A Suzano Papel e Celulose comunicou aos seus acionistas e ao mercado em geral que foi publicada no sítio eletrônico do Conselho Administrativo de Defesa (CADE), em 11 de outubro, decisão da Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, aprovando sem restrições o ato de concentração envolvendo operação entre Suzano e Fibria Celulose S.A., a qual está sujeita ao lapso do prazo legal, nos termos da legislação aplicável.

A companhia ressaltou, no entanto, que a consumação da referida operação está ainda sujeita ao cumprimento de outras condições precedentes usuais para este tipo de operação.

“Até a data da consumação da operação, as companhias não sofrerão qualquer alteração na condução de seus negócios, e permanecerão operando de forma independente”, destacou a Suzano.

 

Em relação à operação acima referenciada, a Fibria, também por meio de nota, confirmou a aprovação do CADE, e, num contexto geral, mesmo a transação ainda sujeita ao cumprimento de outras condições precedentes usuais para este tipo de operação, a notícia pode ser enxergada como positiva por parte dos acionistas da companhia, haja vista que o resultado da fusão será a maior produtora de celulose do mundo, consolidando, com isso, o Brasil como líder global no mercado de celulose de fibra curta, os quais apresentam os custos de produção mais atrativos que o mercado de fibra longa, típico das industrias presentes no hemisfério norte.

Adicionalmente, a Suzano e a Fibria terão, juntas, 11 unidades de operações industriais, o que poderá se traduzir em uma capacidade de operação de cerca de 11 milhões de toneladas de celulose, além de uma capacidade de exportação de R$ 18 bilhões por ano e uma base de clientes em algo em torno de 90 países.

Estima-se, ainda, que a projeção de investimentos para 2018 e 2019 das duas companhias gira em torno de R$ 6,4 bilhões, fator esse que pode significar um aumento de produtividade representativo para os próximos anos.

No mais, a Suzano chama a atenção pelo seu empenho em expandir as suas áreas de atuações, isso por que, em 2015, a sua gestão anunciou a realização de investimentos na construção de duas Unidades de produção de papel tissue, em Mucuri e Imperatriz, tendo como estratégia se tornar, segundo reportado na ocasião, um parceiro industrial desse segmento, fornecendo bobinas e também a conversão para a fabricação do produto final, trazendo competitividade de custos e de logística.

Com a referida aquisição, a operação une as duas maiores empresas de celulose do país e transforma a companhia resultante em líder mundial em celulose de mercado. Ainda de acordo com as partes, a Votorantim, que até então detinha uma fatia de 29,42% na Fibria, passará a ter participação minoritária de 5,6% na nova companhia. Já o BNDESPar, que possui 29,08% da Fibria, terá 11,1% após o término da união das companhias.

Vale lembrar que a Suzano será controladora e terá 46,6% da estrutura societária da nova companhia resultante da fusão entre as partes.

No mais, é coerente entender que, por consequência da referida aquisição, o endividamento da Suzano tenda a aumentar, porém entendemos que a companhia possui total capacidade de honrar com os compromissos financeiros assumidos no decorrer do tempo.

Por fim, gostamos muito da Suzano e a consideramos a mais relevante do setor de celulose, porém ainda se encontra bem acima do preço que gostaríamos de pagar para indicarmos a associação.

Em situação como essas, o que fazemos é esperar por eventuais janelas de oportunidades de entrada a preços mais descontados, e é isso que recomendamos a nossos assinantes nesse momento.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.