A Multiplan Empreendimentos Imobiliários veio a público na última sexta-feira (20) comunicar que a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da companhia, realizada na mesma data aprovou, entre outras matérias, a proposta de desdobramento das ações de sua emissão.

Segundo o informado, o desdobramento da totalidade das ações será na proporção de 1:3 (um para três), sem modificação do valor do capital social, que permanecerá no montante de R$ 2.988.062.190,88.

Tal desdobramento terá como base a posição acionária referente ao dia da realização da AGE, ou seja, o último dia 20. A partir de hoje (23), as ações passarão a ser negociadas “ex-desdobramento” e o crédito das ações provenientes do desdobramento será efetuado aos acionistas no próximo dia 26 de julho (quinta-feira).

 

No âmbito do comunicado feito, é interessante destacar que, como consequência da operação, o capital social da Multiplan passará a ser representado por 600.760.875 ações nominativas e sem valor nominal, sendo 565.185.834 ações ordinárias e 35.575.041 ações preferenciais.

Conforme aprovado na mesma AGE referente ao comunicado feito Multiplan, o limite do capital autorizado da companhia passa a ser de 210.038.121 ações ordinárias.

Vale mencionar, ainda, que todas as ações advindas do desdobramento são da mesma espécie e classe das ações originárias, conferido integralmente aos seus titulares os mesmos direitos e vantagens das ações atualmente existentes.

No mais, entendemos que o referido processo desdobramento acima referenciado pela Multiplan objetiva o aumento de liquidez das suas ações, além de, também, conferir melhor patamar para a cotação das ações de sua emissão, a fim de torná-las mais acessíveis aos investidores.

Entretanto, em nossa visão, pouca coisa muda em relação ao business, em si, com a execução de tal processo de desdobramento.

O que é melhor, repartir uma mesma pizza em 4, em 8, ou em 12 pedaços? É indiferente. A única alteração, talvez, é que mais pessoas poderão compartilhar da pizza com o aumento do número de pedaços.

Por conta disso, no que diz respeito ao operacional da companhia, nada se altera.

O que muda é a liquidez de suas ações, que tenderão a aumentar no curto/médio prazo.

Vale destacar, entretanto, que no mesmo comunicado, a Multiplan ressaltou também que na mesma AGE foi aprovado o Plano de Outorga de Ações Restritas, destinado aos seus administradores, empregados e prestadores de serviços ou de outras sociedades sob o seu controle, a serem selecionados pelo seu Conselho de Administração.

Segundo o informado, o plano tem como objetivo permitir a outorga de ações ordinárias de emissão da companhia aos participantes, sujeitas a determinadas restrições, como por exemplo:

  • Possibilitar à companhia ou outras sociedades sob o seu controle atrair e manter a ela(s) vinculados os participantes;
  • Estimular a expansão, o êxito e a consecução dos objetivos sociais da companhia; e
  • Alinhar os interesses dos participantes aos dos acionistas da companhia, conferindo aos participantes a possibilidade de serem acionistas da Multiplan;

Ainda de acordo como informado, o número total de Ações Restritas não plenamente adquiridas, considerando a somatória de todas as outorgas realizadas no âmbito do plano, não poderá exceder 3% das ações representativas do capital social total da Multiplan.

Adicionalmente, o número máximo de Ações Restritas que poderão ser outorgadas pelo Conselho de Administração anualmente estará limitado a 0,5% das ações representativas do seu capital social total

No mais, a Multiplan é uma das maiores empresas de shoppings do país, tendo 19 unidades, cerca de 5.700 lojas, que recebem uma média de 180 milhões de consumidores ao ano.

Adicionalmente, a companhia apresenta, ao longo dos anos, resultados positivos crescentes, principalmente em se tratando de índices importantes como Ebitda e lucro líquido e, neste sentido, há de se entender que o cenário para a sua operação continua positivo e crescente, ainda mais quando se observa a conjuntura atual do país, como demasiada tendência de queda de juros e inflação pela frente, o que fortalece ainda mais o ambiente de varejo e restaura a confiança em uma perspectiva operacional ainda melhor da companhia.

Entretanto, apesar da empresa apresentar números positivos em seus últimos resultados, sentimo-nos mais confortáveis em indicar a participação em ativos relacionados a Shoppings Centers através dos Fundos Imobiliários (FII’s) e, neste sentido, apresentamos em nossas carteiras de FII e também em nossos relatórios semanais, interessantes alternativas que suprem essa demanda.

Normalmente, os FII’s possuem uma estrutura muito mais enxuta do que possuem as empresas do setor, pois estes não pagam impostos sobre as receitas, também não possuem uma estrutura “pesada” com diretores e conselheiros, não pagam imposto de renda, além de, geralmente, não possuírem dívidas e consequentemente despesas financeiras, ao contrário de uma empresa aberta.

Por isso, achamos mais prudente e também uma atitude mais conservadora a associação a este tipo de empreendimento através dos FII’s.

Assim, preferimos seguir de fora da Multiplan pelos motivos acima supracitados.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.