onde ele possuía vantagem: macroeconomia global.

    Assim, Stanley estava confiante na subida de uma nova moeda: o Euro. No entanto, a situação foi para o lado contrário. Para piorar, o investidor olhava em agonia para as ações de tecnologia que ele havia vendido. Suas cotações cresciam cada vez mais.

    Como se não bastasse, ao observar seus jovens traders ganhando dinheiro com estas ações, Stanley foi guiado pelas emoções. Novamente, ele colocou dinheiro no negócio.

    O estouro da bolha da Internet

    Antes da bolha estourar, Druckenmiller sinalizou que sabia que deveria sair. Apesar disso, ele não saiu. Muito pelo contrário, ele comprou ações da VeriSign a US$ 50 por ação. Posteriormente, quando a cotação chegou a US 240, ele investiu mais US$ 600 milhões.

    Soros não estava confiante no case, queria reduzir a participação do fundo após uma queda considerável. Stanley, no entanto, estava firme em sua tese.

    Quando a bolha estourou, o índice NASDAQ caiu 34%, apenas 25 dias após sua máxima. E a VeriSign foi junto para o mesmo lugar. O fundo de Soros estava acumulando uma queda de 21% no ano, perdendo também vários bilhões de dólares em ativos sob gestão.

    Existe uma grande diferença entre um investimento ruim e um erro tolo. Não faltava conhecimento para Druckenmiller. Ele sabia que não deveria fazer aquilo que fez, portanto, seu erro foi tolo. Sua decisão foi baseada completamente em suas emoções.

    Além de ter entrado em um investimento que estava fora de seu círculo de competência, Stanley Druckenmiller foi guiado pelo sentimento ruim de ver outros investidores conseguindo retornos extraordinários, enquanto seu fundo mostrava retornos de um dígito.

    Stanley Druckenmiller é mais um investidor que nos prova que, mesmo cometendo erros, podemos ter retornos acima da média. Ainda assim, fica a lição de que devemos entender bem de um assunto antes de fazê-lo. Além disso, é preciso cuidado ao olhar a grama do vizinho, para não ficarmos tentados a tomar atitudes inadequadas.

    Tiago Reis
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    2 comentários

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    • Victor Leon Ades 23 de agosto de 2019

      Uma história muito interessante e um bom aprendizado. Parabéns pelo texto e grato por campartilhar.

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    • João Paulo 11 de outubro de 2019

      Interessante. Já tenho acompanhado a história dele há um bom tempo, desde o Market Wizards. Apenas complementando, para clarificar, os 30% a.a. foram obtidos por ele no Duquesne, que ele manteve mesmo enquanto trabalhava com o Soros. Outra coisa interessante é que, mesmo com os erros, ele nunca teve um ano completamente negativo.

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