Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Taesa (TAEE11) – leilão de ações da Cemig pode gerar oportunidade única

A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig – anunciou ao mercado ontem (22), por meio de nota, que, de acordo com seu Programa de Desinvestimentos, contratou a Itaú Corretora de Valores para intermediar a venda, na B3, de 34.000.000 de Units por ela detidas e de emissão da Transmissora Aliança de Energia Elétrica – TAESA (TAEE11).

A Cemig complementou, ainda, reforçando que o leilão na B3 está previsto para ocorrer amanhã (24), e que os recursos obtidos com a referida venda das ações serão depositados numa conta vinculada para honrar os seus compromissos relacionados à opção de venda outorgada aos bancos acionistas da RME – Rio Minas Energia Participações e da Luce Empreendimentos e Participações.

 

É de conhecimento praticamente unânime que a Cemig, nesse momento, se encontra numa situação bastante desafiadora, e foi possível perceber também, de acordo com seus resultados do terceiro trimestre, que houve uma queda de performance operacional bastante relevante e que resultaram, inclusive, em um prejuízo preocupante no trimestre.

De acordo com o que foi reportado pela empresa, houve um prejuízo líquido de R$ 84 milhões no período, valor este que reverteu um lucro líquido de R$ 434 milhões apurado no mesmo período de 2016.

Há de se destacar, também, que o Ebitda (ou Lajida – Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da Cemig, no terceiro quarto do ano, recuou 91,58% do terceiro trimestre de 2016 para este, caindo de R$ 1,194 bilhão para R$ 101 milhões.

Esse resultado se fez mesmo com uma receita líquida que totalizou R$ 5,136 bilhões no trimestre de julho a setembro deste ano, que representou um crescimento de 5% sobre a receita de R$ 4,896 bilhões de um ano antes.

Cabe ressaltar, também, que o endividamento da companhia continua em patamares preocupantes mesmo após uma redução de 7,40% em seu montante, isto por que, ao final do 3T17, a Cemig apresentou um total de dívida consolidada de pouco mais de R$ 14 bilhões, com boa parte desses compromissos com vencimento de curto prazo.

Percebe-se que a situação da Cemig se encontra bastante difícil nesse momento, com uma situação de dívida bastante alta, e uma clara queda de performance operacional que resultaram, inclusive, em um prejuízo alarmante no trimestre.

Não bastasse a má situação atuando em um setor que consideramos ser um dos mais perenes do mercado, o fato da companhia ser uma estatal – controlada pelo Estado de Minas Gerais – também nos deixa bastante incomodados com o case.

É uma situação financeira nada fácil o da Cemig nesse momento e que precisa ser solucionada, e uma dar formas de, pelo menos, se amenizar essa situação é vendendo seus ativos.

A Taesa, nesse sentido, é um dos empreendimentos mais atraentes do portfólio da Cemig, que detém pouco mais de 326 milhões de ações da transmissora, o que corresponde a 31,54% de participação no empreendimento.

Aqui vale adicionar parênteses, visto que as Units da Taesa representam 1 ação ON e 2 PN, o que significa, portanto, que a Cemig estará diminuindo, em sua participação na Taesa, 34 milhões e 68 milhões de ações ON e PN, respectivamente e, dessa forma, o total de suas ações passará a ser de aproximadamente 21%, frente aos 31,54% atuais.

Em situações de crises como a que se encontra a Cemig, é normal que as empresas tendam a “vender as joias da coroa” e, nesse sentido, há de se destacar que, sem dúvidas, a Taesa é uma dessas valiosas pedras preciosas da estatal mineira.

Vale mencionar, também, que após a divulgação dos resultados referentes ao último trimestre, algumas as empresas do setor de transmissão – dentre elas a Taesa – apresentaram quedas notáveis em seus preços, muito por conta, em nossa opinião, de uma certa incompreensão por parte do mercado dos seus resultados operacionais.

Assim, entendemos que esse fator de má interpretação dos resultados da Taesa por muitos investidores, aliado ao fato do anuncio da venda de Units por parte da Cemig amanhã (24), podem vir a gerar, na visão do Value Investing, boas oportunidades de entrada neste ativo a preços mais descontados do que já estão.

Seguiremos acompanhando de perto e negociação e manteremos nossos assinantes informados acerca de toda e qualquer novidade relevante no case.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

Nenhum comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais...
Outras Seções

Ações

208 artigos
Ações

FIIs

58 artigos
FIIs
navigation

Conteúdo Gratuito

Radar do
Mercado

Os principais fatos relevantes do mercado, comentados no seu e-mail diariamente

Group 285

NÃO VÁ EMBORA AINDA..

O portal que vai te ajudar a começar
a investir.

Todos os conteúdos gratuitos 
da Suno em um só lugar!