A Petrobras informou ontem (14) ao mercado que recebeu comunicação de seu acionista controlador, conforme lhe asseguram o Estatuto Social da companhia e a legislação vigente no Brasil, com a indicação de três novos membros para o Conselho de Administração da Petrobras, Eduardo Bacellar Leal Ferreira, John Milne Albuquerque Forman e João Cox.

Segundo o informado pela estatal, as referidas indicações serão submetidas aos procedimentos de governança corporativa da Petrobras, incluindo as respectivas análises de conformidade e integridade requeridas pelo processo sucessório da companhia, com apreciação pelo Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão, e pelo Conselho de Administração e, posteriormente, pela Assembleia Geral de Acionistas.

 

No que tange o comunicado acima e aos nomes envolvidos, cabe aqui acrescentar que Leal Ferreira é Almirante de Esquadra e foi Comandante da Marinha do Brasil até janeiro de 2018, tendo, portanto, chegado ao topo de sua carreira.

Além da Escola Naval, Leal Ferreira recebeu treinamento de nível superior na Escola de Guerra Naval do Brasil, na Academia de Guerra Naval do Chile e na Academia Naval de Annapolis dos EUA.

Antes de ser Comandante da Marinha do Brasil exerceu vários cargos importantes na força, tendo sido Chefe do Estado Maior da Marinha e Comandante-em-Chefe da Esquadra.

Adicionalmente, e também de acordo com a Petrobras, Leal Ferreira foi treinado e teve suas capacidades de liderança, gestão e visão estratégica testadas e aperfeiçoadas ao longo de muitos anos de experiência, tendo sido indicado pelo acionista controlador da companhia para exercer a Presidência do Conselho de Administração.

Já Forman é graduado em geologia e Master of Science em Geologia pela Universidade de Stanford, Califórnia, EUA.

Foi professor da Escola de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo sido Chefe do Departamento de Geologia Econômica e Minas do Instituto de Geociências da UFRJ e membro do Conselho Científico e Tecnológico do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao longo de sua carreira, recebeu várias honrarias, concedidas, respectivamente, pela Associação Brasileira de Geólogos do Petróleo, Sociedade Brasileira de Geologia, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério das Minas e Energia, Ministério das Relações Exteriores, Marinha do Brasil e UFRJ.

Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em Geologia e Energia, Forman exerceu vários cargos executivos na iniciativa privada e órgãos do Governo.

Foi Presidente da Unipar, Presidente da Nuclebrás, Diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e diretor de várias outras empresas.

Foi membro do Conselho de Administração de companhias privadas e estatais na indústria petroquímica e energia.

Por fim, Cox é economista com especialização em economia petroquímica pela Universidade de Oxford, Reino Unido.

Possui carreira bem-sucedida como executivo, tendo sido Presidente da Telemig Celular e Presidente da Claro, entre outras posições de destaque.

Cox possui vasta experiência como membro do Conselho de Administração de diversas companhias, como Tim Brasil, onde é Presidente do Conselho, Tim Participações, Embraer, Linx e Braskem.

Dito isso, os três membros indicados deverão substituir Luiz Nelson Carvalho, Francisco Petros e Durval José Soledade Santos no Conselho de Administração da Petrobras.

Carvalho e Petros apresentaram pedido de renúncia no dia 1º de janeiro de 2019, enquanto a renúncia de Soledade foi apresentada ontem e é efetiva a partir de 04 de fevereiro de 2019.

“A Petrobras agradece a valiosa contribuição dos conselheiros Carvalho, Petros e Soledade para sua reestruturação”, destacou a estatal em seu comunicado.

Soledade continuará a colaborar com a companhia como membro externo do Comitê de Minoritários e do Comitê de Auditoria Estatutário do Conglomerado Petrobras.

Assim sendo, a nova composição do Conselho de Administração, após aprovadas as indicações, manterá o percentual mínimo de 40% de membros independentes, em estrita observância ao Estatuto Social da companhia.

O Presidente Roberto Castello Branco comentou a respeito das mudanças: “No passado recente foi construída sólida governança corporativa e instituídas rigorosas normas de integridade e conformidade, que serão preservadas e se necessário reforçadas. Foi um ciclo que se encerrou. Uma nova era se inicia com uma visão estratégica de longo prazo e objetivo de geração de valor para os acionistas e para o Brasil. As modificações na administração da Petrobras refletem a nova orientação”, salientou o executivo.

Entendemos serem essas mudanças representativas para a Petrobras.

É interessante acrescentar, também, que ainda ontem a companhia informou que retomará a publicação de eventuais oportunidades relacionadas a novos projetos de desinvestimentos de E&P, seguindo o curso normal de seus negócios.

No que diz respeito às suas 254 concessões em campos maduros em terra e águas rasas, a Petrobras informou que encaminhou para a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) a informação de que está em processo de desinvestimento em cerca de 70% delas, solicitando prazos compatíveis para sua conclusão pelo fato de a Petrobras seguir sistemática interna de desinvestimentos validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

“A Petrobras reforça a importância do Programa de Parcerias e Desinvestimentos para a redução do seu nível de endividamento e geração de valor através da gestão ativa de portfólio, em linha com seu Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2019-2023”, destacou a companhia.

Mesmo avaliando tais notícias como sendo positivas para a Petrobras, continuamos preferindo nos manter de fora de empresas controladas pelo governo, por ainda entender que, em empresas com essas características, os interesses dos minoritários são deixados sempre como última prioridade no que diz respeito ao operacional dessas empresas e à sua geração de valor no longo prazo.

Seguimos de fora da Petrobras.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.