Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Itaúsa (ITSA4) – Resultado segue em linha com os números do Itaú

A Itaúsa divulgou ontem (20) os seus resultados trimestrais e, como um dos principais destaques, cabe salientar a conclusão da aquisição, conjuntamente com a Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas e Cambuhy Investimentos, da totalidade das ações de emissão da Alpargatas – até então detidas pela J&F Investimentos – em 20/09/2017.

Na operação, a Itaúsa adquiriu 27,12% do capital total da Alpargatas, representado por 103.623.035 ações ordinárias e 23.968.521 ações preferenciais, desembolsando o montante de R$ 1.740 milhões, sendo o preço por ação equivalente a R$ 14,17 por ação ordinária e R$ 11,32 por ação preferencial.

É interessante lembrar, também, que em 07/02/2018, foi deferido, pela CVM, o pedido de registro da OPA para aquisição de ações ordinárias de acionistas minoritários a 80% do valor pago pelos atuais controladores (R$ 11,34/ação). Com isso, a Itaúsa poderá ter um desembolso máximo de R$ 200 milhões.

Em relação aos indica indicadores de resultado da Itaúsa, a holding apresentou, no período, um lucro líquido consolidado de R$ 8,5 bilhões – aumento de 3,7% frente ao mesmo período do ano passado – com uma Rentabilidade Recorrente Anualizada sobre o Patrimônio Líquido Médio de 17,6%.

Em relação aos principais indicadores das empresas do portfólio Itaúsa, foi possível perceber a relevância do Itaú em sua carteira de investimentos, assim como também foi fácil visualizar que a aquisição da Alpargatas foi uma transação muito bem-sucedida, isto por que, em termos de geração de valor para a Itaúsa, a proprietária das marcas Havaianas, Topper e Rainha, além de outras, ainda pode representar, no médio prazo, uma parcela significativa deste montante.

Ainda, por ser uma holding pura, a Itaúsa tem seu resultado composto basicamente pelo Resultado de Equivalência Patrimonial (REP), apurado a partir do resultado de suas controladas e, dessa forma, abaixo pode-se visualizar o REP por empresa e suas relevâncias no resultado da Berkshire Hathaway brasileira.

No quarto trimestre de 2017, o Resultado de Equivalência Patrimonial Recorrente foi de R$ 2.350 milhões, apresentando um crescimento de 3,4% em comparação com o mesmo período de 2016. O resultado recorrente proveniente do setor financeiro foi de R$ 2.245 milhões, mostrando uma pequena retração de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, representado primordialmente pelo Itaú, um dos bancos mais rentáveis do planeta.

Abaixo podemos ver como o Itaú apresenta uma parcela importantíssima do portfólio da Itaúsa, isto por que, em relação aos proventos pagos pela holding, grande parte desse montante é proveniente também do pagamento direto e indireto de dividendos pelo Itaú Unibanco.

A companhia apresenta, inclusive, um aumento histórico de volumes pagos de proventos interessantes, o que nos agrada muito em termos de geração de valor a seus acionistas.

Neste sentido, é importante destacar que o conselho de administração da companhia deliberou, ainda ontem, em pagar, em 07 de março, os juros sobre o capital próprio por conta do dividendo obrigatório do exercício de 2017, no valor de R$ 0,168060 por ação (líquido de R$ 0,142851 por ação), tendo como base de cálculo a posição acionária final do dia 22 de dezembro de 2017.

A companhia reportou, ainda, o pagamento de juros sobre o capital próprio adicionais no valor de R$ 0,37 por ação (líquido de R$ 0,31 por ação), com retenção de 15% de imposto de renda na fonte. Esses juros terão como base de cálculo a posição acionária final do dia 22 de fevereiro (próxima quinta-feira) e serão creditados, de forma individualizada nos registros contábeis da companhia, e pagos aos acionistas no próximo dia 07 de março.

Adicionalmente, a companhia declarou, também, o pagamento de dividendos adicionais no valor de R$ 0,29 por ação, tendo como base de cálculo a posição acionária final também do dia 22 de fevereiro, que terá a primeira parcela paga em 07 de março no valor de R$ 0,11 por ação, e a segunda parcela será paga em 05 de abril no valor de R$ 0,18 por ação.

A holding destacou que tais proventos líquidos declarados por conta dos resultados de 2017 representam 82,69% do lucro líquido ajustado do exercício; e incremento de 75,1% em relação aos proventos líquidos declarados do exercício de 2016.

O conselho de administração da Itaúsa informou, ainda, que também foi aprovada a elevação do capital social subscrito e integralizado de R$ 37.145.000.015,80 para R$ 38.515.000.018,60, mediante emissão de novas ações para subscrição particular.

Segundo o informado, os recursos obtidos com o aumento de capital serão destinados ao reforço do capital de giro e à manutenção de adequado nível de liquidez, através da emissão de 175.641.026 novas ações escriturais, sendo 66.355.919 ordinárias e 109.285.107 preferenciais.

O preço da referida subscrição será de R$ 7,80 por ação ordinária ou preferencial, tendo como parâmetro a cotação média ponderada das ações preferenciais na B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão – no período de 06/10/2017 a 02/02/2018, ajustada com deságio de aproximadamente 30%.

Com isso, os acionistas poderão exercer o direito de preferência à subscrição no período de 28/02/2018 a 29/03/2018, na proporção de 2,3501435% sobre as ações da mesma espécie que possuírem em carteira na data-base, e os acionistas que não desejarem exercer seus direitos de preferência à subscrição poderão cedê-los ou negociá-los em Bolsa.

Dessa forma, as ações subscritas deverão ser integralizadas no ato da subscrição, em dinheiro ou mediante compensação de créditos originários da segunda parcela dos dividendos adicionais anunciados acima.

Seguimos apreciando a Itaúsa, e sugerimos a nossos assinantes a participação da subscrição acima referenciada.

Para isso, basta entrar em contato com a corretora a qual possui cadastro e anunciar o interesse no processo de subscrição, que conforme mencionado, se iniciará em 28 de fevereiro e se estenderá até o dia 29 de março.

A Itaúsa é uma holding de muito sucesso no Brasil, e carrega consigo o mérito de ser a controladora de um dos bancos mais rentáveis do planeta, o Itaú Unibanco, e por conta disso, gostamos muito da companhia, a qual recorrentemente, inclusive, a citamos amigavelmente como sendo a “Berkshire Hathaway brasileira”.

Seguimos com a companhia em nossas carteiras Suno Valor e Suno Dividendos e, como sempre, solicitamos a nossos assinantes que respeitem o preço teto de entrada neste excelente ativo.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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