Por: Tiago Reis

Radar do mercado: WEG (WEGE3) anuncia resultados do 1T19

A WEG S.A. (WEGE3), uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos eletroeletrônicos, anunciou no último dia 24 os seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2019 (1T19).

A companhia apresentou um incremento de 14,9% em sua Receita Operacional Líquida, em relação ao mesmo período do ano passado, de modo que atingiu a marca de R$ 2.932,4 milhões. No entanto, este valor foi 6,2% inferior ao trimestre passado (4T18). Caso ajustada pelos efeitos da consolidação da aquisição da TGM, a Receita Operacional Líquida mostraria crescimento de 13,3% sobre o 1T18.

 

Vale observar que a receita correspondente ao mercado externo foi positivamente impactada pela oscilação cambial, uma vez que o dólar passou de cerca de R$ 3,24 no 1T18 para R$ 3,77 no 1T19, representando uma valorização de 16,3% sobre o Real.

O EBITDA, por sua vez, atingiu R$ 461,8 milhões, 21,6% maior em relação ao 1T18, mas mostrou-se 5,7% inferior ao 4T18. Já no que tange à margem EBITDA, houve acréscimo de 0,8 p.p. em relação ao 1T18, de modo que atingiu 15,7% – mesma magnitude do trimestre anterior, o que indica uma melhora na margem em relação ao período equivalente do ano passado.

Houve também expansão do Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC), que atingiu 18,0%, representando um crescimento de 1,5 p.p. e 0,4 p.p. em relação ao 1T18 e 4T18, respectivamente. Tal crescimento é bastante relevante, e comprova a eficiência da estratégia da companhia de investimentos em novos negócios.

O lucro líquido alcançou o patamar de R$ 306,8 milhões no 1T19, marcando um crescimento de 7,7% em relação ao 1T18 e queda de 8,5% em relação ao 4T18. Há grande destaque para este resultado, uma vez que foi o maior da companhia para um primeiro trimestre em 8 anos.

Já a geração de caixa nas atividades operacionais foi de R$ 53,3 milhões no trimestre, forte queda devido à maior necessidade de capital de giro, segundo a companhia.

As atividades de investimento somaram R$ 329,2 milhões gerados nos três primeiros meses de 2019, decorrentes, sobretudo, da movimentação das aplicações financeiras de longo prazo. Enquanto isso, o resultado final foi consumo de R$ 620,8 milhões nas atividades de financiamento no ano, devido a realização de amortizações, remuneração de capital de terceiros e sobre capital próprio.

Adicionalmente às informações do gráfico (que representa as posições de caixa e seus equivalentes), a empresa possui cerca de R$ 1,87 bilhões em aplicações financeiras de baixa liquidez ao final do 1T19, contra R$ 2,28 bilhões em dezembro de 2018.

Em se tratando das disponibilidades e endividamento, tem-se que as disponibilidades e aplicações financeiras totalizavam cerca de R$ 3,84 bilhões, aplicados, principalmente em moeda nacional. A dívida bruta estava em aproximadamente R$ 3,48 bilhões, sendo 57% em operações de curto prazo, e as demais em operações de longo prazo. Enquanto isso, o caixa líquido totalizava R$ 350,5 milhões.

Além disso, em seu informe a empresa comunicou que sua prática é declarar juros sobre capital próprio trimestralmente e dividendos semestrais, portanto, seis proventos ao ano, pagos semestralmente.

No trimestre, a WEG realizou duas aquisições:

  1. Aquisição do negócio de Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias (Energy Storage System – ESS), da Northen Power Systems (“NPS”), empresa que projeta, desenvolve e fabrica sistemas de armazenamento de energia nos Estados Unidos.
  2. Sua controlada WEG-CESTARI assinou contrato para aquisição da totalidade do capital social da Geremia Redutores, empresa brasileira que atua na fabricação de redutores, motorredutores de velocidade, multiplicadores de velocidade e componentes para transmissão mecânica.

Além disso, a companhia informou que neste trimestre registrou um aumento da participação de equipamentos de ciclo longo, principalmente em eletrocentros e painéis de automação, por meio de sua área dedicada a equipamentos eletroeletrônicos industriais. Produtos de ciclo longo costumam ser destinados a grandes projetos industriais, significando maiores margens para as fabricantes, diferentemente dos produtos de ciclo curto, produzidos em série.

A companhia destacou o negócio de geração eólica, que ganhou relevância no ano passado com importantes projetos adicionados à carteira de pedidos. A empresa se mostra otimista para com as perspectivas para tal negócio.

No mais, gostamos dos resultados da companhia, porém, nos manteremos afastados do papel por considerar que não se encontra numa cotação atrativa para o investimento. Permaneceremos atentos a futuras oportunidades.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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