A Vale informou ontem (06) que anunciou, na mesma data, durante o evento Vale Day em Nova York as projeções para os seus próximos anos.

De acordo com suas estimativas, o prêmio médio realizado do preço de venda do minério de ferro, que foi de aproximadamente US$ 3,5/t em 2017, ficou no intervalo de US$ 3,5 para 4,5/t para 2018.

Ainda, a companhia projetou um fluxo de caixa livre acumulado de 2018 a 2020 variando de aproximadamente US$ 13 bilhões para aproximadamente US$ 25 bilhões, dependendo de premissas como os preços de minério de ferro variando de US$ 55/t a US$ 65/t; preços de níquel variando de US$ 10.000/t a US$ 14.000/t; preços de cobre em US$ 6.000/t; proventos de desinvestimentos de US$ 1,5 bilhão e taxa de câmbio de 3,35 BRL/USD.

No que diz respeito ao retorno a seus acionistas, a companhia vislumbra um cenário para 2020, medido como o ganho entre o valor de mercado de 24 de novembro de 2017 e as conjunturas de valor de mercado mais dividendos em 2020, variando entre 9% e 34%, isso levando-se em consideração a possibilidade de um Ebitda total entre US$ 13 bilhões e US$ 19 bilhões; valor da empresa entre US$ 78 bilhões e US$ 133 bilhões; dívida líquida de US$ 10 bilhões; e dividendos acumulados de US$ 8 bilhões a US$ 20 bilhões; múltiplo EV/ Ebitda de 5,5x em 2018, e um retorno dos ativos da Vale em 2020 variando entre 16% e 26%, assumindo ativos totais da Vale de US$ 63,4 bilhões e Ebitda menos investimento em manutenção variando de US$ 10,4 bilhões a US$ 16,4 bilhões.

 

Apesar de entendermos que a atual gestão da Vale possui grande capacidade de demonstrar, no decorrer do tempo, números coerentes com os apresentados nas projeções acima destacadas, é preciso sempre destacar que a companhia atua num segmento bastante cíclico, com diversas variantes externas que possuem capacidade de alterar diretamente os resultados de curto prazo da companhia.

Neste sentido, cabe lembrar que os resultados da empresa no terceiro trimestre deste ano apresentaram uma melhoria considerável de performance, em grande parte por conta da recuperação dos preços no mercado internacional, uma melhor realização de preços devido ao minério de alto teor de Carajás, uma alta redução dos custos de produção e também devido a um aumento de volume de produção da companhia.

Ainda em relação a seus resultados, no terceiro quarto do ano a Vale apresentou um Ebitda ajustado de US$ 4,2 bilhões, representando, assim, um patamar 53,6% acima do 2T17.

Há de se destacar, também, que a dívida líquida da companhia decresceu em US$ 1,056 bilhão se comparada com o final do trimestre anterior, totalizando US$ 21,066 bilhões baseados na posição de caixa de US$ 4,724 bilhões em 30 de setembro de 2017, como resultado do fluxo de caixa livre positivo no 3T17.

Com isso, a alavancagem, medida pela relação da dívida bruta/LTM Ebitda ajustado, diminuiu para 1,6x em 30 de setembro de 2017 em comparação com 1,9x em 30 de junho de 2017 e 3,7x em 30 de setembro de 2016. Medida pela relação da dívida líquida/LTM Ebitda ajustado, a alavancagem diminuiu para 1,3x em 30 de setembro de 2017 em comparação com 1,5x em junho de 2017 e 3,0x em setembro de 2016.

É visível, neste sentido, que a Vale segue bastante compromissada no que diz respeito à sua melhoria operacional e também na redução de sua dívida.

Apesar de existirem diversos fatores que podem influenciar as suas projeções informadas, gostamos da ambição operacional da companhia, e acreditamos que sua gestão possui capacidade para realizar tudo o que estiver a seu alcance para atender a essas expectativas levantadas frente ao mercado.

Dessa forma, continuaremos observando atentos as movimentações estruturais propostas aos poucos pelo presidente da companhia, Fabio Schvartsman, o qual já deixou claro a sua capacidade de gestão em outras oportunidades, liderando companhias de grande representatividade no mercado de capitais brasileiro.

Continuamos com nossa crença na alta capacidade de gestão que possui Schvartsman ao mesmo tempo que seguimos acompanhando as movimentações da mineradora brasileira.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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