Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Even (EVEN3) – Companhia divulga sua previa operacional do 4T18

A Even Construtora e Incorporadora, companhia que possui uma representativa atuação em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul com foco nos empreendimentos residenciais a partir de R$ 250 mil, anunciou ontem (16) alguns dados preliminares e não auditados de lançamentos, vendas, aquisição de terrenos e entregas relativos ao quarto trimestre de 2018.

De acordo com a companhia, no quarto trimestre foram lançados 7 empreendimentos que totalizaram R$ 607 milhões (parte Even), sendo que, assim, o valor acumulado de 2018 foi de R$ 1,0 bilhão (parte Even), e as vendas líquidas somaram R$ 333 milhões (parte Even), dos quais R$ 190 milhões referem-se as vendas dos lançamentos do trimestre (com VSO de 31%). A velocidade de vendas (VSO) do trimestre foi 14% e de 35% no ano. No acumulado de 2018, as vendas líquidas totalizaram R$ 1,11 bilhão (parte Even).

A companhia ressaltou, ainda, que no último trimestre foram adquiridos, majoritariamente por meio de permuta, 4 novos terrenos em São Paulo e no Rio Grande do Sul, com valor potencial de vendas de R$ 456 milhões (parte Even). O land bank encerrou o ano de 2018 com R$ 6,7 bilhões em VGV potencial (parte Even).

Por fim, no 4º trimestre foram entregues 7 projetos que equivalem a R$ 353 milhões (VGV de lançamento parte Even) e 1.419 unidades. No acumulado de 2018 foram entregues R$ 737 milhões (VGV de lançamento parte Even) e 2.853 unidades.

 

Ao que tudo indica, o fato de a companhia apresentar, em seus números preliminares, um patamar de vendas líquidas que somaram R$ 333 milhões deve contribuir para a Even apresentar números mais representativos do que foi observado nos seus resultados acumulados desde o início de 2017, quando a companhia começou a apresentar resultados inconsistentes e negativos desde então.

Entretanto, os resultados da companhia vêm sendo fortemente influenciados pelos distratos, que de acordo com o informado pela empresa nessa prévia operacional, continuam a ser um empecilho relevante na sua estrutura.

Vale mencionar que a Even é uma construtora e incorporadora com foco em empreendimentos residenciais com valor unitário acima de R$ 250 mil e que está presente, prioritária e estrategicamente, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Mesmo apresentando recentes resultados negativos, não achamos a Even uma empresa ruim, porém entendemos que o setor de construção civil sofreu bastante nos últimos três anos, muito por conta da grave recessão que sofreu o Brasil no período e ao aumento do desemprego gerado pela mesma, o que acabou por influenciar diretamente nos resultados da empresa em seus últimos trimestres, principalmente no que diz respeito ao seu Ebitda e lucro líquido, que vêm apresentando sucessivos patamares negativos, conforme mencionado acima.

Apesar disso, a atual situação de dívida líquida da Even aparentemente se encontra sob controle, com o seu montante representando pouco menos de 50% do seu patrimônio líquido.

Contudo, sem uma efetiva geração de caixa, qualquer patamar de dívida pode ser algo preocupante para o acionista focado em uma associação de longo prazo.

É verdade que, com as atuais quedas de juros propostas pelo Banco Central, aliados a uma melhora gradual da economia e consequentemente aumento na geração de empregos, o setor de construção e incorporação tende a apresentar significativas melhorias no médio prazo.

Neste cenário de um reaquecimento econômico, é factível entender que empresas desse segmento venham a reduzir os seus estoques, que aumentaram de maneira significativa nos últimos trimestres, o que pode contribuir para os seus respectivos desempenhos e geração de caixa.

Contudo, entendemos que existem companhias que apresentam melhores performances neste mesmo setor de atuação – mesmo não indicando nenhuma em nossa carteira nesse momento – e, por conta disso, preferimos seguir de fora da Even neste momento, e recomendamos o mesmo a nossos assinantes.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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