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    Seu bolso deve ser a foz de uma bacia de recursos

    O Córrego Proença passa tão despercebido na paisagem urbana de Campinas, que mais parece um canal que não dá conta das águas das chuvas que volta e meia inundam a Avenida Princesa d’Oeste. Seu nome original indica o seu porte diminuto: Lavapés.

    Então o Proença se junta ao Córrego Serafim para formar o Ribeirão das Anhumas, na tentativa de encontrar a zona rural da grande metrópole. Adornado por pedras e espremido por matas ciliares de extintas fazendas de café, o Anhumas é tão estreito e raso que pode ser atravessado por algumas passadas.

    A vontade de ser rio se manifesta no encontro com outro ribeirão, o das Pedras, no charmoso Distrito de Barão Geraldo, onde fica a Unicamp. De repente, ambos deságuam no Rio Atibaia, já no município de Paulínia, onde funciona a maior refinaria de petróleo da América Latina.

    GERAÇÃO DE ENERGIA

    Poucos quilômetros depois, na região da antiga Fazenda do Funil, entre Cosmópolis e Americana, o Rio Atibaia ganha a parceria do Rio Jaguari, que por sua vez já havia incorporado as águas do Rio Camanducaia, nascido lá no sul das Minas Gerais.

    Ali, os pescadores já devem tomar cuidado com as corredeiras que levam os desavisados para poços profundos, antes de formar a represa que alimenta uma pequena usina hidrelétrica, cujo paredão de concreto armado pare o Rio Piracicaba, cantado em prosa e verso na famosa música caipira.

    O Rio Piracicaba é o maior afluente do Rio Tietê, que por sua vez corta praticamente todo o Estado de São Paulo, nascendo em Salesópolis, no rodapé da Serra do Mar, mas correndo teimosamente em direção ao interior.

    Fonte de riquezas para numerosas cidades e responsável pela colonização dos sertões paulistas, o Tietê possui até hidrovia suportada por eclusas, além de abastecer pouco mais de uma dezena de barragens e suas usinas.

    O BERÇO DE UMA EMPRESA BINACIONAL

    Na esquina com o Mato Grosso do Sul, no lago formado pela barragem de Jupiá, o Tietê entrega suas águas para o Rio Paraná, tão importante que dá nome a um dos estados mais progressistas do Brasil. O Paraná é o segundo maior rio da América do Sul: só perde para o Rio Amazonas.

    Uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo, a Itaipu, se vale do potencial do Rio Paraná para gerar energia para dois países: Brasil e Paraguai. Em Foz do Iguaçu, o Paraná se encaminha compondo a divisa do Paraguai com a Argentina. “Argentina” vem de “argento”, um elemento químico popularmente conhecido como “prata”.

    O RIO QUE BATIZA UMA NAÇÃO

    Não por acaso, quando o Rio Paraná se abraça com o Rio Uruguai, eles formam o Rio da Prata, tão largo que se confunde com o mar que se abre para o Oceano Atlântico, cujos portos despacham e recebem mercadorias em Buenos Aires e Montevidéu – as capitais de Argentina e Uruguai, que já foi província da Cisplatina no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

    Se fizermos o caminho inverso para conhecer todos os contribuintes do Rio da Prata, notaremos a diversidade de rios, ribeirões e córregos de quatro países. São centenas de córregos e ribeirões, e dezenas de rios das mais variadas bacias hidrográficas situadas em regiões de climas e culturas distintas.

    O Rio da Prata é tão largo que pode ser visto da Lua, mas se não fosse pelo Córrego Proença em Campinas, ele não teria o mesmo volume de água. Você pode pensar que, isoladamente, o Córrego Proença é desprezível, mas se tiver esse tipo de visão, nunca será um investidor de longo prazo bem-sucedido.

    A CORRENTEZA DOS JUROS COMPOSTOS

    Esta longa descrição sobre o percurso das águas de Campinas até o Oceano Atlântico ajuda a compreender a força dos juros compostos: quando um recurso – hídrico ou financeiro – se associa com outro, ele é favorecido por todos os contribuintes anteriores.

    Um pequeno investimento em ativos geradores de dividendos – seja em volume de água ou em montante de dinheiro – quando somado a outros para reinvestir a soma dos recursos, pode chegar até a foz em pleno oceano, ou em plena independência financeira, como queira.

    Do mesmo modo que o Rio da Prata não se forma apenas com a junção do Rio Paraná com o Rio Uruguai, mas da incorporação de vários rios menores, nossa carteira de investimentos deve ser igualmente diversificada ao longo do tempo, na mesma proporção das fontes de recursos presentes na grande bacia que deságua no Oceano Atlântico entre Punta del Este no Uruguai e Punta Rasa na Argentina. Nesta comparação, o seu bolso deve ocupar o lugar do mar.

    A ESTRATÉGIA “RIO DA PRATA” PARA INVESTIR NA BOLSA DE VALORES

    O investidor que deseja compor uma carteira previdenciária no longo prazo, a partir da renda passiva obtida com ativos disponíveis em bolsa de valores, pode iniciar sua jornada mesmo com poucos recursos. Os aportes, porém, devem ser frequentes em ações de empresas boas pagadoras de dividendos e cotas de fundos imobiliários consolidados.

    Todos os proventos obtidos com os papéis do mercado de capitais devem ser reinvestidos juntos com os novos aportes. No começo, o fluxo de caixa gerado pode ser diminuto, mas a repetição das operações formará um volume de recursos considerável ao longo do tempo.

    Se o Ribeirão das Anhumas percorre apenas 23 quilômetros, o Rio Tietê ultrapassa um milhar deles. Já o Rio Paraná percorre quase cinco mil quilômetros antes de desaguar no Rio da Prata. Neste longo trajeto, estes rios recebem as águas de diversos rios menores. De modo semelhante ocorre a acumulação de valores de quem investe com essa estratégia.

    COMEÇAR AOS POUCOS E DIVERSIFICAR

    O investidor no início de uma jornada pode pensar: “O que um lote de cem ações pode fazer por mim? Pagar-me centavos de real duas ou três vezes por ano?”

    Ocorre que um lote de ação pode se encontrar com outro no mês seguinte e, seis meses depois, o volume de investimentos pode ser maior. Além disso, não podemos desprezar a força das chuvas, que aumentam os volumes dos rios consideravelmente. De modo que o Rio da Prata não recebe apenas o volume de água de incontáveis nascentes, mas de toda a atividade pluviométrica nas bacias do sistema.

    Quando chove no mercado financeiro, é sinal que as ações estão se valorizando. Porém, mesmo em tempos de seca, grandes rios não deixam de ser navegáveis. Portanto, um investidor sábio não deve investir num córrego intermitente, mas em ativos capazes de fazer os juros compostos trabalharem empurrados pela força da natureza.

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    Jean Tosetto
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