Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Ultrapar (UGPA3) – Resultados confirmam capacidade operacional do grupo

A Ultrapar Participações – companhia multinegócios com atuação em varejo e distribuição especializada (Ipiranga/Ultragaz/Extrafarma), especialidades químicas (Oxiteno) e armazenagem para granéis líquidos (Ultracargo) – anunciou ontem (21) os seus resultados do quarto trimestre de 2017.

De acordo com o reportado pela companhia, a sua receita líquida no 4T17 atingiu o total de R$ 21.574 milhões (+13%) em função do crescimento da receita em todos os negócios.

Em relação ao 3T17, a receita líquida foi 5% superior, novamente devido ao crescimento da receita em todos os negócios.

Já em 2017, a receita líquida apresentou crescimento de 3% em relação a 2016, totalizando R$ 80.007 milhões.

Por consequência, o seu Ebitda totalizou o montante de R$ 1.067 milhões (-5%) em função da redução no Ebitda da Ultragaz, afetado pelo efeito extraordinário de R$ 84 milhões relativo ao Termo de Compromisso de Cessação de Prática (TCC) assinado com CADE em novembro de 2017. O acordo, no valor total de R$ 96 milhões a serem pagos em oito parcelas semestrais, se refere ao processo iniciado em 2009 e impacta o Ebitda em R$ 84 milhões e o resultado financeiro em R$ 12 milhões, e da Ultracargo, cuja comparação foi afetada pelo recebimento de seguros no valor de R$ 74 milhões no 4T16.

Em relação ao 3T17, o Ebitda apresentou queda de 14%, com queda em todos os negócios, com exceção da Oxiteno.

Em 2017, o Ebitda da Ultrapar totalizou R$ 4.064 milhões, queda de 4% quando comparado ao ano anterior. Ao se excluir os efeitos não recorrentes descritos acima, entretanto, o Ebitda da Ultrapar apresenta estabilidade em relação a 2016.

É importante destacar, que o valor correspondente à depreciação e amortização da companhia no período se fez na totalidade de R$ 306 milhões (+8%) em função dos investimentos realizados nos últimos 12 meses, com destaque para a expansão da rede de postos Ipiranga e de drogarias Extrafarma, além da preparação para o início da operação da nova planta de alcoxilação em Pasadena.

Na comparação com o 3T17, o total de custos e despesas com depreciação e amortização apresentou crescimento de 9%. E

Já em 2017, os custos e despesas com depreciação e amortização apresentaram crescimento de 7%, totalizando R$ 1.176 milhões.

Já o endividamento líquido da Ultrapar em 31 de dezembro de 2017 foi de R$ 7,2 bilhões (1,78x LTM Ebitda), em comparação a R$ 5,7 bilhões em 31 de dezembro de 2016 (1,36x LTM Ebitda), devido aos impactos advindos de um menor Ebitda e maior investimento, incluindo capital de giro.

Vale ressaltar que a companhia apresenta uma parte representativa desse montante de compromissos com seu prazo de vencimento previsto para o curto prazo.

Com isso, a despesa financeira líquida da Ultrapar, com isso, totalizou R$ 119 milhões, R$ 82 milhões menor quando comparada ao 4T16, devido à queda do CDI na comparação anual, apesar da maior dívida líquida, e aos efeitos cambiais dos períodos.

Em relação ao 3T17, a despesa financeira líquida apresentou redução de R$ 1 milhão, devido aos mesmos efeitos mencionados anteriormente.

Em 2017, a despesa financeira líquida totalizou R$ 474 milhões, queda de 44% quando comparada a 2016.

Diante disso, o lucro líquido total da Ultrapar foi de R$ 401 milhões (-8%) em função da redução no Ebitda e maior depreciação e amortização, apesar da redução nas despesas financeiras.

Em relação ao 3T17, o lucro líquido apresentou redução de 28% devido aos mesmos fatores mencionados anteriormente, ao passo que, em 2017, o lucro líquido totalizou R$ 1.574 milhões, em linha quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

O Fluxo de caixa operacional, contudo, foi de R$ 2.301 milhões (- R$ 185 milhões) em 2017, em função da menor utilização de crédito de impostos em comparação a 2016.

Foi salientado, ainda, o plano de investimentos orgânicos para 2018, que totalizou R$ 2,7 bilhões.

Neste contexto, é interessante destacar que, na Ipiranga, o limite aprovado é de R$ 1.545 milhões, sendo aproximadamente 50% para incrementar o ritmo de expansão da sua rede de revendedores, através da adição de postos e franquias am/pm e Jet Oil à sua rede, além de novos clientes no segmento empresarial, e os outros 50% na ampliação da sua infraestrutura logística para suportar seu crescimento e aumentar produtividade, e na manutenção e modernização de suas atividades, principalmente em renovação de contratos com clientes e sistemas de informação para apoiar suas operações.

Já o investimento aprovado para Oxiteno, este será direcionado principalmente à modernização e manutenção de suas unidades visando maior produtividade, a sistemas de informação, e inclui US$ 34 milhões destinados à finalização da nova unidade de etoxilação em Pasadena, Texas (EUA), que planejamos concluir no primeiro semestre de 2018. A nova unidade terá capacidade para produção de 120 mil toneladas ao ano.

Na Ultragaz, os investimentos contemplam R$ 190 milhões em manutenção e modernização das operações, tecnologia com foco em novos sistemas para apoiar o crescimento e a qualidade suas operações e R$ 94 milhões alocados na expansão da rede de revendedores e de clientes granel.

No que diz respeito à Ultracargo, o grupo deverá investir R$ 115 milhões nas expansões dos terminais de Itaqui e Suape, com conclusões previstas para 2019 e 2020 respectivamente, e na melhoria contínua da segurança e da infraestrutura dos terminais.

Por fim, na Extrafarma, a Ultrapar planeja investir principalmente na abertura de lojas e infraestrutura logística associada, concentradas nas regiões norte e nordeste e no estado de São Paulo, e em tecnologia da informação.

Cabe mencionar que o Grupo Ultra é uma companhia multinegócios que está entre os cinco maiores grupos empresariais do Brasil e que apresenta grande destaque e posições de liderança nos segmentos de negócios em que atua dentre os quais se fazem presentes a armazenagem de granéis líquidos, por meio da Ultracargo; indústria de  especialidades químicas, por intermédio da Oxiteno; distribuição  e varejo especializado, por meio da Ipiranga, no setor de combustíveis; da Ultragaz, no segmento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP); e Extrafarma, no varejo farmacêutico.

A companhia informou também, ainda ontem, que o seu Conselho de Administração, em reunião realizada na mesma data, deliberou sobre a distribuição de dividendos, a débito da conta do lucro líquido do exercício de 2017, no montante de R$ 489.027.366,00, a serem pagos a partir do dia 12 de março de 2018, sem remuneração ou atualização monetária.

A Ultrapar ressaltou que os acionistas detentores de ações ordinárias de emissão da Ultrapar nas datas base informadas abaixo receberão o dividendo de R$ 0,90 por ação.

A data base para o direito ao recebimento do dividendo será o dia 01 de março de 2018 no Brasil e o dia 05 de março de 2018 nos Estados Unidos.

Desta forma, as ações passarão a ser negociadas “ex -dividendos” a partir de 02 de março de 2018, tanto na Bolsa de Valores de São Paulo (B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão) quanto na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

O montante financeiro que será disponibilizado aos acionistas da empresa representa um payout de 60% sobre o lucro líquido de 2017 e crescimento de 5% em relação a 2016.

No mais, gostamos muito do resultado grupo no 4T17 e no acumulado do ano passado, e o avaliamos como sendo um sólido empreendimento, com uma equipe de gestão qualificada, além de possuir uma diversificação interessante em seus ativos – o que diminui os seus riscos – e também apresentar um histórico de alta geração de valor a seus acionistas.

O que não gostamos, entretanto é do atual preço do seu papel UGPA3, que encerrou o pregão de ontem cotado a R$ 78,54.

Gostaríamos de indicar esse ativo a um preço bem mais abaixo do que esse.

Sabemos que pode demorar bastante para que essa ação caia até um preço mais atrativo, entretanto, levando-se em conta que a bolsa brasileira apresenta, historicamente, volatilidades bastante elevadas, é impossível descartar-se qualquer possibilidade neste sentido.

Contudo, nesse cenário, seguimos de fora e aguardando por momentos de turbulência no mercado que possam resultar em boas oportunidades de indicações de entrada nesse valioso ativo para nossos assinantes.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

Nenhum comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais...
Outras Seções

Ações

209 artigos
Ações

FIIs

54 artigos
FIIs
navigation

Conteúdo Gratuito

Radar do
Mercado

Os principais fatos relevantes do mercado, comentados no seu e-mail diariamente

Frame

NÃO VÁ EMBORA AINDA...

Inscreva-se e receba Grátis conteúdo exclusivo sobre Poupança, Ações, Economia e muito mais!