Uma das dúvidas mais comuns que recebo é “como faço valuation?”
Antes de responder esta dúvida é importante lembrar que uma pessoa comum faz precificação o tempo todo.
Quando você vai ao supermercado e compara o preço da carne com a do frango, esta fazendo um valuation, ainda que inconscientemente.
Eu digo isso para tirar um pouco do estigma envolvendo a atividade de precificar ativos.
Outro lembrete importante: saber sobre valuation não é a salvação dos seus investimentos.
Muitos investidores iniciantes acreditam que se soubessem das técnicas de precificação de um ativo nunca mais cometeriam erros em seus investimentos.
Errado!
Saber das técnicas de valuation é bom, mas não é a salvação.
Valuation não é uma ciência exata.
Se você selecionar os dois melhores investidores do mundo eles não vão chegar no mesmo valor.
E este não é um cenário hipotético.
Warren Buffett e Carl Icahn, os dois maiores investidores do planeta, estavam em pontas diferentes nas ações da Apple no primeiro semestre de 2016.
Warren estava comprando as ações e o Icahn estava vendendo.
Fazer valuation envolve números e também fazer conta, mas os números que o investidor coloca nas suas contas são derivados de suas próprias estimativas e pontos de vista.
E cada um tem uma visão de mundo, nenhum investidor é igual ao outro. E, por isso, se selecionarmos os dez maiores investidores do mundo, eles não chegarão em um consenso em todas as suas contas.
Ter a melhor planilha do planeta não vai te salvar. Acredite.
O que vai te ajudar então?
Ter boas premissas.
Essa é a única forma do investidor se salvar.
Mais importante do que uma boa planilha é ter boas premissas.
Por incrível que pareça, os principais investidores do mundo não têm modelos sofisticados.
Luiz Barsi já mostrou vários de seus modelos em suas cartas no passado. Buffett também menciona que não tem grande sofisticação suas contas.
Onde está a magica?
Os bons negócios gritam, eles são evidentes.
Você não precisa fazer muita conta para ver que são bons negócios.
E quais os tipos de contas possíveis?
Dividimos em dois tipos de Valuation.
O primeiro é o comparativo. O investidor compara o múltiplo de um ativo que se interessa com outros ativos semelhantes.
Por exemplo, ao avaliar um imóvel o investidor analisa o preço por metro quadrado do empreendimento com as demais alternativas da região.
Obviamente, ao fazer esta analise corremos o risco de não olharmos eventuais defeitos que aquela propriedade possui. Além disso, estamos assumindo que a região ao redor esta bem precificada, o que pode não ser verdade.
O secundo método de precificação é a precificação por valor presente. Neste método trazemos a valor presente todos os fluxos futuros de caixa daquele ativo.
Mil reais hoje valem mais do que mil reais daqui 10 anos. Mas mil reais daqui 10 anos tem valor. Qual valor? Precisamos traze-lo a valor presente dividindo por uma taxa de desconto equivalente a este período de dez anos.
Para isso é preciso fazer estimativas e estimativas são pessoais.
Vamos falar profundamente a respeito dos dois métodos no futuro.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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