Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: MRV (MRVE3) – Prévia operacional destaca perfil gerador de caixa da companhia

A MRV Engenharia e Participações anunciou ontem (09) ao mercado os seus dados preliminares e não auditados de lançamentos, vendas contratadas, banco de terrenos, unidades produzidas, concluídas, contratadas, repassadas, geração de caixa e distratos do terceiro trimestre de 2018.

Segundo o informado pela companhia, os principais destaques se fizeram através do lançamento de 10.926 unidades (%MRV) no trimestre e 27.343 unidades nos 9M18, crescimento de 7,2% em relação aos 9M17, e da venda de 9.804 unidades (%MRV) no trimestre e 30.508 unidades nos 9M18, aumento de 6,3% em relação aos 9M17.

A companhia destacou, ainda, que para os lançamentos previstos no 4T18, a sua gestão já possui 81% dos alvarás necessários para atingir o objetivo de 50 mil unidades (100%) lançadas no ano.

 

Como consequência do que foi relatado, a MRV destacou que nos 9M18 alcançou 25.037 unidades vendidas líquidas, crescimento de 8,4% quando comparado aos 9M17. O aumento do distrato no 3T18, refletiu o esforço da companhia para reduzir o passivo de unidades não repassadas, prioritariamente em praças com baixo estoque, para em seguida revende-las. Desse modo, as unidades são revendidas dentro do processo de Venda Garantida, o que contribui para a geração de caixa no período.

Neste sentido, a companhia ressaltou que o distrato manterá sua trajetória de queda, conforme pode ser observado na comparação 9M18 x 9M17.

Também no terceiro trimestre do ano, a companhia alcançou o 25º trimestre consecutivo de geração de caixa, atingindo R$ 237 milhões no 3T18. O repasse consistente e o aumento das unidades produzidas contribuíram para um crescimento no volume de recebimentos.

Ainda de acordo como informado, neste último trimestre a companhia teve um volume consistente de unidades lançadas, com aumento de 14% em relação ao 3T17. Para os lançamentos previstos no 4T18, a companhia já possui 81% dos alvarás necessários para atingir o objetivo de 50 mil unidades no ano.

Além disso, a MRV acumulou no seu banco de terrenos 44,3 mil unidades com alvará de construção, totalizando R$ 6,7 bilhões em VGV, dos quais R$ 3,0 bilhões já possuem registro de incorporação (RI) emitidos, equivalente a 19,8 mil unidades. No 3T18 foram adquiridos 49 terrenos, representando um VGV potencial de R$ 4,3 bilhões e 25 mil frações.

“Neste trimestre a companhia continuou com a estratégia de investimento em terrenos, com foco nas capitais e RIM’s aproveitando as boas oportunidades de mercado. Manteremos o foco em reabastecer as cidades em que já atuamos além de expandir as operações nas grandes cidades. Após esse equilíbrio focaremos na manutenção do landbank”, ressaltou.

Por fim, em relação à sua produção e crédito imobiliário, foi possível perceber que o aumento das unidades produzidas está em linha com o crescimento das vendas da companhia nos últimos trimestres, o que contribui para a forte geração de caixa contínua no 3T18.

Não há como negar que, de fato, os números prévios da RMV se mostram sólidos e consolidados, e é possível esperar, com isso, que os seus resultados auditados e contabilizados frente ao terceiro trimestre desse ano venham bastante representativos.

Contudo, é interessante lembrar que a MRV é uma das maiores incorporadoras e construtoras brasileira no segmento de empreendimentos residenciais populares em número de unidades incorporadas e cidades atendidas.

A companhia tem 38 anos de atuação com foco nas classes populares, e uma estrutura operacional que busca uma atuação voltada para o segmento de empreendimentos residenciais econômicos com boa rentabilidade.

Dessa maneira, em todas as cidades onde atua, a MRV foca sua atuação primordialmente no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, construindo unidades com preço médio de venda de R$ 152 mil.

Enxergamos, contudo, que o fato de a companhia depender, em grande parte, de estímulos governamentais – como o programa Minha Casa, Minha Vida – para conseguir operar de maneira coerente, existe aí um risco considerável, visto que, caso tal programa venha a ser interrompido – as contas públicas há muito andam bastante desequilibradas – ou pior, caso sejam descobertos esquemas de corrupção ligados ao estímulo – no Brasil, ainda mais com a Operação Lava-Jato nas ruas, tudo é possível – a empresa seria fortemente impactada.

No setor de construção e incorporação, tendemos a indicar a que julgamos ser a mais rentável e mais bem gerida (atualmente enxergamos que a Eztec ocupa essa posição), e como não é o caso dessa companhia nesse momento, preferimos seguir de fora da MRV.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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