A Transmissora Aliança de Energia Elétrica – Taesa – divulgou ontem (06) ao mercado os seus resultados do segundo trimestre de 2018 e, neste sentido, foi possível perceber que a companhia continuou a apresentar um sólido e consistente compromisso com o seu crescimento e com a eficiência operacional.

Nesse sentido, no 2T18 a Taesa atingiu uma receita líquida IFRS de R$ 351,2 MM, 107,5% maior que o 2T17, devido principalmente ao crescimento da Receita de Correção Monetária do Ativo Financeiro influenciada por um maior IGP-M no 2T18.

Considerando a previsibilidade do reajuste inflacionário da receita da companhia, que é assegurado no contrato de concessão, a Taesa reconhece esses efeitos mensalmente.

Dessa forma, o efeito inflacionário é diluído mês a mês considerando-se a inflação em IGP-M ou IPCA verificada no mês anterior.

Assim, os índices utilizados para a correção monetária do segundo trimestre de 2018 foram: IGP-M de 0,64%, 0,57% e 1,38%, e IPCA de 0,09%, 0,22% e 0,40%, para os meses de março, abril e maio de 2018, respectivamente.

No segundo trimestre de 2017, o IGP-M apurado foi de 0,01%, -1,10% e -0,93%, e o IPCA, de 0,25%, 0,14% e 0,31% para os respectivos meses.

Após os custos e despesas operacionais, o Ebitda IFRS da Taesa no 2T18 totalizou R$ 271,4 MM com margem Ebitda de 77,3%.

O aumento de 137% do Ebitda IFRS na comparação anual pode ser explicado, principalmente, pela diferença no índice de inflação IGP-M, registrada entre esses períodos.

Tanto o IGP-M quanto o IPCA impactam a receita de Correção Monetária do Ativo Financeiro, conforme descrito anteriormente.

Cabe aqui um parênteses para destacar que o Ebitda IFRS não é uma medida que reflete a geração de caixa operacional da companhia, uma vez que o padrão IFRS gera um descolamento entre DRE e Fluxo de Caixa.

Isto posto, no setor de transmissão de energia, o Ebitda Regulatório é um importante indicador de desempenho operacional e financeiro, em virtude da sua aderência à geração de caixa operacional efetiva da companhia.

Assim sendo, o Ebitda Regulatório do 2T18 da Taesa totalizou R$ 361,3 MM, 6,1% inferior ao registrado no 2T17, e uma margem Ebitda de 87,3%.

A queda anual é explicada principalmente pelo corte de 50% da RAP de algumas concessões, pelo aumento da PV em função de eventos intempestivos e pela correção neste trimestre do erro sistêmico no provisionamento de verbas e encargos dos funcionários ocorrido no 1T18.

Por consequência, o Lucro Líquido IFRS totalizou R$ 259,3 MM no 2T18, R$ 187,2 MM acima na comparação com o 2T17.

É importante destacar, também, que ao término do 2T18, a Dívida Bruta da companhia totalizou R$ 3.144 MM e o Caixa R$ 833 MM, resultando em uma Dívida Líquida de R$ 2.311 MM, um aumento de 6,1% em relação ao registrado no 1T18.

Contudo, considerando-se a dívida líquida proporcional das empresas controladas em conjunto e coligadas, a relação dívida líquida sobre Ebitda ficou em 1,4x no 2T18, 16,7% menor que o 1,7x registrado no 2T17.

Por fim, mas não menos importante, foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia, com base nas demonstrações financeiras intermediárias do segundo trimestre do ano, a distribuição de R$ 91,8 MM (R$ 0,27/Unit) a título de dividendos intercalares, e R$ 72,5 MM (R$ 0,21/Unit) a título de juros sobre o capital próprio (JCP), totalizando R$ 164,3 MM (R$ 0,48/unit).

O pagamento referente a esta distribuição ocorrerá no próximo dia 20 de agosto com base na posição acionária de 9 de agosto.

No mais, gostamos muito dos resultados da companhia e do seu segmento de atuação, muito por conta da “previsibilidade” dos resultados que podem ser observados neste setor de atuação.

Ainda, o fato de a companhia ser, historicamente, uma excelente pagadora de dividendos a seus acionistas, nos deixa ainda mais seguros e satisfeitos em relação ao case.

Isto posto, comentaremos com maior profundidade esses expressivos números da Taesa no período em nosso relatório Suno Dividendos que disponibilizamos semanalmente a nossos assinantes.

Somos entusiastas de companhias que atuam em setores perenes e que distribuem bons e crescentes dividendos, como é o caso de Taesa, e acreditamos, ainda, que os números dessa empresa possam vir a melhorar com a manutenção dos índices macroeconômicos, IGP-M e IPCA, que já pôde ser observado últimos meses.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.