Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Valid (VLID3) – Alaska aumenta participação

A Valid Soluções e Serviços de Segurança em Meios de Pagamento e Identificação informou ontem (25) que a Alaska Investimento, uma gestora de valores mobiliários credenciada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adquiriu ações ordinárias (VLID3) de sua emissão na quantidade de 7.216.330, o que representa um percentual de 10,13%de participação na companhia.

A Valid destacou que a Alaska declarou não possuir outros valores mobiliários e instrumentos financeiros derivativos referenciados em tais ações, sejam de liquidação física ou financeira, ou qualquer acordo ou contrato regulando o exercício do direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários de sua emissão.

Ressaltou, ainda, que a Alaska informou que o aumento da participação acionária tem por objetivo a mera realização de operações financeiras, não objetiva alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Valid e, por fim, não tem o objetivo de atingir qualquer participação acionária em particular.

 

A Valid é uma empresa que atua num segmento que envolve serviços de meios de pagamento, identificação, telecomunicações e tecnologia de segurança.

No que diz respeito ao referido comunicado acerca do aumento da participação acionária na companhia por parte do Alaska, como o próprio informativo salientou, demonstra apenas um caráter estratégico de investimento por parte do acionista, o que, em nossa visão, é compreensível e faz parte de uma operação natural de aplicação financeira.

Em relação aos resultados da Valid, há de se destacar que, no terceiro trimestre de 2017, a companhia demonstrou uma queda de 3,2% na comparação com o 3T16 na sua receita líquida, que passou de R$ 425,9 milhões para R$ 412,1 milhões no período.

Já no acumulado do ano, a receita líquida totalizou R$ 1.162,6 milhões contra R$ 1.306,8 milhões no mesmo período do ano anterior, apresentando uma queda de 11,0%.

Por consequência, a companhia apresentou um Ebitda de R$ 69,2 milhões no 3T17 contra R$ 75,3 milhões no 3T16, redução de 8,1% entre os períodos e um crescimento de 14,8% quando comparado ao 2T17, ao passo que, no acumulado do ano, a diferença foi de R$ 179,8 milhões nesse ano para R$ 216,1 no mesmo período do ano anterior, o que representa uma queda de 16,8%.

A margem Ebitda consolidada no 3T17 foi de 16,8%, 0,9 pontos percentuais abaixo do 3T16 e 1,4 pontos percentuais acima do 2T17.

Assim sendo, no 3T17 a Valid apresentou um lucro líquido de R$ 15,8 milhões contra R$ 50,0 milhões no 3T16. No acumulado do ano, este resultado foi de R$ 26,6 milhões contra R$ 60,3 no mesmo período de 2016.

É importante lembrar, ainda, que em julho de 2016, foi concluída a venda da participação da Multidisplay, que contribuiu R$ 19,8 milhões para o Lucro Líquido do 3T16.

No que diz respeito à posição de caixa, após uma geração de caixa negativa nos 6M17 de R$ 45 milhões, a geração de caixa operacional da companhia voltou a ser positiva neste trimestre, onde cerca de R$ 39 milhões foram gerados entre julho e setembro deste ano. No acumulado do ano, entretanto, a geração de caixa continua negativa em R$ 5,7 milhões.

Em relação a sua dívida, a Valid apresentou ao final do trimestre passado, um montante de R$ 815,9 milhões de dívida bruta, com grande parte deste total com prazo de vencimento até o final de 2019.

Descontando-se a posição de caixa da companhia, entretanto, o saldo de dívida líquida da empresa fica em R$ 507,5 milhões, o que corresponde a uma relação de dívida líquida / Ebitda de 1,9x, patamar que consideramos ainda dentro de uma margem saudável de alavancagem.

Vale lembrar que a Valid atua num setor sobre o qual predominam empresas de grande market share e que são consolidadas mundialmente já a bastante tempo, e neste cenário, é muito difícil disputar mercado com grandes potencias tecnológicas, isto por que, neste segmento, as mudanças se fazem de maneira muito drástica, não dando tempo, em muitas das vezes, das empresas conseguirem se adaptar à nova realidade.

Entendemos, ainda, que existem ainda muitas incertezas neste segmento e, por conta disso, preferimos não participar da Valid por entendermos que atua num setor de bastante volatilidade quanto à inovações e tendências cada vez mais rápidas.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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