O Risco Brasil mede a confiança de um país em honrar seus compromissos
Por: Tiago Reis

Entenda o Risco País e sua importância no cenário econômico do Brasil

Diante do histórico cenário de desestabilidades políticas e econômicas presentes no Brasil, o conhecimento a respeito do Risco País se torna cada vez mais relevante.

Entretanto, em meio a uma população que apresenta baixíssimo nível de educação financeira frente a outras culturas mundo afora, o esclarecimento a respeito do Risco País ainda se faz presente em uma parcela muito pequena dos brasileiros.

Risco País Definição

O Risco País tem por objetivo indicar o grau de instabilidade econômica, política e financeira de um determinado país.

Dessa maneira, essa é nada menos que a avaliação a respeito do risco de crédito a que investidores e empresas estrangeiras estão submetidos quando investem em um país.

É importante destacar, também, que existem três formas mais comuns de se medir o Risco País. São elas:

  • EMBI+: Emerging Markets Bond Index Plus
  • CDS: Credit Default Swap
  • Rating

Neste sentido, um breve comentário sobre cada uma destas métricas se faz interessante.

EMBI+

É calculado pelo Banco J.P. Morgan Chase desde dezembro de 1993, com base nos valores de negociações diárias em mercados secundários, e comparando os juros implícitos dos títulos emitidos por governos e países emergentes, aos juros dos títulos do governo americano de igual prazo, que são considerados como nada menos que os títulos mais seguros do planeta.

Essa diferença é uma medida de risco, ou seja, é quanto (a mais) o governo deve pagar ao investidor para se compensar o risco que possivelmente existe de o mesmo aplicar o tão temido “calote” e, dessa forma, não honrar seus compromissos.

Assim sendo, quanto maior o EMBI+, maior o risco de determinado país.

A título de exemplificação, para um EMBI+BR = 500bps, isso significa que, em média, os títulos do governo brasileiro em dólar são negociados a uma taxa de juros de 5 pontos acima dos títulos de igual prazo do governo americano de igual prazo.

CDS

Realizando-se medições diárias, o CDS é um contrato bilateral que permite se comprar uma espécie de proteção contra um possível calote do emissor de determinado ativo, atuando, assim, como um tipo de “seguro” contratado por investidores mais prudentes.

Quanto maior a probabilidade de calote, maior será o prêmio/custo do CDS, funcionando, assim, como uma medida de risco de crédito.

Dessa forma, o custo do CDS também é uma aproximação do risco de um país.

Vale aqui um parêntese que, na grande maioria das vezes, tanto o CDS quanto o EMBI+ são expressos em basis points (bps). Dessa maneira, é importate mencionar que cada 100 bps equivale a 1%.

Rating

É uma espécie de um “selo de qualidade” que fornece aos credores uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida de um país.

Ainda, a classificação de risco atribuída a um país se dá de acordo com a avaliação da capacidade daquele país em honrar seus compromissos e pagar suas dívidas.

As principais agências de Rating Internacionais são: Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch e, normalmente, essas agências avaliam indicadores como:

  • Reservas internacionais e política fiscal;
  • Solidez na economia e estabilidade política;
  • Fatores sociais: liberdade de imprensa e distribuição de renda;

Países com Ratings elevados tendem a apresentar risco-país mais baixo e vice-versa.

Ainda, o Rating reflete a conjuntura do país no longo prazo e, portanto, tende a exibir estabilidade maior do que as outras medidas de risco-país.

Considerações

É importante destacar que existem muitas consequências ruins com o aumento no Risco País, e o mais representativo deles se faz presenta na fuga de capitais estrangeiros por parte de alguns dos grandes fundos de investimentos, que têm como política, na maioria dos casos, investir apenas em países com baixos riscos.

Assim, com a fuga de capitais, reduzem-se os recursos disponíveis, o que ocasiona, com isso, menos investimentos na economia e, por fim, menores índices de geração de empregos.

Outro impacto negativo dessa alta classificação de risco é um maior custo de capital, haja visto que o governo e as empresas terão maiores dificuldades em obter empréstimos no exterior com condições mais vantajosas.

Com isso, menos dólares disponíveis na economia tende a levar a uma desvalorização do Real frente a moeda norte-americana.

Conclusão

É importante para todo investidor, experiente ou iniciante, a clara consciência a respeito do que se trata o Risco País, de modo que, sempre que surgirem notícias a respeito desse importante parâmetro financeiro, o sinal de alerta possa ser ligado no que diz respeito a conjuntura de uma carteira de investimentos de longo prazo.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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