Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Vale (VALE3) – Companhia informa sobre Declarações de Condição de Estabilidade e atualiza sobre bloqueio de recursos

A Vale informou nesta segunda-feira (01) que foram renovadas 80 Declarações de Condição de Estabilidade (DCE) de suas estruturas operacionais que já estavam vencendo em 31 de março de 2019. As estruturas desativadas com alteamento a montante, cujos níveis de emergência já tinham sido reavaliados e cujas Zonas de Auto Salvamento (ZAS) foram evacuadas de forma preventiva, não tiveram suas DCEs renovadas; são elas: barragens Sul Superior, da mina de Gongo Soco; B3/B4, da mina de Mar Azul; Vargem Grande, do Complexo de Vargem Grande; e Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, do complexo de Fábrica.

 

Neste mesmo comunicado, a companhia também informou que outras 11 estruturas com estudos complementares e obras de reforço já em andamento, também não obtiveram as DCEs. Tais estruturas foram interditadas e tiveram seus níveis de emergência elevados para 1, que não requer evacuação das ZAS.

A companhia ressaltou que auditores externos reavaliaram todos os dados das estruturas e consideraram novas interpretações mais conservadoras em suas análises para determinação dos fatores de segurança.

Foi reiterado que a prioridade é a segurança das estruturas, bem como da população e dos trabalhadores. A população somente será retomada quando a segurança das estruturas estiver assegurada.

A mineradora informou ainda nesta segunda-feira, sobre a decisão da Justiça, proferida em 29 de março de 2019, determinando bloqueio de mais R$ 1 bilhão em recursos, visando resguardar a reparação de danos causados às pessoas atingidas pela evacuação da ZAS da barragem de Vargem Grande, assim como de potenciais danos às pessoas e ao meio ambiente em caso de rompimento.

A medida eleva o total bloqueado para R$17,6 bilhões, e foi determinada uma semana após a Justiça da Comarca de Barão de Cocais (MG) determinar o congelamento de quase R$ 3 bilhões adicionais, relacionado à retirada de pessoas das proximidades da barragem Sul Superior.

Estas determinações se dão conforme a companhia ainda administra as consequências da tragédia envolvendo a barragem de Brumadinho, que além dos incontáveis prejuízos ambientais, deixou mais de 300 mortos.

A Justiça determinou que a companhia se abstenha de praticar qualquer “ato tendente a construir, operar, alterar e/ou utilizar a Barragem Vargem Grande, bem como adote certas medidas visando garantir a estabilidade e segurança da barragem e das outras estruturas integrantes do complexo minerário onde está situada”.

Além disso, segundo a Vale, a perda das DCEs das estruturas em questão não agrava o fator de segurança, nem altera a projeção de vendas de minério de ferro – que também permanece inalterada mesmo com os bloqueios de recursos.

Diante desse cenário envolvendo a companhia, no qual constam inúmeras incertezas, não é necessário aprofundar muito para dizer que manteremos distância da Vale por tempo indeterminado.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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