Por: Tiago Reis

Radar do mercado: Vale (VALE3) informa sobre operação na mina de Brucutu

A Vale S.A. informou na última quarta-feira (19) sobre a decisão do Presidente do Superior Tribunal de Justiça, que deferiu pedido apresentado pelo município de São Gonçalo do Rio Abaixo, suspendendo os efeitos da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, que suspendia as atividades da barragem Laranjeiras, localizada em Brucutu.

No pedido ao STJ, a prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo alegou que a paralisação de qualquer estrutura que impossibilite a operação da mina afeta diretamente a economia da cidade. Além disso, o município também disse ao tribunal que a barragem Laranjeiras possui recente Declaração de Estabilidade, afastando o risco de uso da estrutura.

 

Desse modo, o ministro considerou, em sua decisão, que a suspensão das atividades na mina causou “grave lesão à economia pública e afetou o interesse público da municipalidade”. Além disso, o ministro ressaltou que a liberação não significa negligência ou desconsideração com as calamidades ocorridas recentemente.

Esta decisão possibilita, portanto, uma retomada integral das atividades a úmido em Brucutu, segundo a companhia. O retorno seria feito em até 72 horas depois de seu comunicado.

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Como consequência disso, haverá um incremento na qualidade média do portfólio de produtos da mineradora.

Sendo assim, a companhia reafirmou seu guidance de vendas de minério de ferro e pelotas, de 307 a 332 milhões de toneladas para 2019, que já havia sido divulgado anteriormente. A Vale espera que as vendas se aproximem do centro da faixa estimada.

Isso porque a mina é a maior do estado de Minas Gerais, representando cerca de 9% da produção nacional da Vale, com capacidade de 30 milhões de toneladas ao ano. No entanto, a falta de autorização para as operações a úmido antes da decisão anunciada na quarta feira vinha fazendo com que a unidade operasse com um terço de sua capacidade.

A mina de Brucutu, bem como outras da companhia, tem sido alvo de ações judiciais com frequência após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Acreditamos que esta notícia deve ajudar a reduzir, de certa forma, as preocupações no que concerne à oferta global. No entanto, também na quarta-feira, a segunda maior mineradora do mundo, a Rio Tinto, comunicou ao mercado que não vai conseguir atingir sua meta de produção para este ano, que já havia sido reduzida, depois de problemas em suas operações na Austrália Ocidental.

Vale ressaltar que o mercado de minério de ferro vem sofrendo com a pressão originada no rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que reduziu drasticamente o fornecimento de minério da maior exportadora do mundo.

Estes anúncios ocorrem em uma época na qual houve valorização dos preços do minério, cuja cotação está no nível mais alto em cinco anos. Como dito, o preço aumentou devido à baixa oferta, mas também pelo aumento da demanda do mercado chinês, onde as siderúrgicas produzem em volumes recordes e os estoques estão em queda.

No mais, diante dos últimos comunicados da Vale, acreditamos que a companhia se encontra no caminho correto em direção à recuperação de sua confiança perante o mercado, focando em melhoria de segurança, aumento da produtividade e melhorando a gestão de suas operações. No entanto, ainda preferimos ficar distantes do papel.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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