A Transmissora Aliança de Energia Elétrica – Taesa – divulgou ontem (06) ao mercado os seus resultados do terceiro trimestre de 2018 e, diante do apresentado, foi possível perceber que a companhia continuou a apresentar um sólido e consistente compromisso com o seu crescimento e com a eficiência operacional.

Nesse sentido, no 3T18 a Taesa atingiu uma receita líquida IFRS de R$ 403,2 MM, 87,6% maior que o 3T17, devido principalmente ao crescimento da Receita de Correção Monetária do Ativo Financeiro influenciada por um maior IGP-M no 3T18.

Considerando a previsibilidade do reajuste inflacionário da receita da companhia, que é assegurado no contrato de concessão, a Taesa reconhece esses efeitos mensalmente.

Dessa forma, o efeito inflacionário é diluído mês a mês considerando-se a inflação em IGP-M ou IPCA verificada no mês anterior.

Assim, os índices utilizados para a correção monetária do segundo trimestre de 2018 foram: IGP-M de 1,87%, 0,51% e 0,70%, e IPCA de 1,26%, 0,33% e -0,09%, para os meses de junho, julho e agosto de 2018, respectivamente.

No terceiro trimestre de 2017, o IGP-M apurado foi de -0,67%, -0,72% e 0,10%, e o IPCA, de -0,23%, 0,24% e 0,19% para os respectivos meses de 2017.

Após os custos e despesas operacionais, o Ebitda IFRS da Taesa no 2T18 totalizou R$ 293,0 MM com margem Ebitda de 72,7%.

O aumento de 117,6% do EBITDA IFRS na comparação anual é explicado, principalmente, pela diferença no índice de inflação IGP-M, registrada entre os períodos comparados.

Tanto o IGP-M quanto o IPCA impactam a receita de Correção Monetária do Ativo Financeiro, conforme descrito anteriormente.

Cabe aqui um parênteses para destacar que o Ebitda IFRS não é uma medida que reflete a geração de caixa operacional da companhia, uma vez que o padrão IFRS gera um descolamento entre DRE e Fluxo de Caixa.

No setor de transmissão de energia, o Ebitda Regulatório é um importante indicador de desempenho operacional e financeiro, em virtude da sua aderência à geração de caixa operacional efetiva da companhia.

Assim sendo, o Ebitda Regulatório do 3T18 da Taesa totalizou R$ 310,1 MM, 14,5% inferior ao registrado no 3T17, e uma margem Ebitda de 85,6%.

A queda anual é explicada pelo corte de 50% da RAP de algumas concessões, compensado em parte pelos menores custos no trimestre.

Por consequência, o Lucro Líquido IFRS totalizou R$ 267,7 MM no 3T18, R$ 170,4 MM maior que o lucro registrado no 3T17.

É importante destacar, também, que ao término do 3T18, a Dívida Bruta da companhia totalizou R$ 3.710,6 MM e o Caixa R$ 1.481,0 MM, resultando em uma Dívida Líquida de R$ 2.229,7 MM, uma redução de 3,5% em relação ao registrado no 2T18.

A redução de 3,5% na dívida líquida neste período foi influenciada, pela geração de caixa operacional no período. Vale destacar o aumento da dívida bruta em IPCA, explicado pela 5ª emissão de debêntures em julho de 2018 no valor de R$ 525,8 MM.

Por fim, mas não menos importante, foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia, com base nas demonstrações financeiras intermediárias de 30 de setembro de 2018, a distribuição de R$ 245,1 MM (R$ 0,71/Unit) a título de dividendos intercalares.

O pagamento referente a esta distribuição ocorrerá no dia 22 de novembro de 2018 com base na posição acionária de 9 de novembro de 2018.

No mais, gostamos muito dos resultados da companhia e do seu segmento de atuação, muito por conta da “previsibilidade” dos resultados que podem ser observados neste setor de atuação.

Ainda, o fato de a companhia ser, historicamente, uma excelente pagadora de dividendos a seus acionistas, nos deixa ainda mais seguros e satisfeitos em relação ao case.

Comentaremos com maior profundidade esses expressivos números da Taesa no período em nosso relatório Suno Dividendos que disponibilizamos semanalmente a nossos assinantes.

Somos entusiastas de companhias que atuam em setores perenes e que distribuem bons e crescentes dividendos, como é o caso de Taesa, e acreditamos, ainda, que os números dessa empresa possam vir a melhorar com a manutenção dos índices macroeconômicos, IGP-M e IPCA, que já pôde ser observado últimos meses.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.