A Gerdau informou ontem (13) ao mercado que, na véspera, foi proferida decisão, em 2ª instância, pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desfavorável para a companhia, referente a processos decorrentes de representação de dois sindicatos de construção civil de São Paulo, alegando que a Gerdau e outros produtores de aços longos no Brasil teriam infringido a legislação antitruste.

A decisão de 1ª instância condenou a companhia ao pagamento de multa equivalente a 7% do faturamento bruto do exercício anterior à instauração do Processo Administrativo, no ano 2000, excluídos impostos, valor esse que, conforme a última atualização pela Contadoria Judicial, correspondia a R$ 417.819.805,95 em 01/08/2013. Dito valor deverá ser novamente atualizado pela Contadoria Judicial.

“Salientamos que a decisão desta data ainda não foi formalizada através do competente acórdão e que, após a publicação do mesmo, a companhia continuará buscando todos os remédios jurídicos cabíveis para defesa de seus direitos”, salientou a Gerdau em seu comunicado.

 

É bastante intuitivo deduzir que, apesar de a companhia não ter informado as condições do pagamento de tal condenação, que a decisão ainda não foi formalizada através do competente acórdão e que, ainda, “continuará buscando todos os remédios jurídicos cabíveis para defesa de seus direito”, tal procedimento tenderá a impactar de maneira direta os seus próximos resultados operacionais a partir, provavelmente, do terceiro trimestre de 2018.

Ainda em relação a tal condenação, a Gerdau destacou, também, que “suas práticas comerciais são fundamentadas nos princípios da transparência e da livre concorrência, as quais foram consolidadas ao longo de sua história de 117 anos no Brasil, período em que construiu uma cultura empresarial ética e de respeito a todos os públicos”.

Contudo, esse contexto o qual a companhia expôs ao mercado ontem tende a amplificar ainda mais o nosso desconforto no âmbito de um investimento de longo prazo na companhia fundamentado nos seus dados operacionais.

Dito isso, vale lembrar que a Gerdau vem apresentando uma variação na sua geração de caixa bastante inconsistente nos últimos trimestres, o que transmite certa sensação de incerteza frente ao seu desempenho no curto/médio prazo, hesitação essa que tem tudo para ser ainda mais impactada mediante tal condenação.

Não bastasse, a sua dívida bruta de pouco menos de R$ 17 bilhões também preocupa, isto por que representa, de acordo com seus resultados do primeiro trimestre do ano, 3,2x o Ebitda dos últimos 12 meses da companhia, além de representar também pouco menos de 5 vezes a sua posição de caixa.

Ainda, em 31 de março de 2018, 13,0% da dívida bruta eram de curto prazo e 87,0% de longo prazo e eram compostas por 17,6% em reais, 80,0% em dólar norte-americano e 2,4% em outras moedas.

Diante de tal realidade, e também muito por conta da atual situação desafiadora que se encontra a empresa neste momento, bastante endividada e se desfazendo de ativos para tentar melhorar performance operacional e aliviar a sua situação de dívida, achamos mais prudente e racional seguir de fora da Gerdau.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.