Por: Tiago Reis

Radar do mercado: Natura (NATU3) comunica compra do controle da Avon

A Natura Cosméticos S.A. informou ontem (22) aos seus acionistas e ao mercado em geral que chegou a um acordo com a Avon Products, Inc, companhia existente de acordo com as leis de Nova York, para adquirir a Avon em uma operação que envolve troca de ações (all-share merger), que resultará na combinação de seus negócios, operações e das bases acionárias da Natura e da Avon.

Uma nova sociedade holding para o grupo, Natura Holding S.A., será a titular de todas as ações da Natura e da Avon, como resultado de uma reestruturação societária a ser implementada no contexto da transação.

 

De acordo com documento publicado pela Natura, a operação de troca de ações criará o quarto maior grupo exclusivo de beleza do setor no mundo, com faturamento bruto anual superior a US$ 10 bilhões.

Além disso, a nova holding contará com aproximadamente 6,3 milhões de representantes e consultoras, presença geográfica global, com cerca de 3.200 lojas e 40.000 funcionários em 100 países. Antes de se associar à Avon, a Natura estava presente em 70 países.

Após a realização da transação, os atuais acionistas da Natura ficarão com aproximadamente 76% da participação na holding. Já os atuais acionistas da Avon, terão direito à participação restante, cerca de 24%.

De acordo com o veículo de notícias americano “Financial Times”, o acordo assinado atribui à Avon valor superior a US$ 2 bilhões, enquanto seu valor de mercado na bolsa de Nova York é de US$ 1,42 bilhão.

Os papéis da Natura fecharam o dia em máxima histórica, com um aumento de 9,43% no dia, devido à notícia de que a conclusão da operação estava próxima.

A ação da Avon fechou em alta semelhante, de 9,06%, sendo cotada a US$ 3,49, na bolsa de Nova York.

As estimativas sugerem que a união resulte em sinergias entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões anuais. Deste valor, a empresa pretende reinvestir uma parcela nos canais digitais e mídias sociais, em pesquisa e desenvolvimento, iniciativas de marca e expansão da presença geográfica do grupo.

Deverão acontecer uma série de atos societários para que ocorra a implementação da transação, de modo que a Natura deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para aprovar a capitalização de até cerca de R$ 1,33 bilhão em reservas de lucros, mediante bonificação em novas ações aos seus acionistas. Antes de, finalmente, incorporar as ações da Natura e da Avon, ainda haverá uma contribuição dos fundadores para aumento de capital da Natura &Co.

Além disso, a Natura informou que levantou uma linha de crédito de US$ 1,6 bilhão com Bradesco, Citi e Itaú para a realização do pagamento.

Assim, após a conclusão, cada ação ordinária em circulação da Avon deverá receber 0,3 ação da Natura &Co, ou o correspondente de ADRs, mediante escolha do acionista.

Tal relação de troca de 0,3 ação da Natura por ação da Avon representa um prêmio de 28% para os acionistas da Avon e implica um múltiplo de 9,5x EBITDA, considerando a cotação do dia 21 de março, isto é, um dia antes da divulgação do primeiro fato relevante acerca desta operação.

Vale ressaltar, por fim, que a aquisição deu à empresa uma folga na liderança do setor de higiene pessoal e cosméticos no país. Segundo dados da Euromonitor International referentes a 2018, a combinação resultaria em fatia de 16,6%, sendo 11,9% da Natura e 4,7% da Avon. O segundo e o terceiro colocados no Brasil, que se localizavam próximos à Natura são, respectivamente, o Boticário, com 11,6%; e a Unilever, com 11,4%.

Já no que tange à participação global, a Natura possuía 1,4%, e a Avon, 1,2%, totalizando 2,6%. A Avon passou por uma série de dificuldades nos últimos anos que encolheram seus resultados, reduzindo também sua participação global, que antes era de 2,8%, para 1,2%.

No mais, consideramos a notícia extremamente positiva para ambas empresas, uma vez que a Avon se beneficia enormemente pela boa gestão da Natura, ao passo que esta deu mais um passo decisivo em sua consolidação global com grande força.

Entretanto, acreditamos que momentos de forte alta, grandes movimentações, próximos a máximas históricas e com múltiplos muito elevados, como vivenciado pela Natura nestes dias, não constitui um bom momento para se realizar um investimento, pois há pouca margem de segurança. Além disso, nestes momentos acontecem muitas atividades especulativas em torno do papel. Assim, permanecemos fora de NATU3.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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