A Via Varejo divulgou ontem (23) os seus resultados consolidados para o segundo trimestre de 2018 (2T18) e, de acordo com o informado, a companhia apresentou, no período, uma receita líquida consolidada de R$6,5 bilhões, o que representa um crescimento de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando obteve R$ 6,1 bilhões.

No acumulado do ano a diferença foi ainda mais representativa, tendo a receita líquida atingido R$ 13 bilhões no 6M18, patamar 7,8% maior que o visto no 6M17, que foi de R$ 12,1 bilhões.

Por consequência, o EBITDA Ajustado da Via Varejo atingiu R$394 milhões com um crescimento de 25,1% em relação ao ano passado. A margem EBITDA Ajustada foi de 6,1% no 2T18, 97bps acima do 2T17 e com expansão pelo 6° trimestre consecutivo.

Ainda no 2T18, o resultado financeiro líquido antes de atualizações atingiu 3,1% em relação à receita líquida, 91bps inferior ao resultado do 2T17, impactado pela redução nas despesas financeiras tanto no CDCI (-28,6%) quanto nas despesas com vendas e descontos de recebíveis (17,1%). No geral, o resultado financeiro líquido foi de -R$214 milhões, o que representou 3,3% da receita líquida da companhia no período.

Por consequência, a companhia atingiu um Lucro Líquido no 2T18 de R$ 20 milhões vs. prejuízo de R$ 85 milhões no 2T17. Tal resultado, refletiu o crescimento das vendas e do EBITDA e também da alavancagem das suas despesas financeiras.

Vale mencionar que a sua margem líquida foi de 0,3%, o que demonstra a dificuldade operacional que as empresas varejistas normalmente apresentam em sua conjuntura setorial.

Um ponto de destaque da companhia se faz no que diz respeito à sua posição de dívida liquida inexistente, haja vista que a Via Varejo encerrou o trimestre com uma posição de Caixa Líquido Ajustado de R$ 2.007 milhões, incluindo a carteira de recebíveis não descontados (recebíveis de cartão de crédito de curto e longo prazo) no valor de R$ 1.496 milhões.

Contudo, não podia deixar de ser mencionado que, no acumulado do ano, até então, a companhia apresentou uma expressiva variação negativa em seu caixa de nada menos que R$ 1,8 bilhão.

Vale ressaltar, também, que ainda no dia de ontem a companhia comunicou ao mercado que o seu Conselho de Administração, em reunião realizada na mesma data e por recomendação de seu acionista controlador, a Companhia Brasileira de Distribuição, deliberou o início do processo para migração da companhia para o segmento de listagem no Novo Mercado da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão e, por consequência, a conversão das suas ações preferenciais em ações ordinárias, na proporção de 1 para 1.

A companhia informou, ainda, que o seu Programa de Units será encerrado, passando cada detentor de uma de suas Units, que hoje é representada por uma ON e duas PN, a deter três ações ON da companhia.

Nesse sentido, a Via Varejo informou, também, que o seu Conselho de Administração pretende se reunir até o próximo dia 15 de Agosto para deliberar sobre a proposta do novo estatuto social de acordo com as regras do Novo Mercado para, em seguida, convocar a Assembleia Geral de Acionistas para exame e deliberação da migração, inclusive da Assembleia Geral Especial dos detentores de ações preferenciais da companhia, e quaisquer outras deliberações que sejam necessárias para a regular implementação da migração.

Ainda em relação a tal operação, a empresa ressaltou que essa iniciativa, alinhada à estratégia de criação de valor de longo prazo e à contínua avaliação de opções estratégicas, colabora para:

– Aumentar do nível de governança corporativa e transparência, com extensão do direito de voto a todos os acionistas;

– Potencializar a liquidez das ações, por meio da concentração de negociação dos valores mobiliários exclusivamente em ações ordinárias; e

– Facilitar acesso à Via Varejo por parte de uma vasta gama de investidores de mercado alinhados aos conceitos de maior liquidez e mais elevado padrão de governança, em linha com sua posição de liderança.

“A administração entende o movimento de migração para o Novo Mercado como positivo e oportuno dentro de uma visão de valor de longo prazo, proporcionando uma estrutura mais simples, ganhos de liquidez e atratividade de investimento”, ressaltou Ronaldo Iabrudi, presidente do Conselho de Administração.

Ainda sobre a migração para o Novo Mercado, o vice-presidente do Conselho de Administração Arnaud Strasser disse: “Esse é um compromisso da Via Varejo para o avanço de sua governança, proporcionando igualdade de direitos políticos e econômicos” e, Michael Klein, membro do Conselho de Administração complementou: “A migração para o Novo Mercado traz a Via Varejo para o grupo das empresas brasileiras com os mais altos padrões de governança e cria benefícios para todos os acionistas”.

Geraldo Samor, do Brazil Journal, escreveu uma matéria bastante completa sobre essa decisão do conselho da Via Varejo.

Por fim, apesar do aumento representativo das receitas da companhia no período, além de se apresentar, nesse momento, com uma posição de dívida líquida inexistente por conta da atual robustez na sua posição de caixa, continuamos com nosso posicionamento e opinião acerca do setor de varejo, não só no Brasil como no resto do mundo.

Segmento de baixas margens, poucas vantagens competitivas e concorrência elevada, além da realidade cada vez mais consolidada da Amazon expandindo suas operações no Brasil, o que, sem dúvidas, deve ser um motivo de bastante alerta para todas as varejistas do país nesse momento.

Seguimos de fora da Via Varejo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.