A Multiplus comunicou ontem (04) aos seus acionistas e ao mercado em geral que recebeu, na mesma data, uma correspondência de TAM Linhas Aéreas, endereçada ao Conselho de Administração e à Diretoria Executiva da companhia, informando que não pretende prorrogar ou renovar o contrato operacional firmado entre as partes, e que pretende realizar uma Oferta Pública Unificada de Aquisição (OPA) para fins de cancelamento de registro de companhia aberta e saída do Novo Mercado.

No mesmo comunicado, a companhia informou que manterá o mercado e seus acionistas informados acerca dos assuntos objeto deste fato relevante, e que tal “fato relevante é de caráter exclusivamente informativo e não constitui uma oferta de aquisição de valores mobiliários”.

 

Em relação ao comunicado acima feito pela Multiplus, é cabível acrescentar que a TAM se posicionou informando que fará uma oferta pública ao preço de R$ 27,22 por ação para comprar as ações detidas pelos minoritários da companhia de programa de fidelidade.

Isso significa que a TAM pretende retirar o programa de fidelidade da bolsa, o que poderia ser entendido como um primeiro passo para fundir as duas companhias.

O referido preço da oferta é a média dos últimos 90 pregões (ponderada por volume), e um prêmio de 11,6% sobre o fechamento de ontem (R$ 24,40).

No entanto, a TAM também se reservou ao direito de desistir de fazer a oferta, “a qualquer momento e independentemente do determinado pelo laudo”, deixando a entender que poderá vir a cancelar a oferta se, por exemplo, as condições de mercado se deteriorarem.

Tal laudo se refere ao laudo de avaliação independente, exigido por lei, que deve ser elaborado pelo Credit Suisse, contratado pela Latam para tal elaboração.

Adicionalmente, em um dos trechos do seu comunicado acerca de tal oferta, a TAM argumentou que “nos últimos tempos, o mercado de programas de fidelidade onde a companhia desempenha suas atividades vem enfrentando desafios constantes que, por sua vez, demandam esforços crescentes para manter a competitividade da companhia perante seus concorrentes”.

A companhia aérea complementou ainda que “limitações oriundas não só do relacionamento contratual entre as duas companhias, mas também de suas estruturas operacionais e societárias segregadas se mostraram como um obstáculo para a capacidade da companhia de reagir rápida e eficientemente às mudanças do mercado, bem como contribuíram para sua perda de market share”.

Apesar de ser uma notícia um tanto quanto desagradável para o acionista minoritário da Multiplus – a um ano atrás o preço de suas ações MPLU3 se encontravam no patamar dos R$ 40,00 – ainda existe certa “nebulosidade” acerca de tal decisão tomada por parte da controladora da companhia (TAM).

Entraremos em contato com o RI da companhia de modo a conseguir entender melhor tal operação.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.