A Gafisa (GFSA3) comunicou aos seus acionistas que será realizada a primeira convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), no dia 15 de abril, com o objetivo de propiciar a retomada do crescimento e a capitalização da companhia.

A empresa, em seu comunicado, demonstra estar ciente da fragilidade operacional devido a crise em que se encontra, convocando todos os acionistas a apoiarem um novo Plano de Reestruturação e Gestão para a companhia.

 

Além disso, a empresa aponta que a origem dos problemas atuais foram: decisões estratégicas sem foco em retorno para os acionistas; incapacidade de resposta rápida e correta à situação de crise no setor imobiliário; e gestão desestruturada e sem um norte.

Sendo assim, a atual administração propõe a elaboração de um Plano de Reestruturação calcado em um Plano de Gestão e um Plano Estratégico de longo prazo, que serão executados com auxílio de dois assessores de primeira linha, cujas propostas de contratação serão apresentadas na AGE.

O plano busca, também, aumentar o limite de capital autorizado da companhia, elevando o número de ações ordinárias de 71.031.876 para 120.000.000.

A Gafisa é uma empresa brasileira fundada há mais de 60 anos, cujas operações focam no desenvolvimento e construção civil de empreendimentos residenciais e comerciais, concentrados nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa possui ainda uma participação de 30% em Alphaville, uma das mais importantes empresas de desenvolvimento urbano, com foco na venda de lotes para a classe alta.

Em 2018 a Gafisa lançou 6 novos empreendimentos e entregou 4 projetos, no entanto, seus números se mostraram bastante negativos (vide prejuízo líquido de quase R$ 420 milhões em 2018), ainda que tenham melhorado em relação a 2017.

No último mês de março, a presidente da Gafisa – Ana Recart – renunciou ao cargo que havia assumido seis meses antes, por indicação do então maior acionista da companhia, o GWI Group. Esse fato representou, sem dúvidas, a crise pela qual a empresa passa.

Além disso, o endividamento da empresa é alto. Segundo o balanço divulgado pela mesma, existem dívidas de curto prazo no valor de R$ 347 milhões, vencendo ainda em 2019.

Não obstante, neste mês de abril, foi requerida falência da Gafisa pela empresa Leograf Gráfica e Editora Ltda, segundo divulgado pelo jornal Valor Econômico, no último dia 02 de abril.

A cotação da Gafisa vem caindo já há bastante tempo, condizendo com sua situação crítica que se estende já há alguns anos:

Diante destes fatos, é inegável que a empresa passa por uma situação muito difícil. Manteremos distância da Gafisa, porém, iremos monitorar seu desempenho.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.