O Itaú Unibanco, por meio de comunicado emitido na sexta-feira (10), informou aos seus acionistas e ao mercado em geral que obteve autorização do Banco Central do Brasil para a realização do investimento na XP Investimentos, mediante a celebração de Acordo em Controle de Concentração, por meio do qual certos compromissos foram assumidos perante a referida autoridade, reforçando a autonomia e independência do grupo XP.

Segundo o informado pelo Itaú em seu comunicado, assinado pelo seu Diretor Executivo de Finanças e Relações com Investidores, Alexsandro Broedel, a consumação da operação ocorrerá em 31 de agosto de 2018.

“A companhia reafirma, com essa operação, seu compromisso com o mercado brasileiro e com a criação de valor a longo prazo para seus acionistas”, ressaltou o Itaú em seu comunicado.

 

Em relação à operação acima destacada, vale mencionar que o Itaú Unibanco celebrou com a XP Controle Participações S.A., o G.A. Brasil IV Fundo de Investimento em Participações e o Dyna III Fundo de Investimento em Participações, entre outros, em meados de maio de 2017, um contrato de compra e venda de ações por meio do qual comprometeu-se a adquirir, em uma primeira fase, 49,9% do capital social total (sendo 30,1% das ações ordinárias) da XP Holding, por meio de aporte de capital no valor de R$ 600 milhões e aquisição de ações de emissão da XP Holding detidas pelos vendedores no valor de R$ 5,7 bilhões, estando tais valores sujeitos a ajustes contratualmente previstos desde aquela data até a efetiva liquidação financeira da operação.

Isto posto, a efetivação dessa primeira operação no próximo dia 31 de agosto.

No entanto, além dessa primeira operação, o contrato prevê uma única aquisição adicional em 2022, sujeita à aprovação futura do Banco Central do Brasil, a qual, se aprovada, permitirá ao Itaú Unibanco deter até 62,4% do capital social total da XP Holding (equivalente a 40,0% das ações ordinárias) com base em um múltiplo de resultado (19 vezes) da XP Holding, portanto, “sendo certo que o controle do grupo XP permanecerá inalterado”, conforme ressaltou o Itaú em seu comunicado.

Ainda de acordo com o já divulgado em outras ocasiões, o Itaú Unibanco e alguns dos vendedores firmarão, na data de fechamento da primeira aquisição (31 de agosto), um acordo de acionistas que conterá, entre outros, disposições sobre os direitos do Itaú Unibanco como acionista minoritário da XP Holding, incluindo o direito de indicar 2 de 7 membros do Conselho de Administração da XP Holding.

Foram canceladas, ainda, as opções de compra pelo Itaú Unibanco e de venda pela XP Controle das ações representativas do controle da XP Holding, bem como possíveis outras aquisições de ações da XP Holding programadas no futuro.

O Itaú também assumiu compromisso perante o Banco Central do Brasil de não adquirir o controle acionário da XP Holding durante 8 anos, contados da assinatura do Acordo em Controle de Concentração.

Apesar da consumação de tal operação, o Itaú ressaltou que não espera que se acarrete efeitos relevantes nos seus resultados no próximo exercício social, porém há de se entender que, para o médio prazo, é inevitável destacar que poderão ocorrer impactos positivos em seus números.

Adicionalmente, a companhia informou, também, que estima que o impacto dessa operação será de 0,9 p.p. no seu Índice de Capital Nível 1, aplicando integralmente as regras de Basileia III.

No mais, apesar de ainda não possuir caráter definitivo, avaliamos que tal transação poderá contribuir, de fato, para um incremento relevante de resultados operacionais para o Itaú no médio prazo, dado a dimensão e a capilaridade que a XP apresenta atualmente no seu segmento de atuação no mercado de capitais.

Por fim, entendemos como bastante positivo o comunicado feito pelo Itaú, ao passo que reforçamos nossa indicação de associação no ativo por meio da Itaúsa, holding que detém relevante participação nesse que é um dos maiores bancos privados do planeta em termos de rentabilidade.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.