Forjas Taurus Prejuízo

A Forjas Taurus comunicou ao mercado no último dia 10 (sexta-feira), os seus resultados trimestrais e, de acordo com os seus números, a companhia apresentou, no terceiro quarto do ano, um Ebitda negativo de R$ 24,9 milhões que, segundo a empresa, foram impactados principalmente pela performance do mercado nos EUA e por novos provisionamentos para contingências cíveis e trabalhistas.

No acumulado de 2017, o Ebitda da empresa registra saldo negativo de R$ 23,5 milhões, contra um resultado também negativo de R$ 44,9 milhões no mesmo período do ano anterior.

Segundo a empresa, esse resultado foi impactado, em grande parte, por um alto Custo dos Produtos Vendidos (CPV) e por um considerável patamar de despesas operacionais SG&A (vendas, gerais e administrativas).

Pôde ser percebido, ainda, que esse resultado negativo se consolidou mesmo com um aumento de 16,3% frente ao 2T17 da receita líquida consolidada da empresa, que atingiu R$ 211,1 milhões. Quando comparado com o mesmo período do ano passado, porém, a receita líquida apresentou uma queda de 5,3%.

Como consequência, ao final de setembro deste ano, a Forjas Taurus apresentou registrou um prejuízo de R$ 18,5 milhões frente a um resultado também negativo de R$ 31 milhões no 2T17. Assim sendo, nos nove meses de 2017, a companhia acumula um prejuízo de R$ 55,9 milhões, contra saldo também negativo de R$ 44,2 milhões no mesmo período de 2016.

Paralelamente, há de se destacar também que, no período, o endividamento líquido da companhia contabilizou R$ 709,4 milhões, sendo que a maior parte desses compromissos apresentam vencimento de caráter de longo prazo.

Diante de toda essa situação desafiadora em que se encontra, a Forjas Taurus apresentou, no período, um consumo de caixa de R$ 4,9 milhões no 3T17 contra um consumo de R$ 11,3 milhões no 2T17. Assim, o saldo final de caixa e equivalente a caixa apresentou recuo de 41,9% no 3T17 em comparação ao 2T16, totalizando um montante de R$ 6,8 milhões.

Esse fenômeno pode ser explicado, em grande parte, pelo fato de que, diante de muitos contratempos operacionais como se encontra a Forjas Taurus nesse momento, qualquer companhia se vê na necessidade de ter que “queimar caixa” para conseguir honrar com seus compromissos de curto prazo.

Cabe destacar, ainda nesse sentido, que a empresa segue sem pagar os fornecedores no prazo normal. Neste quesito, a companhia sempre “reagendou” o pagamento de diversos fornecedores. Se fosse pagar em dia o consumo de caixa seria ainda maior.

Obviamente que essa situação não é sustentável no decorrer do tempo. Certamente chegará o momento em que, não tendo mais caixa para queimar, a companhia se encontrará em uma situação muito mais complicada em que se encontra agora.

Não bastasse a péssima situação operacional desse empreendimento, a companhia se vê, ainda, numa posição de enfrentar, judicialmente, processos que envolvem o mal funcionamento de seu armamento – fornecido para a Polícia Militar de grande parte do país – já que existem relatos e acusações de disparos aleatórios ocorridos pelos armamentos da Forjas Taurus que já resultaram, inclusive, em óbito de soldado em pleno horário de trabalho.

A situação é tão complicada para a empresa que, no Fantástico de ontem (12), foi noticiado uma reportagem completa sobre as acusações sofridas pela companhia, assim como relatos do mau funcionamento e, inclusive, do perigo que se encontram os oficiais ao dependerem do manuseio desses equipamentos no exercício de suas profissões.

Além da empresa fabricar um armamento de baixíssima qualidade, o investimento no trimestre caiu significativamente frente aos trimestres anteriores, o que dificulta ainda mais a capacidade da companhia em melhorar a qualidade dos seus produtos.

Talvez ainda seja cedo para afirmar, mas a Recuperação Judicial parece ser mesmo a saída mais factível para a Forjas Taurus nesse momento.

Por conta disso, recomendarmos a nossos assinantes que se mantenham a uma grande distância da companhia, e que evitem o recente fluxo especulativo sem fundamentos que girou em torno do papel nos últimos meses, devido a informações divulgadas sobre o mesmo, as quais julgamos serem um tanto quanto incompatíveis com a realidade da empresa.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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