Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Itaúsa (ITSA4) – Processo de OPA da Alpargatas já se mostrava provável

A Itaúsa – Investimentos Itaú – comunicou ontem (15) ao mercado que a Comissão de Valores Mobiliários deferiu o pedido de registro de Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações por alienação de controle da Alpargatas.

Os ofertantes da operação são a Itaúsa, Cambuhy I Fundo de Investimento em Ações e Cambuhy Alpa Holding S/A.

Ainda segundo o comunicado, a oferta objetiva a compra de até 34.362.456 ações ordinárias (ON) de emissão da Alpargatas ao preço de R$ 11,33 por ação ON.

A companhia informou, ainda, que foi autorizada a realização do leilão da OPA em 23 de março de 2018, no sistema eletrônico de negociação do segmento Bovespa da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão.

A Alpargatas, também por meio de nota, confirmou a execução do referido processo de OPA.

 

De certa maneira, esse é um processo um tanto quanto já “esperado” pelo mercado, haja vista que, já no processo de aquisição do controle da Alpargatas pela Itaúsa, em meados de setembro de 2017, tal interesse já havia sido mencionado por parte da Itaúsa.

É interessante lembrar que, na ocasião, a Itaúsa adquiriu 27,12% do capital total da Alpargatas, representado por 103.623.035 ações ordinárias (ON) e 23.968.521 ações preferenciais (PN), desembolsando o montante de R$ 1,7 bilhões, sendo o preço por ação equivalente a R$ 14,17 por ação ON e R$ 11,32 por ação PN.

Isso explica o fato de que, em relação a esta OPA, o preço ofertado pela Itaúsa seja de R$ 11,33 por ação ON, o que representa 80% do valor pago pela holding na ocasião do processo de compra da Alpargatas, até então controlada pelo grupo J&F.

Isso se dá por conta da Alpargatas pertencer ao grupo de empresas Nível 1 de Governança Corporativa da B3, o que fornece a seus acionistas minoritários uma concessão de Tag Along de 80% do preço ofertado em um processo de aquisição para os detentores minoritários de ações ON.

De acordo com o fechamento do pregão de ontem (15), o preço das ações ON da Alpargatas (ALPA3) era de R$ 15,86, ou seja, pouco menos de 40% superior ao preço ofertado pela Itaúsa.

Acreditamos que, se o preço da ação ordinária se mantiver nesse patamar até a data do leilão da OPA, marcado para em 23 de março de 2018, torna-se inviável o processo de venda por parte dos acionistas ordinários da Alpargatas dos seus papéis ON muito por conta desse alto desconto estabelecido na oferta.

Segundo o Edital divulgado a respeito da OPA, o racional estratégico do processo está relacionado aos objetivos de diversificação de portfólio de negócios investidos pelas ofertantes, e as mesmas não possuem a intenção de promover, dentro do prazo de 1 ano, o cancelamento do registro de companhia aberta da Alpargatas.

Foi destacado, ainda, que após a realização da Oferta Pública, a Alpargatas permanecerá listada no Nível 1 da B3 e, portanto, se necessário, as ofertantes do processo tomarão todas as medidas cabíveis para recompor o percentual mínimo de ações em circulação exigido 1 na forma e nas condições previstas no Regulamento do Nível 1 de Governança Corporativa.

Vale ressaltar, também, que atualmente, a composição acionária e a distribuição do capital social da Alpargatas são as seguintes:

Fica claramente possível visualizar que a Itaúsa pretende aumentar a sua participação – atualmente de 42,8% – no controle da companhia, dado o seu interesse na compra de até 34.362.456 ações ordinárias.

Ademais, muito pelo fato de se mostrar ser uma gestão bastante eficiente em seus processos de aquisições e também de muita expertise em seu histórico operacional, acreditamos que a Itaúsa tende a agregar bastante valor aos acionistas da fabricante de calçados e artigos esportivos dona de marcas renomadas como Havaianas, Topper, Mizuno, Osklen, entre tantas outras ao longo do tempo.

No mais, esse processo reforça ainda mais nosso posicionamento acerca da Itaúsa, holding a qual consideramos ser bastante competente e que demonstra, ao longo do tempo, o quão a sua gestão é confiante e comprometida com o seu desenvolvimento operacional no longo prazo.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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