A Unipar Carbocloro, companhia com atividades preponderantes na fabricação de cloro, derivados de cloro e soda cáustica e acionista controlador da Unipar Indupa S.A.I.C., empresa argentina produtora de PVC (policloreto de vinila) e soda cáustica na Argentina e no Brasil, apresentou na última sexta-feira (12) os resultados individuais e consolidados do terceiro trimestre do ano de 2018 (3T18).

É interessante destacar, de antemão, que em relação ao mercado de atuação da Unipar Carbocloro, ou seja, a indústria de cloro/soda, os dados divulgados pela ABICLOR (Associação Brasileira da indústria de Álcalis, Cloro e Derivados) mostraram um índice de utilização média da capacidade instalada de 71% no período entre janeiro e agosto de 2018, inferior ao índice de 78% registrado no mesmo período do ano anterior.

No mercado internacional, o ano de 2018 foi marcado, principalmente, pelos movimentos em busca do equilíbrio entre oferta e demanda, em especial, após a passagem do Furacão Harvey nos EUA no 3T17, phase-out de plantas de mercúrio na Europa ao final do ano de 2017 e das restrições logísticas que afetaram boa parte da América do Norte no 1S18.

Mais recentemente, observou-se um movimento de redução das exportações americanas ao segmento de alumínio que gerou uma redução do preço médio na Costa do Golfo da ordem de 8% no 3T18 em relação ao trimestre anterior.

Para o PVC, nos 9M18, os preços na Costa do Golfo demonstraram ligeira queda em relação ao mesmo período do ano anterior, na ordem de 2%. A variação entre o preço médio do 3T18 contra o trimestre anterior apresentou 4% de recuo.

Diante dessa conjuntura no mercado interno e externo, a companhia apresentou uma Receita Operacional Líquida Consolidada no 3T18 de R$ 791,1 milhões, (-1,1%).

Nos 9M18, a receita líquida consolidada foi de R$2.546,3 milhões (+12,5%), variação decorrente, principalmente, em função da elevação do preço médio das vendas.

Adicionalmente, o Resultado Financeiro Líquido Consolidado foi negativo no valor de R$ 17,8 milhões no 3T18, enquanto que, no 3T17, foi uma receita de R$1,1 milhão.

Nos 9M18, o resultado foi de R$ 150,3 milhões negativos (+244,6%).

Tais variações são explicadas principalmente pela variação cambial sobre débitos com terceiros.

Esta exposição em moeda estrangeira é controlada pela companhia, que tem grande parte da sua receita atrelada à mesma moeda, absorvendo assim impactos negativos sobre este débito.

Diante desse cenário, o Lucro Líquido Consolidado da Unipar foi de R$ 146,3 milhões no 3T18 (+5,8%).

Nos 9M18, o lucro líquido foi de R$ 381,6 milhões (+92,8%) devido, entre outros aspectos, ao crescimento da receita, outras melhorias operacionais, da receita não recorrente de R$ 48,9 milhões da controladora referente ao ajuste final de preço de aquisição da Controlada Indupa Argentina no 1T18 e reversão de provisão de empréstimo antigo com acordo homologado no 3T18, no valor de R$ 23,0 milhões, parcialmente compensado pela despesa decorrente da mudança de metodologia no cálculo de amortização da Mais Valia sobre ativos da controlada Indupa Argentina.

Adicionalmente, abaixo, é possível visualizar que, no 3T18, a companhia registrou um EBITDA Consolidado de R$ 245,5 milhões (+31,6%).

Nos 9M18, o EBITDA Consolidado foi de R$ 830,8 milhões (+100,7%).

Além das melhorias operacionais, o EBITDA também foi positivamente impactado pelos efeitos da reversão de parte do valor provisionado de empréstimo tomado em 1986 por ex-controlada da Unipar e o ajuste final de preço de aquisição da Controlada Indupa Argentina, no 1T18, de R$ 48,9 milhões.

Ainda, em 30 de setembro de 2018, o saldo de Dívida Líquida Consolidada era de R$ 200,9 milhões (-49,3%).

Tal variação foi positivamente afetada pelo aumento na geração de caixa da operação em relação a setembro/2017.

Ainda é tabela acima, é possível visualizar que a companhia possui um controle bastante responsável frente a seus compromissos e o cumprimento do fluxo de amortizações da dívida no decorrer do tempo.

É interessante acrescentar, também, que no mesmo dia da divulgação dos seus resultados, a Unipar divulgou ao mercado que o seu Conselho de Administração aprovou, na mesma data, o Programa de Recompra de Ações.

Segundo o informado, tal programa tem por objetivo a aquisição de ações ordinárias e de ações preferenciais classes “A” e “B” de sua própria emissão para permanência em tesouraria, cancelamento ou posterior alienação das ações no mercado, sem redução do capital social da Unipar, com o objetivo de maximizar a geração de valor para os seus acionistas.

Atualmente, a companhia possui 27.850.069 ações ordinárias, 2.321.710 ações preferenciais classe “A” e 53.378.427 ações preferenciais classe “B” de sua emissão em circulação, e 97.687 ações ordinárias, 98 ações preferenciais classe “A” e 2.823.762 ações preferenciais classe “B” de sua emissão em tesouraria.

Isto posto, e considerando a quantidade de ações em circulação e em tesouraria, a companhia poderá, a seu exclusivo critério e nos termos do Programa de Recompra, adquirir até 1.234.929 ações ordinárias, até 106.647 ações preferenciais classe “A” e até 1.155.319 ações preferenciais classe “B”, representativas de, respectivamente, até 4,43%, até 4,59% e até 2,16% do total de ações ordinárias, de ações preferenciais classe “A” e de ações preferenciais classe “B” e de, respectivamente, até 17,94%, até 6,07% e até 2,92% do total de ações ordinárias, de ações preferenciais classe “A” e de ações preferenciais classe “B” em circulação no mercado.

As operações de aquisição serão realizadas na B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão, a preço de mercado, cabendo à Diretoria da Unipar decidir o momento e a quantidade de ações a serem adquiridas, sendo que o prazo máximo para a liquidação das aquisições de ações será de 18 meses, iniciando-se em 12 de novembro de 2018 e encerrando-se em 11 de maio de 2020. Caberá à Diretoria definir as datas em que a recompra será efetivamente executada.

No mais, além dessa notícia positiva acerca do início do programa de recompra, gostamos muito dos resultados da Unipar Carbocloro no último trimestre e temos muita satisfação de ter proporcionado a muitos de nossos assinantes a participação nesse vitorioso processo de turnaround executado com sucesso pela gestão da companhia no início ano de 2017.

Entendemos que a companhia tem tudo para continuar nesse ritmo de ascensão operacional, o que pode ser traduzido em maior geração de valor e distribuição de dividendos para seus acionistas que, diga-se de passagem, têm sido bastante satisfatórios, principalmente os referentes ao último ano de 2017.

Compartilhe a sua opinião
Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.